André Dusek/Estadão
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BC deixa ‘porta aberta’ para nova alta da taxa de juro

Segundo analistas, ao repetir o mesmo comunicado das últimas reuniões, Banco Central ‘ganha tempo’ para decidir próximos passos

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 20h15

Atualizado às 22h23

O Banco Central decidiu aumentar nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) para 13,75% ao ano. O ritmo de 0,50 ponto porcentual de alta é o mesmo desde dezembro do ano passado e já era, portanto, amplamente aguardado pelo mercado financeiro. A última vez que a taxa chegou a esse patamar foi em dezembro de 2008, no auge da crise financeira internacional.

A versão do comunicado que se seguiu à decisão unânime também foi mantida. Desde janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC mantém as mesmas palavras: “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 pp (ponto porcentual), para (...), sem viés”. Os detalhes sobre o que levou o colegiado a promover uma nova rodada de alta devem vir apenas na quinta-feira da semana que vem, quando será divulgada a ata do encontro.

Essa é a sexta alta consecutiva da Selic, movimento iniciado logo após a eleição presidencial, no ano passado. Para o BC, porém, a contagem é ainda mais antiga. A elevação começou em abril de 2013, ficou estacionada de maio a setembro de 2014 e foi retomada em outubro.

Repercussão. O comunicado vago não deu pistas concretas se o Copom voltará a elevar a Selic em mais 0,50 ponto porcentual na reunião do final de julho. Trata-se de uma estratégia, dizem analistas de mercado, para deixar a porta aberta para qualquer decisão. 

Para Alberto Ramos, diretor de pesquisas para a América Latina do banco Goldman Sachs, a decisão do BC e a repetição do comunicado foram corretas. Elas podem ajudar baixar as expectativas de mercado em relação à inflação de 2016. O BC, na visão de Ramos, ganha tempo para analisar a inflação, o câmbio e a economia até a próxima reunião do Copom. 

Para o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, o BC voltou a deixar a porta aberta para manter, ou reduzir, o ritmo de alta de juros. O mercado, disse Serrano, definirá para que lado vai de acordo com a ata da reunião desta quarta-feira, com novos dados sobre a economia e, principalmente, com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que será divulgado no fim de junho.

No último Relatório Focus, em que o Banco Central coleta projeções de analistas de mercado, os especialistas ampliaram a projeção da taxa ao final do ano para 14%, o que embute a expectativa da subida de mais um degrau, mas de menor proporção (0,25 ponto). 

O BC tem de fazer uma escolha: se eleva os juros para reduzir a inflação, mesmo sabendo que pode piorar a situação da economia, que recuou 0,2 ponto no primeiro trimestre. Pressionado pelas críticas de que teria errado a mão nos juros no passado, o BC tem um foco no combate à inflação cada vez mais claro.

O BC já jogou a toalha em relação à meta de 2015 (as projeções estão na casa de 8%) e promete cumprir a meta de 4,5% no fim de 2016. A tarefa deste ano, portanto, está concentrada em evitar que os efeitos da alta da inflação, principalmente causada por reajustes de tarifas públicas e pela alta do dólar, se propaguem pelos demais preços da economia. / COLABORARAM RICARDO LEOPOLDO E MÁRCIO RODRIGUES

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