Coluna

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30 anos fora de linha, e sem sucessor

Para os donos de Fusca, nenhum outro carro tem o mesmo carisma

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

Três décadas após o anúncio do fim de sua produção na Alemanha, onde nasceu como ''''carro do povo'''', o Fusca resiste em vários países, especialmente no Brasil, onde se tornou ícone da indústria automobilística. O modelo ainda movimenta várias fábricas de autopeças, está entre os mais valorizados no mercado de usados e continua sem sucessor. O Uno Mille, da Fiat, tenta ocupar esse espaço, mas não tem o carisma que os consumidores vêem no tradicional besouro, como é conhecido.A Volks comunicou ao mundo que o Fusca sairia de linha em agosto de 1977, mas a produção parou efetivamente na Alemanha em janeiro do ano seguinte. Oito anos depois, foi suspensa a produção no Brasil - retomada depois por mais três anos - e, em 2003, foi a vez de o México se despedir do modelo.Em sua longa trajetória, foram produzidos 21,5 milhões de Fuscas, espalhados por cerca de 150 países. Só o Brasil acumulou produção de 3,3 milhões de unidades em 30 anos. O Uno já está bem perto dessa marca, com 3 milhões de unidades em 23 anos e pode até ultrapassar o besouro, pois ainda está em linha. Mas o popular da Fiat, vendido hoje a R$ 22 mil, não tem um clube de fãs como o Fusca nem foi personagem de filme ou tema de música.A consultoria Jato do Brasil Informações Automotivas calcula que ainda há mais de 1 milhão de Fuscas rodando pelo País, volume avaliado também por fabricantes de autopeças. Muitos estão em condições precárias na periferia das cidades, outros ainda são bem conservados, principalmente aqueles nas mãos de colecionadores e admiradores em geral.''''Empresto o Audi e o Focus para quem precisar, mas o Fusca, não'''', declara Eduardo Geralde Junior, diretor geral da empresa Zito Pereira. Ele tem um modelo da última leva feita no ABC paulista, em 1996, movido a álcool, na cor preta. Rodou 36 mil quilômetros até agora.Dezenas de empresas mantêm linhas de peças de reposição, inclusive para abastecer outros países, até a Alemanha. A Fania, com fábrica em Itajubá (MG), exporta 10% da sua produção de peças como acelerador, freios e cabo de velocímetro para a Alemanha, onde vários Fuscas resistem, principalmente entre colecionadores.Da produção total da Fania, 6,5% são de peças para o Fusquinha, informa o gerente comercial Régis Nascimento. Fundada em 1961, a empresa emprega hoje 450 funcionários em Minas e no escritório de vendas em São Paulo.A Zito Pereira dedica um terço da produção da fábrica em Guarulhos (SP) para peças do Fusca. ''''Só de assoalhos fazemos 1 mil por dia em uma máquina robotizada'''', afirma Geralde. De pára-lamas são 30 mil. Fundada em 1973 e atualmente com 200 funcionários, a empresa não dá conta de atender todos os pedidos.A maior parte do equipamento para a produção foi importada dos EUA e as formas para os pára-lamas foram adquiridas da Volkswagen quando a montadora parou de produzir o Fusca, em 1986. Peças para Fuscas fabricados antes de 1966 são importadas da Alemanha. Este ano já foram 3 mil unidades. A mais cara é o capô: R$ 500.A Igpecograph iniciou operações na década de 70, em Diadema (SP), para fornecer exclusivamente peças para o Fusca, então em produção na fábrica da Volks em São Bernardo do Campo. Depois a empresa diversificou os clientes e passou a fornecer painel, tampa traseira, tanque de gasolina, capô e portas também para outros modelos. Hoje, 15% da produção são para o Fusca, cerca de 240 mil peças por ano.

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