Sergei Karpukhin/Reuters
Exploração de petróleo na Rússia; preço do barril ultrapassa os US$ 110 Sergei Karpukhin/Reuters

Petróleo rompe barreira dos US$ 110 e fecha em forte alta de 7% com guerra na Ucrânia

O Brent, padrão adotado pela Petrobras, terminou cotado a US$ 112,9, maior valor desde 2014, enquanto o WTI atingiu o maior patamar desde 2011

Ilana Cardial e Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 07h48
Atualizado 02 de março de 2022 | 22h30

Os contratos do petróleo seguiram o ritmo de valorização visto nos últimos dias e voltaram a registrar forte valorização nesta quarta-feira, 2, com os barris rompendo a marca de US$ 110. Os novos desdobramentos envolvendo a guerra na Ucrânia e dados do setor contribuíram para manter a commodity em alta.

O Brent para maio - negociado em Londres e o padrão utilizado pela Petrobras -, fechou em alta de 7,58%, a US$ 112,93 o barril - no maior valor desde junho de 2014. Em Nova York, o WTI para abril teve ganho de 6,95%, cotado a US$ 110,60 - maior patamar desde maio de 2011. Os papéis chegaram a subir mais de 8% ao longo do dia, com o Brent batendo em US$ 114 na máxima do dia, e o WTI, em US$ 112,5.

Na tentativa de aliviar as cotações do petróleo, pressionados pelo conflito no Leste Europeu, organizações internacionais estão aumentando a oferta do ativo no mercado. Hoje, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) vai elevar a oferta da commodity em 400 mil barris por dia (bpd) em abril. Ontem, membros da Agência Internacional de Energia (AIE) já haviam concordado em liberar suprimentos de suas reservas emergenciais de petróleo.

O acréscimo da Opep+, porém, teve pouco impacto nas cotações de petróleo, e foi lido como modesto pelos mercados em face da disparada recente nos preços. Segundo a Opep+, "os fundamentos atuais e a perspectiva apontam para um mercado de petróleo equilibrado", e a "volatilidade" recente se dá pelo cenário geopolítico, e não por mudanças nos fundamentos.

Em relatório, a Capital Economics diz que nunca esperou que a Opep+ fosse reverter totalmente seus cortes de produção até o fim deste ano. "Mas agora estamos ainda mais céticos, à medida que a produção russa terá dificuldades com desafios operacionais associados às sanções", diz o economista para commodities, Edward Farned.


O movimento acontece depois das refinarias começarem a se recusar a comprar petróleo russo, enquanto os bancos se recusam a financiar embarques de commodities russas, segundo executivos de petróleo, banqueiros e traders. As empresas estrangeiras de energia também estão se afastando do país: a Shell planeja sair de suas joint ventures com a gigante russa de energia Gazprom, e a BP pretende se desfazer de sua participação de quase 20% na produtora de petróleo estatal russa Rosneft.

Na avaliação do Commerzbank, o mercado precifica cada vez mais uma interrupção nas importações do petróleo russo, diante das sanções. Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reforçou que nenhuma opção está descartada em relação às sanções a Moscou.

Nesse cenário, o recuo de 2,6 milhões de barris nos estoques americanos na semana passada - acima da previsão de analistas -, informados pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês), também contribuiu para a valorização do petróleo. O dado ajudou a reforçar a percepção de que a commodity está ficando mais escassa no mercado.

Inflação

Os países agem para tentar evitar uma valorização ainda maior do petróleo, já que a alta dos barris pode agavar ainda mais a inflação, um dos maiores problemas enfrentados por economias de todo o mundo. Entre analistas, a percepção é a de que a alta da commodity pode forçar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a aumentar o ritmo de elevação dos juros a partit de março, aumentando potencialmente o risco de recessão no próximo ano.

