'2012 será um ano de forte expansão'

Depois de um ano de briga entre sócios e desaceleração, Grupo Pão de Açúcar planeja abrir 400 lojas até 2014

Entrevista com

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h02

O presidente do Grupo Pão de Açúcar, Enéas Pestana, enfrentou inúmeros desafios em 2011: conduziu uma reestruturação nas lojas, viu um mercado consumidor mais fraco e esteve no meio dos desentendimentos entre os sócios da companhia - os empresários Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri (presidente do Casino) - pela discordância sobre uma proposta de fusão com o Carrefour. Para 2012, Pestana acredita na retomada das vendas e do processo de expansão de lojas. Além disso, a partir de junho, o Casino poderá adquirir, conforme contrato firmado em 2006, o controle do Pão de Açúcar. Porém, "não há nada que indique uma mudança na gestão", diz Pestana. A seguir, trechos da entrevista concedida à Agência Estado.

O varejo sentiu este ano os efeitos da queda da atividade econômica. Que postura o Pão de Açúcar tomou diante desse cenário?

Ao contrário de 2010, quando o mercado estava aquecido, percebemos logo no começo deste ano uma maior pressão inflacionária. Este ano não foi ruim, mas a venda ficou um pouco mais difícil. Dessa forma, aproveitamos para fazer as revisões dos nossos formatos. Identificamos, por meio de pesquisas com consumidores, que precisávamos agregar mais conveniência e praticidade às lojas, incluindo uma área maior de padaria, açougue e perecíveis. Fizemos essas reestruturações, não por uma questão de crise, mas para poder acelerar a expansão em 2012.

Como estão as expectativas para as vendas de 2012?

Estamos otimistas com 2012. Temos um importante reajuste de 14% do salário mínimo. Mas não é só isso, temos uma excelente safra por vir, uma taxa de juros (Selic) que deve ficar entre 9,5% e 10%, contra uma média de 11,6% deste ano. Uma situação de pleno emprego, com desemprego baixíssimo, e um mercado interno robusto. Nós temos todas as condições para ter um 2012 muito bom. Um ano que começa sem pressão inflacionária. Além disso, temos uma indicação muito clara do governo de manter o mercado consumidor forte e aquecido.

Há sinalização do governo de novas medidas de estímulo ao consumo?

A redução do IPI à linha branca surtiu efeito sobre as vendas de dezembro, mas não como ocorreu em 2009 (quando a mesma iniciativa foi adotada). Acredito que o governo possa adotar novas medidas, não sei se fará, mas me pareceu que está disposto. O ministro (Guido) Mantega expôs claramente (em recente encontro com empresários do varejo) a preocupação de que a crise europeia não afete o consumo brasileiro.

Quais são os planos de expansão da companhia?

Estamos finalizando nosso planejamento para 2012, que será de aceleração. Uma vez que encerramos a reformulação de nossos formatos este ano. Não podemos entrar numa crise de desconfiança. Os empresários tem que olhar para os fundamentos (macroeconômicos) e acreditar no Brasil, fazendo de 2012 um ano muito bom, não só para o varejo como para o País.

A ideia, então, é acelerar o ritmo de abertura de lojas?

Temos um planejamento estratégico de abrir 400 novas lojas entre 2012 e 2014. O ano que vem será de forte expansão em todos os formatos, concentrados nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Mas também há oportunidades em São Paulo e Rio de Janeiro. Acreditamos que seja possível investir valores superiores ao deste ano, que devem ficar em R$ 1 bilhão.

Em 2012, o Cade deve julgar a compra do Ponto Frio e a associação com a Casas Bahia. Qual é a expectativa?

Esperamos que o julgamento ocorra no início de 2012. Acho possível. Enquanto isso, temos seguido fielmente o que determinou o Apro (Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação). Avançamos no que foi possível na integração, em busca das sinergias e melhores preços (dos produtos).

Que reflexos o acirramento da crise externa pode trazer à empresa?

O maior problema é a possibilidade de que esses efeitos afetem a confiança. O varejo não deve ser afetado, a menos que impacte os investimentos e a geração de empregos, como já ocorreu em outras oportunidades. Os empresários precisam acreditar no País e não reduzir os investimentos, expandindo e gerando empregos.

A partir de junho de 2012, o Grupo Casino poderá exercer o poder de compra de uma ação de controle e assumir comando do Pão de Açúcar. O que muda?

Não há nada que indique uma mudança na gestão, que é profissional, tem conselheiros independentes e uma forte governança corporativa. Tudo isso forma um modelo de gestão que, eu diria, vai continuar.

Em junho, uma proposta de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour gerou desentendimentos entre os controladores. Isso afetou a operação?

Foi uma discussão entre os sócios. O meu papel foi manter o grupo focado no crescimento, na rentabilidade e nos resultados. Assuntos que não são poucos, ou triviais. A companhia não teve qualquer abalo.

Há alguma nova aquisição nos planos do Pão de Açúcar?

Todas as possibilidades (de aquisição) estão sendo visualizadas, mas precisam ser em segmentos nos quais já atuamos, apresentar perspectivas de crescimento futuro e bom preço. / COLABOROU TERESA NAVARRO

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