Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão
Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Netafim vê cenário favorável a investimento em irrigação 

Atraso na regularização das chuvas e o fenômeno climático La Niña, que está configurado e pode causar clima mais seco no Sul do Brasil, sinalizam para maior demanda por irrigação pelo menos até meados de 2021

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2020 | 07h57

Juros baixos em um ano de safra cheia e preços remuneradores das commodities agrícolas favorecem o investimento, e a Netafim no Brasil prevê boas oportunidades para projetos de irrigação ao longo da safra 2020/21. “Há tempos não tínhamos essa coincidência de fatores a favor do investimento”, diz Ricardo Almeida, novo CEO para o Mercosul

A empresa, líder em irrigação por gotejamento, não abre seus números por país, mas vê vendas 10% maiores neste ano no Mercosul, onde o Brasil é o principal mercado. Por aqui, a capacidade de produção crescerá 30% até dezembro e em 2021 a equipe técnica terá incremento de 30% para maior aproximação com produtores. A empresa atingiu 20 mil hectares irrigados em 2020 e prevê crescimento de 15% para o ano que vem. O atraso na regularização das chuvas e o fenômeno climático La Niña, que está configurado e pode causar clima mais seco no Sul do Brasil, sinalizam para maior demanda por irrigação pelo menos até meados de 2021. 

Para o Centro-Oeste

Depois de se consolidar nos segmentos de frutas e vegetais, cana-de-açúcar e café, com atuação no Sudeste e Nordeste, a Netafim busca ganhar fôlego em grãos e fibras no Cerrado. A ideia é ajudar o produtor a fazer uma terceira safra ou aumentar rendimento da segunda. “Com irrigação, podemos viabilizar mais uma safra no período seco, de cerca de cinco meses”, explica Almeida.

De olho no arroz

A Netafim testa um modelo de irrigação por gotejamento para arroz no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, substituindo a inundação. Segundo Almeida, pilotos indicaram economia de 80% de água e a possibilidade de uma segunda safra de outra cultura. “Fizemos o projeto em caráter experimental nos últimos dois anos e, a partir da safra 2021/22, queremos expandir para áreas comerciais.”

Fôlego

Com as exportações de carne aquecidas no Brasil, a Sanphar Saúde Animal, maior negócio do recém-criado SAN Group, deve fechar o ano com faturamento 25% a 30% maior no País, de até R$ 130 milhões. Não é pouca coisa considerando que representaria quase 40% da receita global do grupo. “Estamos crescendo acima do mercado”, diz Marco Aurélio Gama, diretor-gerente para a América Latina da Sanphar.

Portfólio cresce

Os segmentos de biosseguridade, de produtos de limpeza e desinfecção, e prevenção, caso das vacinas, se destacam neste ano, diz Gama. A empresa reinveste de 3% a 5% do faturamento em modernização e equipamentos e, até o fim de 2020, terá mais três produtos nas linhas de biossegurança e antibióticos para as cadeias de produção de aves e suínos.

Rastreável

A startup brasileira Bov Control viu sua receita crescer 30% ao mês de maio para cá, conta à coluna Danilo Leão, fundador e CEO. A empresa monitora, por meio de diversos dispositivos e inteligência artificial, a produção de bovinos desde a origem, na fazenda, até a chegada da carne e de lácteos aos compradores. A retomada da demanda global por esses alimentos após a quarentena e o avanço dos preços aqui e lá fora reforçam a procura pelas soluções da Bov Control, assim como a maior cobrança quanto ao cumprimento de normas ambientais, explica Leão. “Estamos neste momento conversando com potenciais investidores para sustentar esse crescimento.” 

Indiretos

Das mais de 65 mil fazendas que a Bov Control acompanha no mundo, 35% estão no Brasil e 15% nos Estados Unidos. A startup conta com clientes também na América Latina, África e Europa. Leão tem observado maior procura de empresas e pecuaristas pela plataforma, que monitora inclusive os fornecedores “indiretos” de gado no Brasil – que abastecem a cadeia produtiva com bezerros e bois magros. Os produtores vêm ganhando peso no faturamento da startup e já representam 25% do total, ante 5% há três anos.

Consolida

O segmento de revendas de insumos se movimenta para aproveitar o bom momento no Brasil. A canadense Nutrien anunciou na semana passada a aquisição de portfólio de defensivos genéricos da BRA Agroquímica e a intenção de assumir a liderança do setor de distribuição de insumos no Brasil até 2024. Já o fundo Aqua Capital anunciou a fusão de suas distribuidoras na holding AgroGalaxy, afirmando ter formado a maior plataforma do segmento no País.

Diferencial

“Somos a maior varejista global de insumos, e elegemos o Brasil como a próxima prioridade”, diz André Dias, presidente da Nutrien na América Latina, citando como vantagens competitivas o alcance global, a escala e tecnologia próprios. Já Welles Pascoal, CEO da AgroGalaxy, fala do momento de transformação do setor para oferecer não só produto a preço mais baixo mas serviços e tecnologia. “As empresas e grupos que estão chegando no Brasil vão ajudar muito nesse processo, mas nós queremos liderá-lo”, aponta. / LETICIA PAKULSKI e CLARICE COUTO 

Tudo o que sabemos sobre:
irrigaçãoNetafimagricultura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.