Camila Domingues/Agência Brasil
Camila Domingues/Agência Brasil

Oito dos dez municípios que mais contrataram no País de maio a julho são ligados ao agronegócio

Estudo da CNC mostra que o setor está ajudando na recuperação dos empregos formais enquanto o mercado de trabalho ainda está em crise; bom desempenho do campo é sustentado pela safra recorde e pelas exportações

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 16h28

RIO - A agropecuária, provavelmente a única atividade que terá crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, está ajudando na recuperação de empregos formais no País, em meio a um mercado de trabalho ainda em crise. Abril marcou o fundo do poço para o trabalho com carteira assinada no País, com quase 1 milhão de dispensas, mas, desde que a atividade econômica começou a dar sinais de melhora, em maio, oito dos dez municípios que mais contrataram nos três meses seguintes têm em comum o agronegócio, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

“Nenhum deles é capital, são municípios muito ligados ao setor agropecuário”, ressaltou o economista Fabio Bentes, autor do estudo da CNC.

De maio a julho, na reabertura gradual de atividades em meio à pandemia, os dez municípios que mais abriram postos de trabalho com carteira assinada foram Matão/SP (5.680 vagas); Bebedouro/SP (5.281 vagas); Parauapebas/PA (2.859 vagas); Anápolis/GO (1.413 vagas); Sapezal/MT (1.257 vagas); União/PI (1.240 vagas); Mogi-Guaçu/SP (1.167 vagas); Colombia/SP (1.162 vagas); Dourados/MS (1.154 vagas); e Cristalina/GO (1.149 vagas).

"Todos eles têm a economia predominantemente ligada ao agronegócio, exceto Parauapebas e Anápolis", apontou Bentes.

Entre as dez profissões que mais contrataram trabalhadores com carteira assinada de maio a julho, três são diretamente ligadas ao agronegócio: trabalhador no cultivo de árvores frutíferas, com mais de 25 mil vagas; trabalhador volante da agricultura, mais de 10 mil vagas; e trabalhador da cultura de café, quase 9 mil vagas.

Os trabalhadores mais demandados no trimestre de maio a julho foram os mais jovens e com baixa instrução, mostraram os dados desagregados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pela CNC.

De maio a julho, o mercado de trabalho extinguiu 244.502 vagas. No entanto, na faixa etária de trabalhadores até 18 anos, foram criadas 54.988 vagas. De 19 a 25 anos, foram abertos 65.414 postos formais.

“Fica muito claro que tem uma demanda por trabalhadores menos qualificados nesse momento. O trabalhador jovem é mais barato do que um trabalhador mais qualificado”, contou Bentes.

O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário foi o único componente da economia brasileira com desempenho positivo no segundo trimestre, sob a ótica da oferta. Os dados das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram um avanço de 0,4% no PIB agropecuário em relação ao primeiro trimestre, a despeito da recessão causada pela pandemia do novo coronavírus. No mesmo período, a atividade econômica brasileira como um todo teve uma retração de 9,7%.

O bom desempenho do campo é sustentado pela safra agrícola recorde que vem sendo colhida este ano, além da maior demanda por produtos brasileiros no exterior, alimentada especialmente pelas compras chinesas.

A safra nacional de grãos deve somar 251,7 milhões de toneladas, o equivalente a 10,2 milhões de toneladas a mais que a de 2019, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 10, pelo IBGE.

“Onde você percebe a economia menos pior é onde tem demanda por empregados”, justificou Fabio Bentes.

A economista Juliana Trece, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), lembra que o agronegócio não acompanha os ciclos econômicos, por isso ainda teve expansão no pior momento da crise sanitária, na contramão do restante da economia. “O PIB agropecuário cresce mesmo em períodos de recessão”, frisou.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê um crescimento de 1,5% no PIB agropecuário em 2020, seguido de um avanço de 3,2% em 2021.

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