2º trimestre fraco levou banco a revisar alta do PIB para 1,5%

Projeção do Credit Suisse irritou os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h06

O relatório do banco Credit Suisse que rebaixou de 2% para 1,5% a projeção de crescimento para o Brasil em 2012 afirma que o novo número decorre, principalmente, de dois fatores: expansão mais fraca do que o esperado no segundo trimestre e expectativa ruim para os investimentos no ano. O texto irritou os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

Este último chegou a dizer que a avaliação negativa é explicada pelo fato de o banco ser europeu. "Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente negativa por ser influenciada pelo clima de lá. A situação do mercado financeiro da Europa é muito ruim", afirmou Pimentel.

O relatório é assinado por cinco economistas brasileiros, liderados por Nilson Teixeira. Todos eles trabalham no Brasil. Ontem, Teixeira não estava disponível para entrevistas. No entanto, em uma entrevista concedida ao Estado em março, ele explicou por que o banco já estimava um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) inferior à média do mercado financeiro.

"A nossa leitura, desde o ano passado, é de que a economia passaria por uma desaceleração importante e teria uma retomada gradual. Mas o terceiro trimestre de 2011 foi ainda mais frágil do que imaginávamos e o quarto trimestre, idem", disse ele, na ocasião.

Teixeira argumentava que, para que a expansão chegasse ao nível que a média do mercado previa (ao redor dos 3%), o Brasil teria de crescer no segundo semestre em um ritmo fortíssimo, semelhante aos trimestres que antecederam a explosão da crise global, em setembro de 2008.

"Foi uma época em que havia estímulos muito fortes à economia - crédito e o próprio desempenho da economia global. Hoje, esses estímulos não estão presentes", observou.

No texto enviado a clientes esta semana, os economistas explicaram que a revisão para baixo da previsão decorreu da "redução da produção industrial em abril, da expectativa de nova contração da atividade industrial em maio e das projeções para os demais setores (da economia)".

Por isso, a projeção para a alta do PIB no segundo trimestre caiu de 0,8% para 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano. Essa revisão mudou a expectativa para o ano todo. No primeiro trimestre, o País cresceu 0,2%.

Dados correntes. Outro fator determinante, segundo os analistas, é o desempenho dos investimentos no ano. Para o Credit Suisse, os investimentos devem crescer apenas 0,3% em 2012 na comparação com 2011. No ano passado, a alta foi de 4,7%.

"Na comparação com os últimos dez anos, essa expansão dos investimentos seria superior, apenas, às contrações de 4,6% de 2003 e de 6,7% em 2009", afirmaram eles, no texto. "Grande parte da desaceleração da demanda doméstica de 3,4% em 2011 para nossa previsão de 1,7% em 2012 seria função da forte desaceleração dos investimentos em 2012."

Os economistas ressalvaram que todas as projeções, neste ano, "são extremamente sensíveis aos indicadores correntes". Em outras palavras: se os indicadores de atividade econômica surpreenderem para cima, as estimativa para o PIB do ano pode ser revista também para cima.

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