Sobre o tema, presidente do Fed, Jerome Powell considerou um aperto monetário mais agressivo, enquanto o dirigente James Bullard disse que o atual conflito na Europa pode provocar um cenário em que a Rússia continue a conseguir vender seu  petróleo, mas com desconto. Uma regra prática afirma que uma alta de US$ 10 no preço do barril de petróleo aumenta a inflação geral dos EUA em 0,4 a 0,5 ponto porcentual.

Já o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, disse que a guerra deverá ajudar a impulsionar a inflação e a reduzir o ritmo de crescimento da zona do euro nas próximas semanas.

A Rússia é um dos principais fornecedores de petróleo e gás natural e um ator importante em algumas outras commodities, incluindo vários metais. Hoje, os contratos de cobre fecharam em alta de 1,50% em Nova York e de 1,72% em Londres. /COM DOW JONES NEWSWIRES

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Defasagem no preço dos combustíveis no Brasil já chega a até 27%, com disparada do petróleo

Segundo cálculos de consultoria, se valor fosse repassado integralmente, gasolina subiria, na refinaria, de R$ 3,26 para R$ 4,04, e o diesel, de de R$ 3,63 para R$ 4,62

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 16h21

RIO - A alta da cotação do petróleo para patamar superior aos US$ 110 (o óleo tipo brent), nesta quarta-feira, 2, atinge em cheio o mercado brasileiro de combustíveis. A notícia é positiva para a Petrobras, exportadora da commodity. À medida que a cotação sobe, com os ataques da Rússia à Ucrânia, mais dinheiro entra no caixa da empresa. Mas, para isso, ela tem de reajustar os valores dos seus produtos refinados, o que não acontece desde 12 de janeiro - e vai contra o desejo do presidente Jair Bolsonaro.

A defasagem entre os preços comercializados nas principais bolsas internacionais e os pagos pelas distribuidoras brasileiras chegou a 27% para o óleo diesel e a 24% para a gasolina, segundo cálculo de Pedro Shinzato, consultor em Gerenciamento de Risco da consultoria Stonex. O litro do diesel S-10, sem imposto e sem biodiesel, sai hoje por R$ 3,63 nas refinarias da Petrobras, em média. Se a empresa repassar integralmente a alta do petróleo dos últimos dias, o valor deveria saltar para R$ 4,62. Já a gasolina, na refinaria, passaria de R$ 3,26 para R$ 4,04. O preço final ao consumidor é diferente, porque tem também impostos embutidos.

A Petrobras alega que outras variáveis influenciam sua política de reajustes, como a valorização do real frente ao dólar, e que mantém intervalos mais espaçados de reajustes para fugir de oscilações conjunturais da commodity.

No início da semana passada, a defasagem estava em 11% para a gasolina e 8% para o diesel, de acordo com a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). Hoje, a diferença entre os preços internos e externos mais do que dobrou. Com isso, a importação "está inviabilizada", disse Sérgio Araújo, presidente da entidade. Nenhuma das suas dez associadas forneceu combustível ao mercado brasileiro neste ano. Isso porque as pequenas importadoras não têm fôlego para concorrer com os preços da Petrobras.

Como as refinarias brasileiras não atendem toda a demanda interna, a tendência é de que a Petrobras tenha ampliado o volume importado neste ano, e que esteja suprindo a lacuna deixada por concorrentes. A companhia não informa oficialmente se isso está acontecendo.

 

As estatísticas de importação de cada agente do mercado estavam sendo divulgadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em seu site. Mas, "por problemas técnicos, os dados de participação da Petrobras nas importações no ano de 2022" não foram publicados ainda. Procurada, a ANP disse que daria em breve informações sobre a retirada do ar das estatísticas de importação de combustíveis da Petrobras.

Pressão sobre a estatal

Por enquanto, a valorização do real frente ao dólar, em janeiro e fevereiro, ajudou a Petrobras a segurar seus preços, como afirmou o diretor de Comercialização e Logística da petrolífera, Cláudio Mastella, em teleconferência com analistas, na quinta-feira. Apesar dos argumentos, a pressão sobre a gestão da companhia é grande, dizem fontes que acompanham de perto esse processo.

