Werther Santana/Estadão
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‘2020 foi o ano em que a gente registrou maior captação’

A Yunus, fundada pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, registrou alta de 30% na demanda no País e prepara o lançamento de um novo fundo.

Entrevista com

Luciano Gurgel do Amaral, diretor de investimentos da Yunus Negócios Sociais do Brasil

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 05h00

A pressão para que empresas sejam sustentáveis cresceu no último ano e, com isso, a demanda para se investir em fundos que aportam nessas companhias. A Yunus Negócios Sociais, fundada pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, registrou alta de 30% na demanda em 2020 no País e prepara o lançamento de um novo fundo. A seguir, trechos de entrevista com o diretor de investimentos, Luciano Gurgel do Amaral.

Na pandemia, a sociedade passou a cobrar maior responsabilidade corporativa em relação a aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Isso resultou em maiores investimentos em fundos ESG?

Sim. 2020 foi o ano em que a gente teve maior captação no nosso fundo. A demanda aumentou em 30% na comparação com a média dos últimos anos. Inclusive, por isso, temos planos de lançar um fundo novo. Nosso fundo hoje tem pouco mais de R$ 10 milhões investidos, já teve impacto em 1,1 milhão de pessoas, permitiu a plantação de três milhões de mudas de espécies nativas e gerou 1,5 mil empregos. É um fundo de alto impacto, e investidores estão percebendo que ele é um bom modo de otimizar filantropia.

Quando esse novo fundo será lançado e quanto vocês querem levantar?

No fim do primeiro semestre ou no início do segundo. Queremos chegar a R$ 50 milhões em novos negócios em 24 meses.

Todo o setor está avançando nessa velocidade?

Temos visto o investimento tradicional, que não são fundos 100% focados em ESG. Se uma mineradora decide lançar um bond e, com esse recurso, trocar sua frota para uma cujo combustível seja o etanol, isso poderia ser enquadrado como ESG. É legal. Não há nada errado. Mas tem outras operações que olham não só o destino do recurso, mas o contexto da empresa emitindo a dívida. Nós advogamos que haja uma régua (separando fundos que focam 100% em ESG). Nosso fundo investe em empresas que nascem para causar uma mudança na sociedade, não investe em uma mudança numa lateralidade das empresas. Esse campo de negócios sociais está crescendo e precisa ser nutrido.

Como é a rentabilidade de um fundo como esse de vocês?

A rentabilidade é a preservação do capital. O investidor recebe o dinheiro de volta corrigido pela inflação. Nosso retorno é uma composição de rentabilidade de mercado, financeira, e impacto social. Estamos mostrando ao investidor que, via esse fundo, a filantropia pode ser otimizada e maximizada. 

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