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Nutrien muda distribuição para encarar concorrência

Uma plataforma digital semelhante à usada nos Estados Unidos deve ser adotada por aqui em 2022, com ferramentas agronômicas e venda de produtos

Redação*, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 04h00

A canadense Nutrien põe suas fichas em um novo padrão de distribuição para concorrer com Agrogalaxy e Lavoro, em um momento de consolidação de revendas de insumos agrícolas no Brasil. André Dias, presidente na América Latina, conta que está à procura de “talentos” entre agrônomos para aprimorar o atendimento e prevê mais centros de distribuição, além dos três atuais, para reduzir o prazo de entrega dos produtos. Uma plataforma digital semelhante à usada nos Estados Unidos deve ser adotada por aqui em 2022, com ferramentas agronômicas e venda de produtos. No segundo semestre deste ano, 10 lojas “centros de experiência” serão abertas e as 25 revendas atuais serão adaptadas ao conceito. As ações integram a estratégia da empresa para ser líder em revendas no País em 2024, com 150 lojas até lá. “O jeito de fazer negócio hoje é o mesmo de 20 anos atrás. Vamos levantar a barra”, diz o executivo.

Acelera

A Nutrien está avaliando várias aquisições e algumas delas podem se concretizar este ano, conta Dias. Além de lojas, compras e plataforma digital, os investimentos incluirão a construção de mais duas misturadoras de adubos (além de quatro existentes) e novos centros de distribuição (próprios ou alugados). Tudo integra o pacote de US$ 1 bilhão alocado para o período de 2019 a 2024. 

Aquecido

Com as perspectivas positivas para o agronegócio, Dias espera um “faturamento robusto” em 2021. “Nosso plano agressivo de crescimento tem sido cumprido. No primeiro trimestre, vimos alta de cerca de 50%.” Em 2020, a receita no Brasil somou R$ 1,8 bilhão. Hoje, a Nutrien trabalha com mais de 30 marcas, superando 200 itens, incluindo portfólio próprio. “Não queremos apenas vender produto, mas ser a maior plataforma de soluções agrícolas integradas do País”, afirma o executivo.

Lá fora

A BRF vai investir US$ 46 milhões até 2023 para aumentar a produção de suas fábricas na Turquia. A expectativa é elevar em 12% a capacidade produtiva das linhas de frango e em 40% a de produtos com maior valor agregado. Os recursos também serão utilizados para contratar mais de 600 funcionários, ampliar a reciclagem para 100% das embalagens e reduzir em 13% a utilização de água nas operações. O investimento faz parte de um esforço para consolidar o portfólio e a posição da sua marca de aves Banvit no mercado turco. 

Otimiza

A produção de levedura seca de cana-de-açúcar da Tereos já foi exportada para mais de 65 países, entre eles China, Tailândia e Estados Unidos, para ser usada como componente na ração animal. A companhia espera produzir 4,5 mil toneladas em 2021 e chegar a 8 mil toneladas em cinco anos. A levedura, feita com resíduos da fermentação de etanol, é rica em aminoácidos, proteínas e vitaminas do complexo B. “Usamos o excedente de creme (matéria-prima da levedura) da nossa própria fermentação e recebemos creme de outras unidades para complementar a produção”, diz Joana Bischoff, gestora de Laboratórios e Qualidade da Tereos.

Mão dupla

O Brasil precisa importar mais insumos, bens de capital e tecnologia se quiser abrir mercados e diversificar a pauta de exportação agrícola, diz Marcos Jank, professor de Agronegócio Global do Insper. O País poderia exportar mais frutas, lácteos e outros itens de valor agregado se fosse menos “protecionista na importação”, defendeu em evento recente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “A China com frequência pede mais acesso a pescados, alho, pera, e, em geral, temos dificuldade para atender a estes pedidos.”

Nos trilhos

O agro foi o motor do crescimento de 6,3% da movimentação nos terminais ligados à Ferrovia Centro-Atlântica em 2020, antecipou à coluna a empresa de logística VLI. Em Araguari (MG), o fluxo de soja e milho subiu 7,3%, para 4,4 milhões de toneladas, ou 81,4% da movimentação total. Por Guará (SP), dedicado a açúcar a granel, passaram 3,7 milhões de toneladas, alta de 54% ante 2019.

Dor de cabeça

Estimativa do advogado Fernando Bilotti Ferreira, especialista em contencioso do escritório Santos Neto, é de que 30% a 40% mais ações judiciais foram movidas por tradings devido à quebra de contratos de soja na safra 2020/21, que se encerra este mês. As empresas monitoram agora as culturas de milho e café, que começam a ser colhidas no País. 

Proteção

Embora a negociação antecipada de produtos agrícolas seja uma prática tradicional, o modelo de contratos tende a ser revisto, segundo Ferreira. “A ideia é, além de multa de 10% a 30% pela não entrega, incluir uma cláusula específica para perdas e danos”, afirma. Para o advogado, a cláusula deve estimar o tamanho do prejuízo e como deve ser a compensação à empresa se o produto não for entregue. 

Pressão

A alta de mais de 40% dos preços do óleo de palma em um ano e o fim da safra neste mês devem elevar o custo dos alimentos, alerta João Dornellas, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O insumo representa até 40% do custo de massas e biscoitos. Prevendo maior demanda e necessidade de importação, a Abia enviou pedido de redução temporária do imposto de importação do produto à Secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). “A indústria alimentícia absorve mais de 50% do óleo de palma consumido no Brasil”, diz Dornellas.  

 

* ISADORA DUARTE, CLARICE COUTO, JULLIANA MARTINS, AUGUSTO DECKER E LETICIA PAKULSKI

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