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Yara mira adubo especial na onda da sustentabilidade

Recentemente, o portfólio de alta performance da Yara foi reforçado com uma linha de fertirrigação voltada para café e hortifrúti

Isadora Duarte e Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 05h24

A Yara Brasil, subsidiária da norueguesa de fertilizantes Yara, avança em adubos especiais. Hoje, o segmento representa 30% das vendas da fabricante no País, ante 10% há sete anos. Em 2021, espera acompanhar o crescimento do mercado nacional, de mais de 10%. “O produtor brasileiro está investindo em soluções tecnológicas a fim de obter resultados ainda melhores”, diz Maicon Cossa, vice-presidente comercial. 

Essa tendência, segundo o executivo, se intensificou com a preocupação crescente em garantir sustentabilidade na agricultura. Recentemente, o portfólio de alta performance da Yara foi reforçado com uma linha de fertirrigação voltada para café e hortifrúti.

Sustenta. Para o mercado brasileiro de adubos como um todo, a Yara Brasil prevê alta de 5% este ano, mas não há pretensão de acompanhar esse resultado. “O foco é entregar soluções completas com produtos premium”, afirma Cossa. Em 2020, a companhia vendeu mais de 10 milhões de toneladas de fertilizantes, incluindo os especiais, no País – cerca de 20% do consumo nacional. A receita foi de US$ 3,07 bilhões. A operação local contribui com um terço do negócio global da Yara.

Nova frente. A sustentabilidade é uma das prioridades da empresa. Está implementando uma plataforma de comercialização de créditos de carbono, a Agoro Carbon Alliance, em operação nos EUA. Por aqui, os projetos pilotos devem se iniciar neste ano. Também estuda trazer ao Brasil o programa de produção de “amônia verde”, ainda em desenvolvimento.

Foco no Sul. No quesito industrial, os esforços da Yara Brasil estão direcionados para a plena operação do complexo de Rio Grande (RS), esperada para o fim do ano. As obras foram adiadas em virtude da pandemia de covid-19. “Será o maior parque fabril de fertilizantes da América Latina”, diz Cossa. O projeto recebeu aporte de R$ 2 bilhões para duplicar a capacidade de produção e modernização. No País, a empresa possui outras três plantas industriais e 22 misturadoras.

Protege. O milho é a bola da vez na B3. Com produção em alta e forte demanda do setor de carnes, o número de contratos futuros do cereal negociados na bolsa já é 11% maior que o do ano passado. De janeiro a julho supera 1,816 milhão de contratos, conta Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes Brasil da B3. Produtores, empresas e cooperativas utilizam o mercado futuro para travar antecipadamente o preço do milho e se precaver de oscilações no momento da entrega da safra.

Mais Brasil. Ainda que o mercado nacional do milho acompanhe as cotações internacionais, há, segundo Fabiana, um interesse cada vez maior na referência interna. “O produtor vê que existe um preço do milho Brasil, que reflete melhor o mercado nacional do que as cotações do cereal na Bolsa de Chicago.” De fato, cerca de 65% do grão produzido aqui é comprado por empresas locais, o que reforça o papel do mercado doméstico como formador de preço. Entre 2019 e 2020, o total de contratos futuros de milho negociados na B3 subiu 82%.

Para o alto... A startup norte-americana Indigo vem ganhando espaço no Brasil desde 2018 no controle biológico de pragas e financiamento de produtores. Utiliza inteligência artificial para identificar micro-organismos capazes de melhorar a resposta das plantas a pragas, doenças e variações climáticas. Dario Maffei, CEO da empresa, diz que os biológicos devem atingir 700 mil hectares em 2021, ante 400 mil em 2020 e 100 mil em 2019.

...e avante. Com o Indigo Ag Finance, fundo pelo qual financia produtores, a perspectiva é sair dos cerca de R$ 100 milhões concedidos em 2020 para quase R$ 400 milhões em 2021. Há cinco anos, a agtech se destacou ao ser considerada uma unicórnio, ou seja, startup com valor de mercado de mais de US$ 1 bilhão, por seu processo de desenvolvimento de produtos biológicos. Hoje, está avaliada em cerca de US$ 3,5 bilhões, diz Maffei.

Vilão. O aquecimento global, que motiva governos no mundo a reduzir as emissões de gases do efeito estufa, também põe em risco a capacidade da agricultura de fornecer alternativas aos combustíveis fósseis, alerta estudo da S&P Global Platts Analytics. Estiagem e geada no Brasil reduziram a produção de cana e milho, usados para etanol, enquanto secas nos EUA e Canadá quase comprometeram lavouras de soja, milho, colza e canola, matérias-primas para biocombustíveis.

Comida x energia. Ao mesmo tempo em que vê aumento da procura por etanol, biodiesel e diesel renovável em mais de 1 milhão de barris/dia, chegando em 3,9 milhões até 2040, a S&P espera que em 2050 a economia global vai dobrar e ganhar 2 bilhões de pessoas, que demandarão mais alimentos. Para enfrentar a situação, recomenda diversificar as fontes sustentáveis de combustíveis e eletricidade e aumentar investimentos em tecnologias para usar resíduos de alimentos e agrícolas na produção de biocombustíveis, como palha de cana, bagaço, lascas de madeira e sebo.

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