Festival de Cannes cresce e reforça inovação

Entre as mudanças introduzidas nos últimos anos está a criação de novas categorias

Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo,

14 de junho de 2008 | 22h30

Nos últimos cinco anos o Festival Internacional de Publicidade de Cannes mudou. Um novo cenário pode ser traçado quando se acompanha a trajetória do volume de inscrições das peças que concorrem aos cobiçados troféus em forma de Leões, em ouro, prata e bronze.

 

No total, as inscrições cresceram 51,2%, pulando de 18.706 peças, em 2004, para 28.284, neste ano. Esse vigor, depois de alguns anos de paradeira, foi injetado pela atual gestão do maior evento da propaganda mundial, o grupo inglês Emap. A 55ª edição do Festival, que movimenta Cannes desde sábado até o dia 22 de junho, reúne mais de dez mil profissionais de publicidade e marketing de 85 países nas disputas por prêmios em dez diferentes categorias.

 

Todos vão à Riviera Francesa em busca de visibilidade para seus negócios com a competição, mas, a cada ano que passa, vão também atrás de ampliar as suas redes de contatos. Para estimular essa movimentação, entre as mudanças introduzidas nos últimos anos está a criação de novas categorias.

 

Se no início, só os comerciais de televisão e cinema tinham platéia, agora o Festival de Cannes julga e premia toda e qualquer ação de marketing. Há júri para ações de promoção, para spots de rádio, para os complexos casos de comunicação que usam múltiplas plataformas para passar a mensagem (batizado de Titanium & Integrated Lions), e, partir deste ano, há ainda a estreante categoria design.

 

Com isso, os organizadores do evento não só viram engrossar o número de inscrições como também aumentaram a receita. Apenas com a cobrança de inscrições para a competição, recolheram R$ 28 milhões, conforme estimativa feita pela publicação Meio & Mensagem, que não leva em conta fontes de recursos, como patrocínios, workshops e festas. Tudo é pago.

 

Toda essa abundância de um lado não esconde o enfraquecimento da categoria que deu origem e glamour ao Festival, desde 1954, quando foi criado. As inscrições em filmes para televisão e cinema perderam 9,1%, quando comparadas aos mais de cinco mil comerciais que concorreram à premiação, em 2004. Uma movimentação que dá ao Festival de Cannes outros contornos, mais focados nos negócios.

 

A queda dos comerciais de 30 ou 60 segundos, que elevaram a ícone pop toda uma geração de publicitários, também tem ligação com a transição vivida pelos meios de comunicação diante do avanço da era digital.

 

O comportamento dos consumidores conectados à internet e portadores de celulares se altera e a propaganda tem de ir atrás. Mesmo assim, os 4.626 filmes inscritos este ano garantiram um dos melhores faturamentos do Festival - cada anúncio inscrito custa 600,00.

 

A inscrição mais barata fica para a categoria rádio, que custa 250 cada, e a mais cara para a Titanium & Integrated Lions, que contempla os trabalhos capazes de levarem mensagens publicitárias às atuais múltiplas e móveis plataformas de comunicação. Inscrever um case nessa categoria requer um desembolso de 1.075,00.

 

O encolhimento da participação dos filmes comerciais poderia ser apontado como indicador natural dos novos tempos. Mas paralelamente aumenta a categoria de anúncios impressos. No mesmo período de cinco anos, eles cresceram 24,8%.

 

Essa performance soa estranha diante da recorrente pregação de que o mundo está ficando online. O fato de as inscrições serem mais baratas poderia ser visto como motivação extra para as agências, em especial de países novatos nesse mundo, como os do Leste Europeu, Rússia, China e Índia, que incrementaram suas participações este ano.

 

Mas a competição, com um grande número de participantes, também fica mais árdua. Este ano, o Brasil, que embora emergente tem tradição no Festival, lidera a categoria com 867 peças, seguido de Alemanha, com 661, e EUA, com 615.

 

Dos 30 Leões que os brasileiros trouxeram para casa no Festival do ano passado, três foram conseguidos com anúncios impressos.

 

A ascensão das categorias mais inovadoras é visível. Apesar de cara, o Titanium & Integrated Lions é a que mais cresce, cerca de 224% desde 2005, quando foi criada. O Brasil aparece com 17 trabalhos inscritos. Mas ganhar aqui é difícil. Dos 324 trabalhos inscritos em 2007, somente quatro sensibilizaram o júri.

 

No total, o Brasil vai a Cannes com 2.461 trabalhos, com investimentos de R$ 2,3 milhões. O País é o terceiro em volume de participação, atrás dos Estados Unidos (3.643), e da Alemanha (2.852), que já lideravam o ranking em 2007. O volume de peças brasileiras representa alta de 12% em relação à edição anterior.

 

Os jurados

 

O Brasil marca presença nos dez júris com onze participantes, já que na categoria Cyber - que julga a publicidade para mídia online -, há dois profissionais, Sergio Mugnaini, da AlmapBBDO, e Paulo Sanna, da McCann-Erkickson. Na presidência de júri, o Brasil conta com Márcio Salem, presidente da agência Salem, que comandará a escolha da categoria ações de marketing direto.

 

Em design, o representante é Fred Gelli, sócio da Tatil Design. Em filmes, está Eduardo Lima, da F/Nazca S&S; em Outdoor, André Lima, da NBS; em anúncios impressos, Luiz Sanches, da AlmapBBDO ; em projetos de mídia, Luiz Fernando Vieira, da Africa; em promoções, Mentor Luiz Neto, da Bullet; em Rádio, Flavio Casarotti, da Fischer América; e, em Titanium & Integrated, Sérgio Valente, da DM9DDB.

 

O jornal O Estado de S. Paulo é o representante oficial do Festival de Publicidade de Cannes no Brasil, desde 2001.

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