200 mil gregos fraudaram os cofres públicos

O governo grego revelou ontem que 200 mil gregos, principalmente famílias de aposentados, fraudaram os cofres do país por anos, reclamando benefícios em nomes de pessoas que até já estavam mortas e outras irregularidades. O Ministério do Trabalho grego informou que estava suspendendo esses benefícios sociais, depois de uma ampla investigação e que revelava o tamanho dos abusos no estado grego.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h10

A fraude atingia o equivalente a 2% da população grega, que vem sofrendo duros cortes de salários, aposentadorias e de postos de trabalho. A luta contra a fraude é uma das exigências da União Europeia (UE), que insiste que o estado grego precisa reformar sua forma de operar.

Outra fraude comum era a tentativa de muitos gregos de falsificar a própria renda, rebaixando seus salários, para poder ter benefícios sociais e ajuda em dinheiro. A iniciativa deve economizar em gastos públicos cerca de US$ 1 bilhão por ano.

Construído nos últimos 30 anos, o sistema de bem-estar social da Grécia era acusado de ser um dos principais responsáveis pela dívida acumulada pelo país. Para Bruxelas, o sistema garantia pagamentos acima das capacidades de arrecadação do estado grego.

Com os cortes, pensões já chegaram a ser reduzidas em 25% em dois anos. Nesse mesmo período, o número de suicídios duplicou. Há um mês, a morte de um aposentado no centro de Atenas, que dizia que se recusaria a buscar comida no lixo, comoveu o país.

Na terça-feira, o Banco Central grego admitiu que a recessão em 2012 será pior do que se imaginava, mesmo tendo aplicado o maior calote da história moderna, de 100 bilhões. Neste ano, a economia grega deve sofrer uma contração de 5% diante da queda no consumo doméstico agravado pelas políticas de austeridade.

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