Ana Paula Boni/Estadão
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Setor de cacau reage, mas deve fechar 2020 em queda

Em maio e junho o processamento chegou a cair 36% e 27%, respectivamente, em relação a iguais meses de 2019 diante da menor procura pela amêndoa para produção de chocolate

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 05h56

Passado o efeito inicial da pandemia de covid-19, o setor de cacau vê recuperação na demanda, mas espera fechar 2020 com queda de 5% no processamento. “A pandemia teve forte impacto no mercado interno e externo”, confirma à coluna Anna Paula Losi, diretora executiva da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc). Mesmo com a retomada, ela diz ser “pouco provável” que o setor alcance o mesmo número de 2019. Em maio e junho o processamento chegou a cair 36% e 27%, respectivamente, em relação a iguais meses de 2019 diante da menor procura pela amêndoa para produção de chocolate. A partir do 3.º trimestre, o mercado reagiu – em julho ainda houve queda de 10%, mas em agosto a moagem cresceu 7%. “O ritmo de demanda tem aumentado, mas tudo continua incerto”, assinala. 

Mais doces

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) também aposta em uma reação na demanda. “A recuperação está acontecendo de forma lenta, mas já estamos melhores em termos de entrega, abastecimento e movimentação nas lojas”, diz Ubiracy Fonseca, presidente da Abicab. De janeiro a junho, dado mais recente disponível, a produção de chocolates no País caiu 22%, para 169,1 mil toneladas. Segundo Fonseca, as vendas em bares e restaurantes foram prejudicadas pelo isolamento social, mas têm sido retomadas aos poucos.

Do lado de lá

Apesar do câmbio favorável à exportação, a pandemia afetou as vendas ao exterior tanto de derivados de cacau quanto de chocolates. A Aipc vê menor demanda por subprodutos da amêndoa nos principais mercados que importam do Brasil – Argentina e Estados Unidos. Já a Abicab aponta cancelamento de encomendas de importação e adiamento de feiras. “Os clientes gostam de ver o produto e degustá-lo. Esperamos que as feiras retornem, porque impulsionam negócios para o mercado externo.”

Nova cultura

A Ambev acaba de concluir a instalação de seu primeiro viveiro de lúpulo em Santa Catarina, com capacidade para produzir 60 mil mudas por ano. A iniciativa, voltada a fomentar no País a produção da planta – ingrediente na fabricação de cerveja –, foi anunciada em março.

De fora

Hoje, a indústria cervejeira nacional importa quase todo o lúpulo de que precisa, principalmente de Alemanha e EUA. “Estamos tentando semear essa cultura no Brasil”, confirma Laura Aguiar, chefe de Conhecimento e Cultura Cervejeira da Ambev. Em dezembro, deve ser entregue uma unidade de processamento. Os volumes, inicialmente, serão pequenos, mas poderão crescer, projeta a executiva.

Moderninhos

A Sotran Logística, transportadora com 35 anos focada em cargas do agronegócio, observou uma migração massiva da sua operação para o aplicativo TMov, criado em 2018 e reestruturado no último ano. A plataforma permite que caminhoneiros façam toda a operação sem passar pela transportadora: desde buscar a carga e receber a documentação até comprar seguros. Do volume total movimentado pela empresa no primeiro semestre, 63% foram pelo TMov, ante 3% há um ano.

Virada

O número de usuários ativos do TMov também disparou entre 50% e 100% de janeiro a junho, conta Charlie Conner, presidente da Sotran. Dos 180 mil caminhoneiros da base da empresa, 50 mil utilizam ativamente o aplicativo. A mudança estava nos planos, diz Conner, contratado no ano passado para liderar a transformação na companhia. Soja e milho representam 67% dos produtos transportados.

Em alta

O recebimento recorde de soja e milho e vendas crescentes de insumos agropecuários fizeram com que a Cocamar elevasse a previsão de faturamento para R$ 6,2 bilhões em 2020, crescimento de 35% ante 2019. A projeção anterior era de R$ 5,7 bilhões. Segundo Leandro Cezar Teixeira, superintendente de Relação com o Cooperado, espera-se que as vendas de insumos cheguem a R$ 1,7 bilhão este ano, ante R$ 1,4 bilhão em 2019. Com isso, o planejamento estratégico do período 2015-2020 deve superar a meta de R$ 6 bilhões. Para o ciclo 2020-2025 o objetivo é ultrapassar R$ 10 bilhões.

Preparados

A empresa de logística VLI registrou crescimento de 40% de janeiro a agosto na importação de fertilizantes pelo Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), em Santos (SP). Já a descarga de matérias-primas para fabricação nacional de adubos aumentou 7%. Ricardo Lustosa, gerente-geral comercial de Fertilizantes e Industrializados da VLI, observou que os investimentos na ampliação e capacitação do terminal nos últimos anos permitiram “crescimento sustentável” no segmento, favorecido por preços atrativos das commodities e perspectiva de aumento de área plantada. O Tiplam tem capacidade para movimentar até 5 milhões de toneladas de fertilizantes e matérias-primas por ano. / LETICIA PAKULSKI, CLARICE COUTO, AUGUSTO DECKER e JULLIANA MARTINS 

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