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Com adubos nitrogenados, Unigel reforça atuação no agronegócio brasileiro

Com hidrogênio e amônia verdes no radar, petroquímica está investindo R$ 600 milhões no País para ampliar a produção de fertilizantes

Isadora Duarte, Leticia Pakulski, Clarice Couto, Sandy Oliveira e Augusto Decker, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2022 | 05h00

A petroquímica Unigel está investindo R$ 600 milhões no País para ampliar a produção de fertilizantes e sua participação no mercado. Do montante, R$ 500 milhões vão para uma nova planta de ácido sulfúrico em Camaçari (BA) e outros R$ 50 milhões a R$ 100 milhões serão destinados à reativação da unidade de sulfato de amônio em Laranjeiras (SE), arrendada da Petrobras. Ambos os projetos devem entrar em operação até o 2.º trimestre de 2023, diz Roberto Noronha, o CEO. Juntos, ampliam a capacidade produtiva, hoje de 2,9 milhões de toneladas anuais, em 820 mil t/ano. A meta da Unigel é ter no agro um terço do seu faturamento (de 26% em 2021). “Há grande espaço para o Brasil reduzir a dependência de adubos”, diz.

Hidrogênio e amônia verdes no radar

Atenta à demanda crescente pela descarbonização do agronegócio, a Unigel pretende destinar ao setor parte da produção de sua planta de amônia e hidrogênio verdes. Em construção em Camaçari, terá capacidade de cerca de 200 mil toneladas/ano de amônia verde.

Produção de ureia deve ser ampliada

Outros projetos para expansão estão em estudo. “Temos intenção de ampliar em ureia”, diz Noronha. A Unigel cogita crescimento pelas fábricas atuais e não descarta a possibilidade de arrendar ativos hibernados da Petrobras. “Se a Petrobras colocar em processo licitatório, vamos olhar.”

MATCH. A Lifetime, conglomerado financeiro no qual o BTG Pactual tem 49% de participação, busca espaço no agro. Contratou há cinco meses Thaís Teixeira, então no banco Alfa, para liderar a área de Mercado de Capitais e fazer a ponte entre investidores e empresários do campo. “O investidor, antes avesso, vê agora que o setor paga mais e tem solidez, enquanto muitos fazendeiros querem entender ‘esse negócio de CRA’. Esperamos anos por este momento.” 

SOB MEDIDA. O foco são operações de R$ 15 milhões a R$ 60 milhões, consideradas pequenas pelos bancos. Por meio delas, fornecerá crédito a grupos de 5 a 15 produtores. Estão previstas para o 1.º semestre pelo menos cinco captações, envolvendo, entre outras, uma revenda de máquinas, uma empresa do setor de cacau e um Certificado de Recebíveis do Agronegócio de R$ 70 milhões. “A meta são 7 transações este ano; ótimo seriam 12. Dá para pensar em R$ 600 milhões em crédito.”

CRESCIMENTO. Após faturar mais de R$ 1,2 bilhão nos 9 primeiros meses da última safra, a Uisa espera ampliar sua capacidade de moagem de cana nos próximos 4 a 5 anos. A intenção é chegar a 7,5 milhões de toneladas, ante os atuais 6,3 milhões. A cana extra deve vir de terras que estão sendo arrendadas e da irrigação plena, que melhora a produtividade. “Este ano devemos decidir a estratégia do investimento industrial”, diz José Fernando Mazuca Filho, o CEO.

CÉU DE BRIGADEIRO. A startup Arpac está otimista com a maior procura por pulverização localizada de herbicidas por drones pelo setor de cana-de-açúcar. Até o fim do ano estima sobrevoar 250 mil hectares ante 200 mil reportados em 2021. “Vamos manter o foco em cana e aumentar a presença em São Paulo e sul de Minas Gerais”, conta Eduardo Goerl, o CEO. A agtech atende grandes usinas como Raízen, Delta e São Manoel.

NOVOS ARES. A Arpac estuda a internacionalização de serviços. “É um projeto incipiente, para médio prazo, de 3 a 5 anos”, diz Goerl. Estão no foco países com matriz sucroenergética, como Índia, Austrália e Tailândia. Toda essa expansão passa pelo aporte recente feito pela Yamaha Motor, de R$ 9,4 milhões.

CAUTELA. Escritórios de advocacia têm aconselhado produtores a discutir com fornecedores de insumos riscos e opções de suprimento em face da guerra Rússia-Ucrânia. “Orientamos a negociação para encontrar caminhos alternativos e não precisar levar a discussão à Justiça”, diz André Barabino, do TozziniFreire. 

Giro

Recuperação chinesa limita exportação de carne suína

A China está recuperando seus plantéis de suínos mais rápido do que previa o setor no Brasil e a consequência é a menor exportação de carne de porco daqui. Além disso, a demanda chinesa também é afetada pela sua política “covid zero” e isolamento social. Em abril, a receita de exportações brasileiras de carne suína caiu 16,6% e o volume foi 6,4% menor.

Vem aí

Setor de grãos deve ter forte resultado trimestral

A produtividade deve contrabalançar os custos de empresas que divulgam balanços esta semana. A SLC diz que suas lavouras de soja tiveram rendimento 33% superior à média nacional. Sobre a BrasilAgro, a XP crê que o desenvolvimento de “terras com maior produtividade” elevará o faturamento.

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