De um lado, os acionistas minoritários exigem independência política da empresa. Do outro, o governo, sócio majoritário, teme os prejuízos políticos da alta do petróleo, num ano de eleições.

A visão de especialistas é de que a estatal não terá como segurar seus preços por muito mais tempo e deverá anunciar reajuste em breve. Pedro Shinzato, consultor em gerenciamento de risco da Stonex, diz que, apesar de o Brasil ser superavitário em petróleo, possui déficit em refino que leva à importação de 25% do diesel consumido no País.

"Desde o início do ano, a Petrobras vem continuamente mantendo preços ligeiramente abaixo do PPI (preço de paridade de importação, de equiparação ao mercado internacional). Esse diferencial tem se alargado bastante nos últimos dias. O diferencial é tanto que coloca em xeque a política de PPI da empresa", afirma. Parte do resultado recorde de R$ 106 bilhões de 2021 se deveu ao repasse da alta do petróleo para o mercado interno, segundo ele.

Luciano Losekann, especialista em petróleo e professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), diz que o cenário é de incerteza, mas que, dificilmente, o barril será negociado patamar inferior a US$ 100 nos próximos dias. "Como já tem um mês desde o último reajuste, devemos ter um aumento nos próximos dias, embora acredite que a Petrobras não repasse a alta integral aos consumidores, num primeiro momento", disse.

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Bolsa avança 1,8% e dólar recua a R$ 5,10 apesar da guerra na Ucrânia

Na volta do feriado do carnaval, mercado nacional acompanhou o bom desempenho do exterior; investidores ainda esperam uma saída diplomática para guerra entre Rússia e Ucrânia

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 11h34
Atualizado 02 de março de 2022 | 19h04

Apoiados na recuperação dos mercados internacionais, os ativos nacionais têm um bom desempenho nesta quarta-feira, 2, na volta do feriado do carnaval, apesar da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já entra em seu sétimo dia. A Bolsa brasileira (B3) seguiu o comportamento do exterior e subiu 1,80%, aos 115.173,61, enquanto no câmbio, o dólar teve queda de 0,94%, a R$ 5,1073.

No exterior, o dia também foi favorável, os mercados da Europa fecharam em alta, com destaque para o ganho de 1,36% da Bolsa de Londres. Em Nova York, os ganhos foram ainda maiores, com Dow Jones subindo 1,79%, S&P 500, 1,86% e o Nasdaq, 1,62%.

Apesar do bom desempenho do dia de hoje, Edward Moya, analista da Oanda, diz que as ações se recuperaram na esperança de que as sanções aplicadas pelo Ocidente possam estar surtindo efeito na Rússia. No entanto, o "apetite ao risco terá dificuldades para se recuperar completamente até que um verdadeiro fim da guerra na Ucrânia esteja à vista".

Os investidores ainda esperam uma saída diplomática para a guerra, com a esperança de um avanço nas negociações de cessar-fogo entre os dois países ajudando a impulsionar os ativos. Um segundo encontro entre os negociadores russos e ucranianos deverá acontecer amanhã, na Belarus.

Desde sexta, a solidariedade e o apoio à resistência ucraniana - na Europa e nos Estados Unidos, assim como no Japão e mesmo em países tradicionalmente neutros, como a Suíça - no aprofundamento de sanções à Rússia resultou, por outro lado, em bombardeios ainda mais pesados em cidades com Kiev, capital da Ucrânia, Kharkiv, no leste, e Kherson, que já teria sido tomada por militares russos.

Hoje, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a resolução que condena a invasão russa e pede a retirada imediata da Rússia do território ucraniano. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg e afirmou que os aliados da Otan "providenciaram suporte significativo para a Ucrânia", e que o grupo segue apoiando o governo local.

