Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Sede da Aprosoja em Brasília é alvo de atos de vandalismo por membros da Via Campesina

Cerca de 200 pessoas invadiram a sede da associação de produtores; segundo elas, o ato faz parte da Jornanda Nacional da Soberania Alimentar e é também uma reação ao veto de Jair Bolsonaro a projeto de lei de incentivo à agricultura familiar

André Borges, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2021 | 11h01
Atualizado 14 de outubro de 2021 | 15h47

BRASÍLIA - Cerca de 200 pessoas ligadas à organização Via Campesina invadiram a sede da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), em Brasília, na manhã desta quinta-feira, 14. Durante o ato, os invasores picharam e lançaram tintas sobre o prédio e estenderam faixas com palavras de ordem. 

A Via Campesina, que se apresenta como “um movimento internacional que coordena organizações camponesas de pequenos e médios agricultores”, declarou que a ação teve participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) e Movimento das Pescadoras e Pescadores Artesanais (MPP).

Segundo a Via Campesina, o ato faz parte da "Jornada Nacional da Soberania Alimentar: Contra o Agronegócio para o Brasil não passar fome" e denuncia “o protagonismo que o agronegócio cumpre no crescimento da fome, da miséria e no aumento do preço dos alimentos no Brasil".

Os invasores afirmam ainda que se trata de uma reação ao gesto do presidente Jair Bolsonaro, que vetou o Projeto de Lei 823/2021 (PL Assis Carvalho), proposta que, alegam, seria uma iniciativa organizada pelos movimentos populares do campo para garantir a soberania alimentar no país através de subsídios e investimentos na agricultura familiar. “Isso demonstra que o Governo Federal é culpado pela miséria e pela fome dos brasileiros e brasileiras”, afirmam. 

Por meio de nota, a Aprosoja Brasil repudiou a invasão e declarou que está tomando as providências cabíveis junto às autoridades policiais para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados. “Esta invasão covarde é uma afronta ao Estado Democrático de Direito e coloca em risco a integridade física de seus colaboradores e associados. No momento da invasão, uma funcionária da associação que estava no recinto precisou se esconder dentro do banheiro com medo de ser agredida pelas mais de 60 pessoas que participaram do crime”, afirmou a associação.

Apesar do episódio, a Aprosoja declarou que “seguirá representando milhares de produtores rurais de todos os tamanhos e de todos os estados brasileiros que produzem soja e milho, grãos esses que são essenciais para garantir a alimentação da população brasileira e de diversos países”.

A associação afirmou que, ao contrário do que dizem entender os invasores em suas pichações - de que a soja não enche prato de comida - a soja e o milho produzidos na mesma área como segunda safra são fundamentais para a produção de carnes, leites, óleos, ovos e derivados. “O grão também é utilizado na produção de medicamentos, cosméticos, tintas, colchões, pneus e até biodiesel, combustível ecológico que contribui para a redução de efeitos causados pela poluição nos centros urbanos.”

O plantio de soja, alegou a instituição, contribui com a geração e a manutenção de milhões de empregos no campo e, principalmente, nos centros urbanos, graças a toda uma cadeia complexa de comércio, serviços e de logística que se torna necessária com a produção rural. “Manifestações como estas que ocorreram na sede da Aprosoja Brasil não constroem nada de bom e são o oposto do que a sociedade brasileira precisa neste momento, que é de união, serenidade e equilíbrio para superar os efeitos da pandemia e da crise econômica que se seguiu, gerar empregos, combater a fome e cuidar dos mais vulneráveis. E é com este espírito que nos revestiremos para seguir trabalhando.”

A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que reúne uma das maiores bancadas do Congresso, declarou que “instigar a animosidade social e/ou entre setores é o que menos precisamos neste momento em que o Brasil tenta resgatar seu crescimento, a geração de empregos e renda, combater a fome e a miséria, ampliadas em virtude da pandemia mundial”.

O deputado Sérgio Souza (MDB-PR), presidente da FPA, afirmou que “a agropecuária possui os melhores indicadores econômicos e sociais do País, apresentando a maior geração de novas vagas de trabalho dos últimos 10 anos”. “A divisão do Brasil não ajuda no desenvolvimento de soluções e políticas que precisamos urgentemente construir, com vistas a um futuro melhor, com diálogo e segurança. Somos todos brasileiros. Queremos um só Brasil: com emprego e renda, sem fome!”, disse.

A Aprosoja se viu envolvida nos movimentos autoritários realizadas no dia 7 de Setembro. O presidente da associação, Antônio Galvan, foi alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acusado de financiar atos contra a corte no Dia da Independência. Galvan acabou proibido de se aproximar da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

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