2015 melhor, espera o varejo paulista

Embora o próximo ano seja visto com "certo pessimismo", a Fecomercio-SP espera que 2015 seja melhor do que 2014 para o comércio varejista. Em 2014, a entidade estimam faturamento de R$ 528,3 bilhões, queda real de 1,6% em relação a 2013. Para 2015 a projeção é de avanço real de 1,2%,no Estado, com faturamento de R$ 534,9 bilhões.

O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2014 | 02h02

Mas não será um crescimento por igual. A previsão é de retração de 1,1% das vendas no varejo no Município de São Paulo e de 0,8% em Campinas. Nessas áreas de alta concentração demográfica e diversificação, a desaceleração de 2014 vai prosseguir por algum tempo. A recuperação dependerá do interior, com destaque para Osasco e Ribeirão Preto, com alta real de vendas de 4% a 6%.

Em 2014, os grandes polos populacionais perderam peso relativo. Entre as 16 regiões analisadas, em nove houve decréscimo real de vendas. O pior desempenho foi no ABCD (-8,2%), devido à queda real de vendas de veículos pelas concessionárias (-16,4%). A capital também foi afetada e registrou retração de 3,8%. Destaque positivo coube a Taubaté e Jundiaí.

A inflação e as incertezas econômicas minaram a confiança dos consumidores. O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), calculado pela FGV, subiu 6,64% em 12 meses, até dezembro. A inflação oficial (IPCA) ficará próxima de 6,5%.

A redução dos salários e a alta de preços afetou a demanda. Parcela maior da renda dos consumidores foi absorvida pela compra de bens essenciais, como alimentos e remédios. É o que mostra o aumento das vendas em supermercados (6,4%) e farmácias e drogarias (8%).

Além da inflação, o varejo paulista ressentiu-se de severa retração do crédito e maior seletividade de clientes pelos bancos, afetando a venda de bens duráveis de consumo, caso de eletrodomésticos e veículos. Mas outros fatores influíram, como o menor número de dias úteis, dados a realização da Copa do Mundo e o receio de manifestações nos grandes centros.

Para 2015 não se espera uma queda expressiva da inflação. Mesmo com a pressão dos preços, a condição para a retomada dos negócios é a volta da confiança. E esta vai depender dos ajustes na economia.

Em resumo, é o retorno da confiança que permitirá recompor, ainda que em parte, a decisão de consumir das famílias, resultando em algum aumento de vendas. É o que explica os prognósticos melhores.

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