13º tem impacto pequeno nas vendas à vista

Apesar da expectativa do varejo, alta no movimento até agora foi de apenas 0,3%

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

21 de dezembro de 2011 | 23h00

 

SÃO PAULO - A segunda parcela do 13º salário, recebida na última terça-feira pelos trabalhadores, provocou uma pequena reação nas vendas à vista do comércio varejista. Temendo o encalhe de produtos, as lojas online já começaram a programar as liquidações pela internet após o Natal. Os descontos são de até 70%.

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indicam que até o dia 20, o número de consultas para compras pagas com cheque à vista ou pré-datado cresceu 0,3% na comparação com o mesmo período de 2010. Em relação à primeira quinzena do mês, que havia sido de estagnação, houve um acréscimo de 0,3 ponto porcentual.

"Sentimos alguma melhora na terça-feira. Como nossas lojas têm caixas eletrônicos de banco, vimos muitos consumidores sacando dinheiro para ir às compras", conta o diretor de Operações de Varejo das redes Extra e Pão de Açúcar, em São Paulo e no Paraná, Geraldo Monteiro.

Sem revelar números, o executivo diz que não vê sinais de desaquecimento e acredita que as metas de vendas serão superadas. De toda forma, a varejista decidiu dar um "empurrãozinho" nas vendas. Desde ontem, todos os hipermercados Extra em São Paulo vão funcionar 24 horas até o dia 23. Também a rede está oferecendo crédito em dobro para os clientes que têm o cartão Extra irem às compras.

Números da ACSP mostram que a procura por crediário está moderada e até teve uma desaceleração na taxa de crescimento, depois do pagamento da segunda parcela do 13º salário. Na primeira quinzena deste mês, as consultas para aprovação das vendas a prazo cresciam 1,9% na comparação com igual período do ano passado. O mesmo dado aferido até o dia 20 mostra uma alta menor, de 1,7% na comparação anual.

"Quem recebeu a segunda parcela do 13º está mais cauteloso, optando pelo pagamento à vista, com cheque ou dinheiro, e até está pedindo desconto", diz o economista da ACSP, com base em relatos feitos por lojistas.

A opção pelo pagamento à vista é respaldada por uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, realizada com 1.120 consumidores da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo a enquete, 50,3% dos entrevistados pretendem comprar artigos de vestuário, seguidos por brinquedos (22,8%).

Já os bens de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, responderam por 2,4% das intenções de compra. O gasto médio com cada presente será de R$ 52, ante R$ 51 em 2010. O assessor econômico da Fecomércio-SP, Altamiro Carvalho, observa que, ser for considerada a inflação do período, o gasto médio será menor. Mas ele pondera que a manutenção do emprego e da renda devem garantir um bom Natal, apesar da mudança do cenário internacional.

Liquidação. Os lojista do varejo tradicional evitam falar em liquidação para não estragar as vendas do Natal. Mas os sites de comércio eletrônico começaram a se preparar para as liquidações porque o Natal já passou para eles, que não terão tempo hábil para entregar as mercadorias até o dia 25 de dezembro.

O Busca Descontos, o mesmo portal que organizou a Black Friday três semanas atrás no Brasil, está coordenando uma grande liquidação para o dia 26 de dezembro. Comum na Europa e nos Estados Unidos, onde foi batizado de Boxing Day, cerca de 30 sites de comércio eletrônico, confirmados até agora, vão liquidar perto de 3 mil itens. Os descontos são de até 70% sobre o preço de etiqueta. É a primeira vez que uma megaliquidação virtual ocorre no País.

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