38% das famílias endividadas não têm como pagar, diz Ipea

Cerca de 55 por cento das famílias brasileiras têm dívidas e boa parte tem dificuldade para quitá-las, mostrou nesta terça-feira uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

REUTERS

31 de agosto de 2010 | 13h48

Segundo o Ipea, 37,8 por cento das famílias que têm dívidas não têm como pagá-las. Outros 36,7 por cento pretendem parcelar os débitos e 22,8 por cento vão pagar as dívidas integralmente. Na Região Norte, esse percentual de incapazes de pagar as dívida chega a 53,3 por cento.

O presidente do Ipea, Márcio Pochman, argumentou, no entanto, que "de maneira geral, o endividamento no Brasil é muito baixo", ainda que seja preciso atenção.

"Temos um grupo com dificuldades e isso merece um cuidado especial. Crescer, e com mais empregos, vai garantir o pagamento dessas pessoas", disse Pochman. "Nos EUA e na Europa os níveis são bem mais elevados", acrescentou.

Segundo o levantamento, 11 por cento dos entrevistados se disseram muito endividados; 16,8 por cento mais ou menos endividado e 26,2 por cento pouco endividado. Outros 45,4 por cento disseram não ter nenhuma dívida. O levantamento foi realizado em 3.810 domicílios de 214 cidades do país

Mais de um terço das famílias com renda de até 4 salários mínimos (hoje 2.040 reais) tem endividamnento alto. Na outra ponta, chega a 58,5 por cento a porcentagem das famílias com renda até um salário mínimo que não tem dívida alguma. Entre as famílias com renda superior a 10 mínimos esse percentual ficou em 36,9 por cento.

"Quem tem mais renda está mais endividado e quem tem menos é menos, seja por estar excluída do mercado de crédito seja pela falta de emprego que permita um endividamento... À medida que a economia cresça, a tendência é de endividamento mais generalizado", disse Pochman.

Apesar do endividamento, o índice de expectativas do Ipea aponta que os brasileiros estão otimistas com o futuro do Brasil. O índice, que é medido por pontos, ficou em agosto em 62,7 pontos, o equivalente a um grau de otimismo com relação a economia brasileira.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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