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2010, um fim de ano bom

Podemos dizer que 2010 foi até um ano bom para a economia mundial. Melhor ainda para o Brasil. Há dúvidas e incertezas, riscos e ameaças no cenário internacional, mas a recessão foi superada em apenas 18 meses nos Estados Unidos e na Europa e em 6 meses no Brasil. Surgem até sinais de tímida recuperação, inconsistentes, sim, mas animadores.

Alberto Tamer, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

A Grande Depressão foi afastada por causa, principalmente, da ação coordenada, mesmo tardia, dos bancos centrais americano e europeu, uma ação que está faltando agora.

O Produto Interno Bruto (PIB) mundial deve ter crescido em torno de 4,5%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em forte contraste com menos 0,6% no ano passado.

Os economistas que não previram a recessão - meses antes, Ben Bernanke (o presidente do banco central dos EUA) dizia que a crise imobiliária estava sob controle - temem fazer previsões agora. Não ousam falar que o sistema financeiro foi totalmente sanado, permanecem atentos sem avançar em análises à crise do euro que ainda não foi superada, mas o FMI acredita que o PIB mundial deverá crescer em torno de 4,2% em 2011. Pode ser menos ou mais, mas poucos acreditam que a grande recessão possa voltar.

A grande dúvida é se a União Europeia seguirá os Estados Unidos com uma política fiscal expansionista. Tudo indica que manterá o seu conservadorismo, que está levando a economia da eurozona a crescer não mais de 1,5% com um desemprego de 10%, e aumentando.

Resta a China, que teme a inflação acima de 5% e adota medidas para conter a demanda interna. Pretende crescer menos de 9% no próximo ano, mas o governo chinês já afirmou isso antes.

Se com o fim do regime soviético, acabou a bipolaridade geopolítica mundial, com a recessão de 2008 e 2009 surgiu a bipolaridade econômica, que se acentuou ainda mais este ano. Os emergentes, China, Brasil e Índia, entre outros, e Estados Unidos, Japão e União Europeia. A questão é saber se esses países poderão continuar sustentando o crescimento mundial no próximo ano.

A ameaça da austeridade. Uma das análises mais sucintas e equilibradas do cenário que se projeta para o próximo ano foi feita pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz, no excelente número do Aliás, domingo passado. Em artigo intitulado "A vitória não está próxima", ele concorda com outro Nobel, Paul Krugman, ao afirmar que "a ameaça mais grave vem da onda de austeridade que invade o mundo" e a ansiedade se alguns países europeus poderão honrar as suas dívidas", criando instabilidade financeira e desaceleração econômica.

Stiglitz se distancia dos colegas mais ortodoxos ao defender, como Kurgman, "um programa de investimento de larga escala que estimularia o emprego no curto prazo, levando no fim a uma diminuição do endividamento nacional". A onda de austeridade, defendida pelos mercados financeiros e políticos conservadores que pressiona por uma redução dos gastos e investimentos é míope, como no passado.

Para Stiglitz e Krugman, EUA, Europa e Japão só terão crescimento acelerado se se voltarem para o mercado doméstico, como fizeram China, Índia e, não mencionam, Brasil.

Na mesma página do Aliás, há ótimo artigo de Gustavo Franco sobre o nosso flerte com a China e os caminhos da economia brasileira em 2011.

O que se esperar. Há mais incertezas do que segurança. De qualquer forma, a economia mundial encerra o ano melhor, muito melhor do que começou. O que já é muito.

Quanto à economia que a presidente recebe, vamos conversar sobre isso domingo. Estamos bem melhor que os outros, sem as tensões políticas da China, sem os desequilíbrios financeiros da Europa, a estagnação no Japão ou o desânimo nos EUA.

Há desafios, sim, mas nada que não possa ser superado com algum esforço, que já está sendo feito. Feliz fim de ano para vocês e suas famílias. Que sejam mais felizes em 2011.

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