Dalai lama cogita romper tradição e escolher sucessor

Líder espiritual tibetano pode também pedir ajuda de outros monges para nomear um novo líder

BBC Brasil, BBC

20 de novembro de 2007 | 17h20

O líder espiritual do Tibete, o dalai lama, afirmou que está pensando em nomear seu próprio sucessor, acabando com séculos de tradição. Geralmente, depois da morte do dalai lama, autoridades budistas tibetanas, orientadas por sonhos e sinais, identificam uma criança que vai substituir o líder morto. Mas o dalai lama afirmou que, desta vez, teme que a China possa tentar influenciar o processo. O líder espiritual afirmou que pensa a respeito da questão "há 20 anos" e que, além de analisar se deve escolher ele mesmo seu sucessor, pensa na possibilidade de que o futuro dalai lama seja eleito pelos monges budistas mais importantes. "Se o povo tibetano quiser manter o sistema (de liderança) do dalai lama, uma das possibilidades que tenho examinado com meus assistentes é escolher o próximo dalai lama enquanto ainda estiver vivo", disse ao jornal japonês Sankei Shimbun, durante uma visita ao Japão. "Se a China escolher meu sucessor depois de minha morte, o povo tibetano não iria apoiá-lo, pois o coração do povo tibetano não estará nele." O governo chinês reivindica soberania sobre o Tibete, que controla desde sua invasão em 1950. Mas muitos tibetanos ainda são leais ao dalai lama. A China é contra o envolvimento do líder espiritual em questões políticas e vê o dalai lama como um separatista. Quando ele escolheu um menino de seis anos para ser a segunda figura mais importante do Budismo Tibetano, o panchen lama, a China deteve o menino e escolheu um substituto, leal ao governo chinês. O governo chinês é contra as viagens do dalai lama a outros países, como sua recente viagem aos Estados Unidos e a atual viagem ao Japão. Na entrevista ao jornal japonês, o dalai lama afirmou que tinha alguma esperança de que ocorressem "debates extremamente abertos e livres" com os antigos líderes chineses Deng Xiaoping e Hu Yaobang no começo da década de 80. "Mas a situação se deteriorou quando Lhasa foi colocada sob lei marcial em 1989, depois do movimento de democratização na China. A situação melhorou alguns anos depois, mas, agora, está extremamente tensa", afirmou. Os budistas acreditam que o atual dalai lama é a reencarnação de seus antecessores. Ele foi identificado por um grupo de busca, que procurou nas zonas rurais do Tibete por uma criança nascida por volta da mesma época em que o dalai lama anterior tinha morrido. Quando ainda era criança, o atual dalai lama identificou corretamente pertences e relíquias de seu antecessor. O dalai lama sempre disse que, se ele reencarnar, não seria em um país governado pela China ou em qualquer outro lugar que não fosse um país livre. O líder espiritual tibetano vive em exílio na Índia desde 1959, quando houve uma tentativa fracassada de levante contra o domínio chinês.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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