10% da população urbana com mais de 18 anos está desempregada, diz Ipea

Levantamento ainda mostra que as mulheres são maioria entre aqueles que nunca procuraram emprego

Célia Froufe, da Agência Estado,

16 de fevereiro de 2011 | 10h54

Cerca de 10% da população brasileira economicamente ativa que vive nas áreas urbanas e tem mais de 18 anos está desempregada, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 16, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Assim como as demais pesquisas que tratam de trabalho no País, o Ipea considerou como desempregadas as pessoas que declararam não ter exercido qualquer atividade remunerada, mas também ter procurado emprego na semana de referência da pesquisa.

Já os ocupados foram definidos como aqueles que declararam ter exercido atividade remunerada na semana anterior à entrevista, ou estado temporariamente afastados da mesma. Foram classificadas ainda como inativas as pessoas que declararam ter trabalhado apenas realizando atividades não remuneradas no próprio domicílio (afazeres domésticos, tarefas em cultivo, pesca ou criação de animais destinados à própria alimentação, ou construção destinada ao próprio uso dos moradores) ou não ter trabalhado nem procurado trabalho na semana de referência.

Este trabalho do Ipea faz parte do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), que é voltado para que o Estado e a sociedade façam concepção, implementação e avaliação de políticas e estratégias. O levantamento foi realizado ao longo do segundo semestre do ano passado com questionamentos a 2,773 mil pessoas de todas as unidades da federação.

Inativos

Do total de pessoas inativas consultadas, 29% do total, o Instituto detectou que pelo menos 31,3% deles nunca procuraram emprego, com 88% deste grupo sendo composto por mulheres. "Pode-se dizer que isso é esperado, uma vez que elas ainda costumam participar menos do mercado de trabalho que os homens. Ainda assim, o fato de a proporção de mulheres que nunca procuraram trabalho aumentar com a idade é sintoma de que a atual geração participa mais do mercado de trabalho do que as gerações anteriores", explicaram os técnicos do instituto no documento distribuído à imprensa.

Além disso, segundo o relatório, as mulheres, em média, estão há mais tempo na inatividade que os homens. Para o técnico do Ipea, que apresenta a pesquisa neste momento, Bruno Marcus Amorim, os dados relativos à mulheres mostram mais um sintoma da mudança no mercado de trabalho, com aumento progressivo da entrada de mulheres nas últimas décadas. De forma geral, as mulheres têm tempo de inatividade maior do que os homens.

Já entre os homens, ocorre o inverso em relação à idade. Isto é, quase todas as pessoas que nunca procuraram emprego estão entre os mais jovens. "A hipótese mais comum para explicar tal fenômeno é que os homens mais jovens estariam se dedicando mais aos estudos."

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