22 anos ''no ar''

A coluna de seguros está completando 22 anos de estrada. O primeiro artigo foi publicado no Estado em agosto de 1987. Até agosto de 1989, os textos foram publicados num caderno do jornal que circulava na Grande São Paulo.A partir desta data a coluna passou a ser publicada na "Opinião Econômica", do jornal A Folha de S. Paulo, onde ficou até maio de 2001, quando retornou para o Estado, para ser publicada no Caderno de Economia, às segundas-feiras. Por causa dela, a partir de outubro de1989, passei a redigir e apresentar, diariamente, o "Boletim de Seguros", dentro dos jornais da Rádio Eldorado. Tanto a coluna como o boletim, desde o início, se pautaram pela ideia de levar ao conhecimento do público em geral uma atividade que é, nos países desenvolvidos, a mais eficiente ferramenta de proteção social já desenvolvida pelo homem.No Brasil, infelizmente, ainda hoje grande parte da população não sabe o que é seguro, nem para que serve, e muito menos como funciona. Pior ainda, boa parte dos brasileiros não tem qualquer tipo de apólice, enfrentando as adversidades da vida com a cara e a coragem, o que, invariavelmente, os leva de volta à miséria, depois de serem atingidos por eventos que lhes destroem a capacidade de atuação ou consomem o pouco capital acumulado, inviabilizando qualquer reinvestimento para eventual recuperação de um pequeno negócio.É verdade que nos últimos 20 anos a atividade seguradora mudou de patamar. De uma participação de menos de 1% no PIB, atualmente, ela evoluiu para mais de 3%. O que é muita coisa, se levarmos em conta o tempo decorrido, o desconhecimento da atividade pela sociedade e a nossa baixa capacidade de investimento individual.Ao longo destes anos, o brasileiro de classe média se acostumou a fazer o seguro de seu carro zero quilômetro, a ter seu plano de saúde privado, a investir em previdência privada aberta. Mas ainda falta muito para atingirmos os patamares das nações latinas mais desenvolvidas. Nelas, o faturamento da atividade representa algo próximo a 6% do PIB. Ou seja, temos espaço para dobrar o tamanho do mercado, o que também pode ser visto de forma positiva, pelas oportunidades profissionais envolvidas.Hoje, no Brasil, 18 milhões de residências seguráveis, dentro dos parâmetros médios do mercado, não são seguradas contra incêndio. Os danos dramáticos causados pelas enchentes em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e no Nordeste praticamente não geraram indenizações das seguradoras. Os eventos de origem climática e as pragas agravam o custo do agronegócio nacional, sem que ainda existam produtos abrangentes para proteger uma das principais atividades econômicas do País. As classes menos favorecidas não contam com coberturas desenhadas para elas, exceto quando oferecidas pelas empresas empregadoras. E por aí vamos, muito pouco protegidos e cada vez mais ameaçados por eventos de causas naturais e humanas, que se abatem sobre a nação com violência crescente.A coluna de seguros continua se pautando pela proposta que lhe deu origem. Ou seja, tem como missão principal mostrar as vantagens da contratação de apólices de seguro como ferramentas aptas a proteger a vida e a capacidade de atuação de pessoas e empresas.Ela não tem lado. Não defende seguradora, nem segurado. Ela defende o instituto do seguro e a sua correta utilização, dentro de parâmetros éticos e profissionais claros, baseados na boa-fé das partes.Dentro deste espírito, continuará a difundir e a explicar os pressupostos que embasam a atividade, disseminando seus princípios fundamentais, tais como proteção social, geração de riqueza, acumulação de poupança, mutualismo, desenvolvimento individual, solidariedade e repartição dos prejuízos. Além disso, faz parte de seu foco descomplicar o setor, mostrando de forma simples o seu funcionamento, as particularidades das apólices e os principais ramos de seguros. Com a ajuda dos leitores, chegaremos lá.*Antonio Penteado Mendonça é advogado e consultor, professor do Curso de Especialização em Seguros da FIA/FEA-USP e comentarista da Rádio Eldorado. E-mail: advocacia@penteadomendonca.com.br

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