“A situação que se tem hoje é muito complexa e o mercado talvez esteja sendo um pouco negligente. O conflito é sério e pode se tornar ainda mais sério. Há muito otimismo quanto à chance de uma conversa sobre cessar-fogo. Mesmo as sanções anunciadas, especialmente a exclusão de bancos russos do Swift, têm algum grau de dificuldade na implementação - fala-se em até 10 dias para que seja operacionalizada. Há impressão de que Putin já desejaria um cessar-fogo por não aguentar a asfixia financeira. Mas ele não parece ter atingido seus objetivos, ainda”, diz Rodrigo Natali, diretor de estratégia da Inversa

As consequências da guerra também já afetam vários países. Nesta tarde, o presidente do Federal Reserve (Fed, o presidente do banco central americano), Jerome Powell, disse que "vai elevar o juro com cuidado, para não gerar incertezas", reforçando a percepção do mercado de que um aumento de 0,50 ponto porcentual está agora fora de cogitação. 

Por aqui, a interrupção do fluxo de exportação de fertilizantes russos ao Brasil, assim como para a grande maioria de outros países do mundo, é uma "questão de tempo", avalia a consultoria StoneX. Já a ministra da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, destacou o comportamento volátil das commodities agrícolas. "Se o (preço do) pãozinho vai subir? Hoje o preço do trigo disparou. Não é o mais alto dos últimos anos, mas o valor foi às alturas. A soja também já subiu e agora está caindo, o milho também...", analisou durante entrevista à CNN Brasil.

Segundo Luciano Costa, economista-chefe da Kilima Asset, a pressão sobre commodities como o petróleo e o minério beneficiam a B3, mantendo o interesse e o fluxo estrangeiro. Em relatório, a XP destacou que os "setores financeiro e (de) commodities respondem por 80% dos lucros do Ibovespa em 2022, e, atualmente, têm um peso de 62% dentro do índice”. 

A forte alta do petróleo, cujos contratos atingiram os maiores valores em mais de dez anos, deu apoio para o setor - Petrobras ON e PN subiram 3,19% e 2,06%, enquanto PetroRio avançou 9,73% e 3R Petroleum, 12,93%. Também na onda de valorização das commodities, Vale avançou 7,99% e CSN, 8,09%. No ano, o Ibovespa sobe 9,87%.

Câmbio

A onda de recuperação de ativos de risco no exterior e a valorização expressiva dos preços das commodities abriram espaço para uma nova rodada de apreciação do real. Na máxima de hoje, a moeda atingiu R$ 5,2236 de manhã, ganho de 1,32%, mas logo passou a cair a R$ 5,10. A moeda já acumula desvalorização de 8,40% em 2022.

No exterior, o índice DXY,  que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes, cedeu 0,10%. Já o rublo russo que havia amargado queda de mais de 30%, liderou os ganhos entre emergentes, com alta de mais de 6% ante o dólar.

"Parece que o mercado devolveu a alta do dólar que vimos na sexta-feira, quando investidores se protegeram antes do feriado. Apesar do ambiente muito incerto, estamos vendo um aumento recente das commodities, que pode estar favorecendo um pouco o fluxo via exportadores para o Brasil", diz a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, salientando que é cedo para apostar uma tendência maior de queda do dólar, já que o ambiente ainda é de muita incerteza.

Para o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, os mercados de risco apresentam uma recuperação pontual, após dois dias seguidos de queda, movimento que acaba se refletindo nos ativos domésticos, como o real. "Powell sacramentou um aumento moderado de 0,25 ponto nos juros, que devem continuar subindo depois de forma gradual", diz Velho.

