Gabriela Biló/Estadão - 18/7/2017
Gabriela Biló/Estadão - 18/7/2017

Safra agrícola brasileira alcança valor de produção recorde de R$ 361 bi em 2019

Resultado é 5,1% maior que o de 2018, segundo o IBGE; soja, cana-de-açúcar e milho foram as culturas que lideraram o ranking

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 10h00

RIO - A safra agrícola brasileira alcançou um valor de produção recorde de R$ 361 bilhões em 2019, com crescimento de 5,1% ante o desempenho registrado no ano anterior. Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2019, divulgada nesta quinta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Os bons resultados alcançados nas últimas safras, aliados aos preços compensadores das principais commodities, em virtude da elevada demanda do mercado internacional e do câmbio favorável, colaboraram para que houvesse ampliação das áreas plantadas de soja, milho e algodão, além de maiores investimentos nos cultivos agrícolas. Somados a isso, fatores climáticos positivos, principalmente na 2ª safra, levada a campo, em grande parte, no período ideal de semeadura, colaboraram para o bom desenvolvimento dos grãos. Os resultados alcançados poderiam ter sido ainda melhores, não fosse o registro de queda de rendimento de culturas como a soja, o feijão e o milho 1ª safra em regiões dos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, por conta de períodos secos entre os meses de dezembro e janeiro”, justificou o IBGE, em nota.

A produção de soja totalizou R$ 125,6 bilhões em 2019, mantendo-se na primeira posição no ranking do valor da produção agrícola nacional, apesar da retração de 1,8% em relação ao desempenho de 2018.

Na sequência, a cana-de-açúcar somou R$ 54,7 bilhões, alta de 5,3% ante o ano anterior, enquanto o milho rendeu R$ 47,6 bilhões, um salto de 26,3% ante 2018.

O café somou R$ 17,6 bilhões, uma queda de 22,0%. O algodão herbáceo (em caroço) apresentou crescimento de 24,8% no valor da produção, um recorde de R$ 16,0 bilhões.

As demais cinco culturas no ranking de maiores valores de produção foram laranja (R$ 9,5 bilhões, alta de 0,7% ante 2018); mandioca (R$ 8,8 bilhões, queda de 11,5%); arroz em casca (R$ 8,8 bilhões, alta de 0,8%); banana em cacho (R$ 7,5 bilhões, alta de 8,2%); e feijão em grão (R$ 7,5 bihões, alta de 33,6%).

As 10 culturas representaram 84,1% de todo o valor gerado pela atividade agrícola no País.

A safra recorde de grãos de 2019 totalizou 243,3 milhões de toneladas, superando em 6,8% a produção de 2018. Os agricultores plantaram 81,2 milhões de hectares, uma expansão de 3,3% em relação ao ano anterior, com destaque para o acréscimo de mais 1,2 milhão de hectares para o cultivo de milho e de 1,1 milhão de hectares da soja.

O Mato Grosso, o maior produtor nacional de soja e milho, foi alçado à primeira posição no ranking de valor da produção agrícola em 2019, com 16,2% do total nacional, à frente de São Paulo, com 15,4% de participação, que se destacou no cultivo da cana-de-açúcar. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz e o segundo de soja, ficou na terceira posição, com 11,3%, seguido do Paraná, com participação de 11,2%.

Município de Mato Grosso lidera ranking

O município de Sorriso (MT) alcançou o maior valor de produção agrícola do País em 2019: R$ 3,9 bilhões. O montante representa um salto de 19,7% em relação ao ano anterior.

Sorriso foi o maior produtor nacional de milho e de soja: 3,2 milhões de toneladas de milho, com um acréscimo de 11,4% em relação ao ano anterior, e 2,1 milhões toneladas de soja, o que representou uma retração de 4,0%.

Sapezal, também em Mato Grosso, teve o segundo maior valor de produção, R$ 3,4 bilhões, alta de 1,1% em relação a 2018, graças ao cultivo de algodão herbáceo (em caroço), soja, milho, feijão, arroz e girassol. O algodão herbáceo totalizou 894,8 mil toneladas, somando R$ 1,9 bilhão, fazendo do município o maior representante dessa cultura no País, com participação de 13,0% do total nacional. A soja local atingiu 1,2 milhão de toneladas, o equivalente a R$ 1,2 bilhão.

A terceira posição foi de São Desidério, na Bahia, com R$ 3,2 bilhões, queda de 12,4% em relação ao ano anterior. A cotonicultura somou R$ 1,5 bilhão, crescimento de 2,7%. O município produziu 592,7 mil toneladas, o segundo maior produtor de algodão herbáceo do País. A soja apresentou totalizou 1,3 milhão de toneladas, com valor da produção de R$ 1,4 bilhão, enquanto o milho registrou R$ 170,2 milhões.

Entre os 50 municípios com o maior valor de produção agrícola, 22 são de Mato Grosso, somando R$ 37,1 bilhões. Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul emplacaram seis municípios cada no ranking de maior geração de valor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.