Robson Fernandes/AE
Robson Fernandes/AE
Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Mercado externo puxa desempenho da Alegra

Graças ao bom desempenho da carne suína brasileira no exterior, empresa prevê fechar o ano com faturamento 23% acima de 2019

Coluna do Broad Agro, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 06h31

A Alegra Foods prevê fechar o ano com faturamento de R$ 800 milhões, 23% acima de 2019, graças ao bom desempenho da carne suína brasileira no exterior. “Dobramos o volume exportado em relação ao ano passado”, conta Matthias Rainer Tigges, superintendente da indústria de alimentos. Em 2019, a empresa embarcou cerca de 1 mil toneladas do produto por mês.

Hoje essa média é de 2 mil toneladas/mês. A Alegra, empreendimento das cooperativas Frísia, Capal e Castrolanda, concluiu em setembro investimento de R$ 20 milhões em seu frigorífico de Castro (PR), ampliando para 3,5 mil suínos por dia a capacidade de abate, ante 3,2 mil até agosto. Isso permitiu atingir 9 mil toneladas de carne produzidas a cada mês, ante 8 mil toneladas mensais em 2019.

Em 2021, serão investidos R$ 40 milhões em nova ampliação da unidade para elevar o abate a 3,9 mil suínos/dia. A Alegra exporta para mais de 30 países, que representam um terço do faturamento. Hong Kong é destino de 40% do total vendido ao exterior, seguido de Vietnã e Cingapura.

Retomada

No mercado interno, o consumo de carne suína vem se recuperando desde junho. Em abril, com o baque da pandemia do novo coronavírus, as vendas da Alegra no País chegaram a cair 30%. Enquanto o exterior busca aqui cortes e miúdos in natura e congelados, o brasileiro pede produtos de maior valor agregado, como marinados, embutidos e itens para churrasco e feijoada.

Alerta

O custo da ração preocupa a indústria. Tigges diz que a produção de milho e soja das três cooperativas assegura suprimento, mas será inevitável o repasse da alta desses insumos para o preço das carnes. O indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho, que tem como referência a região de Campinas (SP), acumula avanço de 69% desde o começo do ano. No caso da soja, na média de cinco praças do Paraná, a valorização foi de 100%.

Polêmica

Entidades do setor de biodiesel contestam pontos do relatório “Comercialização de Biodiesel”, do Comitê Abastece Brasil, que analisa o quadro atual e modelos a serem adotados após a Petrobrás concluir o desinvestimento em refinarias. Elas defendem a revisão do documento quanto a questões tributárias, de fiscalização e concorrência, estoques para garantir abastecimento, volatilidade de preços e abertura para importação de biodiesel, entre outros pontos.

Calma

Chamado pelo governo para conversar, o setor defendeu análises de impacto regulatório e a criação de grupos de trabalho para discutir fiscalização e tributação. Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), diz que uma decisão “equivocada” para o biodiesel prejudicaria o esmagamento de soja e a oferta de farelo, com reflexo sobre ração e proteína animal, e pode frear investimentos. “O setor de biodiesel cresceu com essas taxas incríveis de sucesso porque até hoje houve previsibilidade.”

Degrau acima 

Com a demanda aquecida pela carne brasileira, cresce o investimento na melhoria genética do rebanho. A Genex acaba de importar dez touros da raça angus dos Estados Unidos e, no início de 2021, mais 20 chegarão aqui. O salto genético que o sêmen desses bovinos trará aos descendentes poderá injetar até R$ 1 bilhão na economia nacional em dois anos, em razão do aumento de produtividade do gado e da qualidade da carne, projeta Sérgio Saud, diretor executivo da empresa de inseminação artificial.

Olhar à frente

Saud explica que os touros vão gerar bezerros de alta qualidade que serão vendidos para abate. “E a inseminação é o primeiro passo para alimentar essa cadeia de valor”, afirma. A aquisição dos reprodutores faz parte de um plano de negócios da Genex que conta com investimento de US$ 1 milhão para ampliar sua atuação no Brasil.

Passando a limpo. A Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp) pretende chegar a 2021 com 80% dos imóveis rurais do Estado, ou 300 mil propriedades, dentro do Programa de Regularização Ambiental (PRA), conta à coluna Tirso Meirelles, o vice-presidente da entidade. A adesão, feita após o registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR), é indispensável ao cumprimento do Código Florestal. Pelo PRA, produtores apresentam projeto para recuperar Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais alteradas até 22 de julho de 2008. O projeto deve ser executado em 20 anos.

Empurrão

O trabalho ganha impulso com o decreto estadual 65.182, publicado no mês passado, que detalha como o PRA deve ser implementado. A Faesp acaba de fechar convênio com a Embrapa Informática Agropecuária para desenvolver um software pelo qual será possível inserir dados dos produtores, checar sobreposições a unidades de conservação e outras funcionalidades. A meta é começar a usar o sistema no primeiro trimestre do ano que vem. 

LETICIA PAKULSKI, CLARICE COUTO e TÂNIA RABELLO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.