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Orbia busca no exterior o sucesso obtido no Brasil

Por aqui, movimentou, de janeiro a julho, R$ 500 milhões com a comercialização de defensivos agrícolas, adubos e sementes, mais do que o dobro dos R$ 220 milhões de 2020

Redação*, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 04h00

Omarketplace Orbia, criado pela Bayer e pela Bravium, comemora os resultados no Brasil da migração do agro para o comércio online e já reforça planos de expansão no exterior. Por aqui, movimentou, de janeiro a julho, R$ 500 milhões com a comercialização de defensivos agrícolas, adubos e sementes, mais do que o dobro dos R$ 220 milhões de 2020. A base de clientes cresceu 13% no período, chegando a 188 mil produtores, que representam 72% da área plantada no País. Já o número de distribuidores que vendem insumos na plataforma avançou cerca de 25%, para 244, conta Ivan Moreno, CEO da empresa. Além da pandemia de covid-19, a chegada de filhos e netos de produtores à gestão das fazendas está por trás do salto nos negócios, avalia. “A última década foi a de maior troca de comando no campo, para a segunda ou terceira gerações, de nativos digitais”, afirma.

Braços

O resultado reforça a perspectiva de fechar 2021 com R$ 1 bilhão em transações e 200 mil produtores cadastrados e sustenta a expansão em várias frentes. Além da parceria com Bunge e revendas de insumos, por meio da qual 2 milhões de sacas de soja e milho já foram comercializadas, a Orbia selou acordo com a trading Eisa, subsidiária do grupo suíço Ecom, para negociação de café no marketplace.

Américas

Há dois meses, a empresa começou a operar no México e na Colômbia, com seu programa de fidelidade e venda de insumos. Em cada país, espera ter de 2,5 mil a 3,5 mil agricultores cadastrados até o fim do ano. Em setembro, desembarcará na Argentina, incluindo a venda online de commodities agrícolas. Lá, a perspectiva é contar com 10 mil a 12 mil produtores até dezembro.

Crédito

Moreno diz que estão avançadas as conversas com três grandes bancos de varejo para financiamento de insumos pela plataforma, bem como com duas fintechs – uma delas deve ser anunciada até o fim do ano. Hoje, os negócios são financiados por distribuidores ou pelo Sicredi, com limite pré-aprovado a cooperados. “Uma oferta ajustada de crédito aos produtores vai impulsionar os negócios”, afirma o executivo.

Inovação...

A gestora de capital de risco Mindset Ventures espera trazer para o Brasil ainda este ano duas agtechs internacionais. Daniel Ibri, sócio-fundador e CIO, conta que estão sendo avaliadas tecnologias envolvendo soluções digitais de monitoramento de lavouras, automatização de equipamentos e de gestão e crédito rural. Por aqui, já operam duas outras startups de monitoramento de pomares e de inteligência artificial, que chegaram ao País por meio da gestora.

...que vem de fora

O fundo, majoritariamente de capital brasileiro, investe em startups de Israel e dos Estados Unidos. Em 5 anos, a Mindset aportou recursos em mais de 50 empresas, com total aproximado de R$ 200 milhões. No momento, há em andamento uma rodada de R$ 270 milhões que devem ser aplicados até o fim de 2022. “Pelo menos uma agtech, de um total previsto de oito, deve receber aporte deste fundo”, diz.

Frágil

A empresa de logística multimodal Brado testou pela primeira vez na semana passada o transporte de ovos por ferrovia e o resultado foi positivo. Um contêiner de 40 pés foi preenchido com 1.093 caixas produzidas pelo Grupo Mantiqueira em Primavera do Leste (MT). Saiu do terminal de Rondonópolis (MT) e seguiu para Sumaré (SP), onde chegou cinco dias depois. De lá, seguiu de caminhão até o Centro de Distribuição da Mantiqueira em Guarulhos (SP) e depois para supermercados do Estado.

Agilidade

Douglas Goetten, diretor comercial da Brado, conta que a operação foi pensada para preservar a qualidade do produto, que tem validade de 30 dias. Segundo Leandro Pinto, fundador e presidente do Grupo Mantiqueira, o uso combinado de trem e caminhão reduz custos operacionais e diminui as emissões de CO² na atmosfera. “Pretendemos dar continuidade e transportar cargas ainda maiores e com mais frequência”, afirma.

Inova

A norte-americana Provivi, startup de proteção de cultivos que usa feromônios para interromper o acasalamento de insetos-praga, entra neste ano no mercado brasileiro de algodão. O primeiro produto a ser pré-lançado para a safra 2021/22 é destinado ao combate de uma das principais pragas da cultura, a lagarta-do-cartucho. A aposta é complementar o manejo com agroquímicos e biológicos que o cotonicultor já usa e aproveitar a tendência de busca por sustentabilidade. A expectativa é atingir, entre áreas pré-comerciais e de ensaios, 20 mil a 25 mil hectares.

Investe

A startup começa a construir neste semestre um laboratório em Campinas (SP), que deve estar pronto em 2022, com aporte de cerca de US$ 500 mil. Alexandre Develey, líder de Brasil e Argentina da empresa, diz que produção do feromônio continuará a ser realizada nos EUA, mas a ideia é testar diferentes formulações no País. “Queremos aumentar o escopo da pesquisa direcionada para as condições no Brasil e continuar esse trabalho de parceria com nosso laboratório na matriz”, afirma. / CLARICE COUTO, ISADORA DUARTE, LETICIA PAKULSKI e JULLIANA MARTINS

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