Clayton de Souza/ Estadão
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2020 começa com mais confiança

Este ano pode surpreender, com cenário externo menos conturbado e índices econômicos do País apontando para uma recuperação

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2020 | 19h00

Desta vez, há um certo otimismo no ar, mas nem tanto quanto o que aconteceu nas viradas de ano anteriores. Talvez por essa maior dose inicial de cautela, o ano de 2020 possa surpreender.

Convém começar pelo panorama externo, como acontece na maioria das avaliações gerais. A principal de todas as grandes incertezas globais até aqui foi produzida pela intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que ameaçava atirar o sistema produtivo mundial na recessão e em novo crash do mercado de capitais. Agora que parece atingido o Acordo Fase Um, cujo objetivo principal foi impedir a escalada dos conflitos, parte dessas incertezas começa a se desvanecer. Ainda há pendências à procura de solução nessa monumental queda de braço pela hegemonia mundial. Há, por exemplo, a questão da tecnologia de ponta – que inclui o uso intensivo da robótica, de inteligência artificial e biotecnologia – e questões de segurança nacional ligadas à criação de uma moeda digital global.

De qualquer maneira, ao longo de 2020 parece agora reduzido o risco de acirramento dessa guerra, pela principal razão de que se trata de um ano em que serão realizadas eleições presidenciais nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump estará engajado na campanha pela sua recondução à Casa Branca e, para isso – espera-se –, não deverá criar flancos externos que possam enfraquecê-lo. 

Para o Brasil, do ponto de vista econômico, o ano começa em melhores condições do que começara 2019. Há mais tração no consumo e no setor produtivo, como se viu nas últimas semanas, fator que concorre para projetar avanço do PIB em 2020 da ordem de 3,0%. Também no início de 2019, a expectativa foi de crescimento dessa ordem que, no entanto, deverá ficar reduzido a pouco mais de um terço. Mas, desta vez, as condições gerais são melhores.

Como demonstram a derrubada do índice de risco dos títulos brasileiros no exterior e a cavalgada da Bolsa, a confiança aumentou, a despeito das barbeiragens do presidente Bolsonaro e de seu trio 01, 02 e 03 nas áreas da educação, segurança e defesa do meio ambiente. A reforma da Previdência foi aprovada e a reforma do sistema tributário parece encaminhada. As contas públicas, principal ponto fraco da economia brasileira, perfizeram em 2019 comportamento melhor do que o esperado e sugerem mais controle das despesas pelo governo federal. Estados e municípios continuam mal, mas há, pelo menos, mais consciência de que é preciso mais austeridade, como as reformas dos sistemas estaduais de previdência vêm apontando. 

O desemprego atingia ao final de novembro 11,9 milhões de brasileiros e outros 4,7 milhões nem aparecem nas estatísticas porque estão prostrados no desalento e nem procuram emprego. É um cenário que não deve mudar substancialmente, ainda que o mercado de trabalho venha a proporcionar mais opções nas atividades por conta própria. A informalidade e a subutilização deverão aumentar. Não é o melhor dos mundos, já que nada mais garantirá situação de excelência no mercado de trabalho. Mas é pelo menos um campo de acomodação.

Os especialistas projetam para 2020 uma inflação de 3,6%, como aponta a pesquisa Focus, do Banco Central. Pode ser algo mais do que isso. De todo modo, custo de vida sob controle e a níveis historicamente baixos é o fator que mais preserva o poder aquisitivo do trabalhador, que há alguns anos vinha sendo tão esmerilhado pela escalada dos preços.

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