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450 mil foram demitidos no 1º bimestre em 6 capitais

No primeiro bimestre deste ano, 450 mil trabalhadores perderam o emprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aumentando o contingente de desempregados para 2,756 milhões de pessoas.

ANNE WARTH, Agencia Estado

25 de março de 2009 | 14h47

Foram 229 mil em fevereiro e 221 mil em janeiro nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Distrito Federal (DF). Somente na capital baiana, a taxa de desemprego permaneceu estável em 19,4% em fevereiro. Desses 450 mil desempregados, cerca de 316 mil estão na região metropolitana de São Paulo.

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 13,5% em fevereiro, aproximando-se do patamar registrado há 12 meses (13,6%). "Retrocedemos ao patamar de fevereiro de 2008. Não me surpreenderia se, em março, atingirmos uma taxa de 14,3%, igual à de março de 2008, a não ser que ocorra algum milagre", disse o coordenador da pesquisa pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.

A coordenadora do levantamento pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, confirmou que a expectativa é a mesma para o desemprego nas seis regiões metropolitanas que fazem parte do estudo. "Tudo indica que o desemprego vai crescer em março", afirmou.

Segundo os pesquisadores, a intensidade da perda de vagas nos últimos dois meses foi surpreendente. O desemprego na região de São Paulo foi de 12,5% em janeiro para 13,5% em fevereiro. Nas seis regiões metropolitanas, foi de 13,1% para 13,9% em fevereiro. "O que preocupa, além da intensidade da eliminação de vagas, é a falta de perspectiva de aumento do emprego nos próximos meses. A crise não é algo sazonal e não sabemos quanto ela vai durar", destacou Patrícia.

Indústria

Os coordenadores destacaram também que o desemprego tem sido "particularmente cruel" no setor da indústria. Em São Paulo, o setor registrou perda de 70 mil vagas em fevereiro, queda de 4,1% no nível de emprego ante janeiro.

A indústria emprega na região metropolitana de São Paulo, atualmente, 1,638 milhão de pessoas, 25 mil a menos do que em fevereiro de 2008. Este é o único segmento que já registra queda no número de ocupados até mesmo na comparação com fevereiro de 2008 (-1,5%).

Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, a queda de ocupados na indústria foi de 2,9% em fevereiro ante janeiro e de 1% ante fevereiro de 2008. Nessas regiões, a indústria também é o único setor que já registra menor número de ocupados na comparação com fevereiro de 2008.

Não por acaso, o desemprego na RMSP cresceu mais na região industrial do Grande ABC do que na capital paulista e nos demais municípios da região. Saiu de 10,7% em janeiro para 12,3% em fevereiro. Na capital, a taxa subiu de 11,2% para 12,3%. Nos demais municípios da região, de 14,2% para 15%.

"A indústria funciona como um motor para os outros setores e, se o emprego continuar a cair na indústria, a tendência é que o desemprego cresça também no comércio e nos serviços", explicou Patrícia. "O mercado de trabalho é um instrumento estratégico para manter o consumo e, por consequência, o crescimento econômico. Se o nível de ocupação cair, a massa de rendimentos também cai e perdemos o nosso grande trunfo, que é o mercado interno."

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