Velho observa, porém, que o mercado pode experimentar uma nova rodada de deterioração, já que a guerra trará como grande efeito colateral a alta global da inflação, em sintonia, provavelmente, com perda de dinamismo da atividade. Os preços das commodities, tanto agrícolas como energéticas, devem seguir em rota ascendente, por conta do choque de oferta. "Ao mesmo tempo em que as commodities em alta favorecem o real e parece continuar o fluxo de estrangeiro para o Brasil, o dólar pode voltar a subir com aversão ao risco e essas pressões sobre a economia global". /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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Guerra na Ucrânia: Bolsas da Ásia fecham em baixa; Europa tem dia de recuperação

Apetite por risco ganhou força no mercado europeu, diante dos relatos de uma nova rodada de negociações entre russos e ucranianos por um cessar-fogo

Sergio Caldas e Ilana Cardial, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 07h50
Atualizado 02 de março de 2022 | 19h47

Os mercados de Ásia e Europa ficaram sem sinal único nesta quarta-feira, 2, com o primeiro fechando em queda, enquanto as Bolsas europeias subiram. Os desdobramentos em torno da guerra entre Rússia e Ucrânia seguiu no radar dos investidores, que ainda esperam por uma saída diplomática. 

Os ativos no Velho Continente iniciaram o movimento de recuperação em meio a expectativas de um novo diálogo entre ambos os países. Autoridades russas esperam que haja uma nova reunião com os pares ucranianos ao fim desta semana em Belarus, segundo fontes à Interfax

Investidores também esperam que as sanções impostas à Rússia ajudem a dar um fim para o conflito no Leste Europeu, com a economia russa sendo estrangulada pelo Ocidente. Segundo informações, reguladores estão se preparando para um possível fechamento do braço europeu do segundo maior banco da Rússia, o VTB Bank. Já o maior banco da Rússia, o Sberbank, está saindo de quase todos os mercados europeus, devido a grandes retiradas de recursos. Os líderes dos principais países já falam em uma nova rodada de sanções, ainda mais duras.

Tentando lidar com o tema, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um decreto para proibir que se retire mais de US$ 10 mil em moeda estrangeira em espécie ou "instrumentos monetários" do país. Já o Banco Central da Rússia decidiu cortar o depósito compulsório dos bancos do país, a fim de ajudar seus balanços no momento em que o país enfrenta sanções.

A China, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, reitera que o gigante asiático se opõe a "todas as sanções unilaterais ilegais, e acredita que elas nunca são meio fundamentalmente efetivos de se resolver problemas". Ainda hoje, com 141 países a favor, 5 contra e 35 abstenções, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que condena a invasão e pede a saída das tropas russas do território ucraniano. A China esteve entre as abstenções. O Brasil votou a favor.

Diante desse cenário, a Bolsa de Tóquio caiu 1,68%, enquanto Hong Kong recuou 1,84%, e Taiwan registrou modesta perda de 0,17%. Na China continental, os mercados também ficaram no vermelho, com o índice de Xangai em baixa de 0,13% e o de Shenzhen, de 0,56%. Exceção, a Bolsa de Seul avançou 0,16% e a de Sydney, 0,28%.

O mercado europeu foi na contramão e subiu. O índice Stoxx 600, que concentra boa parte das empresas da Europa, subiu 0,90%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 1,36%, a de Paris, 1,59% e a de Frankfurt, 0,69%. Em Lisboa, os ganhos foram de 0,34%, em Madri, de 1,62% e em Milão, de 0,70%. A alta de mais de 7% do petróleo, que rompeu a barreira dos US$ 110, maior valor em mais de dez anos, favoreceu as petroleiras da Europa, com Shell subindo 4,95% e a BP, 4,84%. 

Inflação

Hoje, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro, um dos principais indicadores da inflação, atingiu o nível recorde de 5,8% em fevereiro, na base anual. O resultado superou as expectativas do mercado. A Capital Economics acredita ser "bastante provável" que a inflação na região suba a mais de 6% nsos próximos meses e termine o ano em torno de 4%, bastante abaixo da meta de 2% do BCE. 

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, disse hoje que a guerra entre Rússia e Ucrânia deverá ajudar a impulsionar a inflação e a reduzir o ritmo de crescimento da zona do euro nas próximas semanas. Já o dirigente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Jon Cunliffe, afirmou que ainda não é claro o impacto do conflito para o cenário econômico.

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