10% do combustível vendido no Brasil é adulterado

O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis, Luiz Gil Siuffo Pereira, disse, nesta quinta-feira, que cerca de 10% da gasolina comercializada no Brasil é adulterada e acusou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de ser "ineficiente" no combate à escalada criminosa. De acordo com o empresário, os golpes contra o consumidor evoluem desde 1995 devido à revogação da prerrogativa do Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) de autorizar a entrada de solventes no País. "Na época, advertimos a diretoria do DNC, pois aquele ato era a senha que faltava para a marginalidade misturar solventes à gasolina", afirma o presidente da Fecombustíveis. Em nota à imprensa, Pereira critica a "mal conduzida abertura no mercado de distribuição de combustíveis" e a "ineficiência" da ANP, que sucedeu a DNC. "Avaliávamos que a abertura econômica é sempre positiva, mas ela se assemelha à abertura de uma janela. Entram oxigênio e pó, e a limpeza do pó deve ser imediata", diz o empresário. Segundo Pereira, a máfia da adulteração de combustíveis está associada a outra corrente da marginalidade no setor - aquele que sonega impostos. "Ao invés de combater o bandido, os Estados resolveram punir os consumidores, aumentando a tributação", reclama o presidente da federação. Ele também acusa o Ministério da Fazenda e a ANP de "conivência e conveniências", de "alimentar o descaminho" ao exaltar preços baixos e acusar de abuso quem pratica preços justos. "Não se pode admitir que a ANP divulgue como preço bom para o consumidor aquele que se situa abaixo do preço de compra pelos postos", afirma Pereira, reagindo indiretamente às investigações sobre cartel no setor. O presidente da Fecombustíveis repudiou ainda o "covarde assassinato" do promotor de Justiça José Lins do Rego Santos, de Minas Gerais, que investigava a adulteração de gasolina e foi morto, supostamente a mando de um proprietário de posto de Belo Horizonte.

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