Amauri Nehn|Pagos
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2017 será um ano difícil para economias emergentes, diz consultoria

Segundo a consultoria europeia Capital Economics, a situação dos países produtores de commodities vai piorar, com a expectativa de fraca recuperação dos preços desses produtos

Célia Froufe, correspondente, Broadcast

13 de dezembro de 2016 | 12h39

LONDRES - Dificilmente os países emergentes mostrarão uma forte recuperação de suas economias no ano que vem, na avaliação da equipe de economistas da Capital Economics, uma consultoria europeia de pesquisas macroeconômicas, com base em Londres. Apesar de acreditarem que a China atingirá seu pico de crescimento mais cedo do que a maioria dos analistas, eles afirmaram hoje durante teleconferência que o país passará, na sequência, por um processo de desaceleração.

Os profissionais destacaram que a situação dos produtores de commodities, as principais fontes de riqueza dos emergentes, vai piorar, com a expectativa de que a recuperação dos preços será fraca. "Há muitas condições para a formação dos preços das commodities no ano que vem", ressaltou um dos economistas da consultoria durante a teleconferência.

Já o mercado acionário nesses países, de acordo com a apresentação, pode ser uma alternativa de lucros para investidores, com a previsão de ganhos futuros. A Capital Economics acredita que, apesar dos impactos que as eleições presidenciais dos Estados Unidos tiveram para algumas economias emergentes - em especial, o México -, não será necessariamente a atuação do republicano Donald Trump que determinará o crescimento desses países no ano que vem.

Entre todos os emergentes analisados durante a apresentação pela manhã, a China foi, mais uma vez, o país que recebeu mais destaque. Os economistas da consultoria salientaram, por exemplo, que o crescimento do país no primeiro trimestre do ano foi melhor do que o previsto e que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) local deve continuar elevado no ano que vem, em 5%. "Não deve crescer muito menos do que isso", avaliou um dos economistas que participaram da teleconferência.

Os investidores terão que se preparar, em seguida, de acordo com os profissionais da consultoria, para uma desaceleração econômica chinesa. Eles lembram que o país também anunciou recentemente que agora é uma economia de mercado e que, portanto, poderá vir a competir com outros países produtores de forma mais equivalente. "Olhando no mundo, não tem quem vá crescer como a China", salientou um dos profissionais. Os formuladores de política econômica do país não têm muito o que fazer, de acordo com os profissionais, a não ser esperar pela desaceleração.

Brasil Sobre o Brasil, a Capital Economics destacou que provavelmente a recessão econômica será maior do que se esperava. A instituição considerou em sua análise uma queda superior de 3% do PIB este ano e uma retomada próxima a 1% em 2017. "O Brasil está tendo tempos difíceis", comentou um dos economistas durante a teleconferência, sem se aprofundar muito sobre o tema ou a questões políticas.

A Rússia, que também passa por um período de recessão, foi citada algumas vezes durante a apresentação. O ponto mais comentado foi sobre a adesão russa à estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de cortar a produção para tentar estancar a baixa dos preços. Fora do cartel, o país deve apresentar a maior redução da oferta, de cerca de 300 mil barris por dia, de acordo com estimativas apresentadas pelo mercado nos últimos dias. Há expectativa de que os preços subam, o que pode ajudar a economia russa.

Tanto na Rússia quanto no Brasil, os economistas preveem uma pequena depreciação das moedas (rublo e real, respectivamente). "As moedas, em alguns mercados emergentes, terão uma alta volatilidade, como o Brasil e a Rússia", previu um dos economistas da casa.

Ainda sobre esses dois países, a previsão apresentada hoje pela Capital Economics é a de que serão as duas economias a apresentarem as maiores quedas de juros básicos no ano que vem. Para a Rússia, a expectativa é de um corte de 250 pontos-base (pb) e, no Brasil, de 225 pb. Para a China, a projeção é de queda de 50 pb. Já no caso de Turquia, México e Egito, a consultoria aposta em elevações dos juros.

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