''Criatividade'' perde espaço em Cannes

Seminários sobre o negócio da propaganda ganham a cada ano mais importância no Festival

Marili Ribeiro,

20 de junho de 2008 | 10h45

Rupert Murdoch, o dono do conglomerado de comunicações News Corporation, chegou para sua "palestra-entrevista" no Festival de Publicidade de Cannes com ar despojado, em mangas de camisa. Em tom descontraído, brincou de desconhecer o rival Google e de não ter comprado o Yahoo - alvo recente de uma oferta bilionária da Microsoft - por falta de dinheiro. E passou seu recado para a platéia lotada: "Estamos prontos para as mudanças digitais, mesmo que não saibamos muito para onde se vai nesse negócio em plena transição."

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Apesar de não fazer nenhuma revelação, Murdoch é o astro, este ano, de uma programação que ganha cada vez mais importância no Festival de Cannes: os seminários. Com restritos 45 minutos, esses eventos parecem ter um propósito específico - dar aos publicitários uma oportunidade de contato com uma celebridade do mundo dos negócios, político ou do entretenimento.

Há alguns dias, por exemplo, foi a vez de outra estrela se apresentar, o cantor Tony Bennett, que fez uma simpática conversa sobre sua carreira sob o patrocínio da agência Grey.

João Ciacco, diretor de marketing da Fiat, confirma que os seminários vêm ganhando espaço em Cannes. "Nas outras vezes em que estive aqui, o vôo vinha repleto de profissionais de criação", diz. "Este ano, veio lotado de anunciantes e profissionais de outras áreas das agências. Muitos apenas com a intenção de se atualizarem com as palestras. Nem sequer prestam atenção na disputa dos prêmios."

Ana Paula Cortat, do planejamento da agência Leo Burnett, confirma a tese. Pela primeira vez em Cannes, ela veio assistir as palestras. E tem aproveitado a extensa programação - este ano, são 51 seminários e 33 workshops. Há assuntos para todos os gostos. Mas dominam os voltados para os aspectos do negócio da comunicação. As discussões sobre criatividade são raras.

RESULTADOS

Não houve divulgação de vencedores ontem no Festival. Saiu apenas a lista preliminar com os 604 filmes que vão disputar os Leões. O Brasil classificou 15 peças, sendo que três delas com reais chances de ganharem Leões, de acordo com a "bolsa de especulações" que está a todo vapor no Palais des Festivals, onde o evento se desenrola.

Os Leões devem ficar para os comerciais "Primeiros Passos", criado pela agência Santa Clara para o cliente Fila; "Barba", da F/Nazca, para a Play TV; e "Money", da DM9DDB, para a WWF.

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