460 mil entraram no mercado de trabalho; 81,5% sem carteira

Das 460 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho entre abril de 2003 e abril deste ano, 375 mil (81,5%) não têm as garantias dadas pela carteira de trabalho assinada e nem contribuem com a Previdência. Um total de 241 mil destas 375 mil pessoas trabalham por conta própria e outras 134 mil são empregados, porém sem carteira de trabalho assinada.O IBGE pesquisou o perfil de quem passou da inatividade em março para a população ocupada em abril e observou que o grupo é formado, em sua maioria, por pessoas com renda de até R$ 240,00, 50 anos ou mais, com escolaridade entre quatro e sete anos de estudo e que trabalham por conta própria ou como empregado sem carteira.Um outro grupo pesquisado é o dos inativos em março que passaram a procurar emprego em abril. O perfil desse grupo é de mulheres jovens, com 11 anos ou mais de estudo e que, nos seus domicílios, são filhas do chefe da família. "Essas são as pessoas que podem esperar mais tempo para ingressar no mercado de trabalho", disse o gerente da pesquisa de emprego do IBGE, Cimar Azeredo Pereira.Ele observou que existem duas correntes de economistas com explicações para o aumento do número de pessoas procurando emprego: uma defende que o mercado melhor faz aumentar a procura por emprego e a outra afirma que a queda do rendimento faz mais pessoas na família terem que trabalhar para completar a renda. "Essas duas coisas podem estar ocorrendo, ou apenas uma delas", afirmou Pereira.Apenas dois tipos de atividades econômicas mostraram aumento de emprego significativo: a indústria (4,5% de março para abril e 3,3% em abril, ante abril de 2003) e os serviços domésticos (0,7% de março para abril e 3,5% ante abril de 2003). 13,4% dos desempregados procuram emprego há pelo menos dois anos Dos 2,812 milhões de pessoas que estavam desempregadas no mês passado, 13,4% declararam ao IBGE já procurar emprego há pelo menos dois anos. Em abril do ano passado, esse grupo era de 11,3% do total de desempregados, que, na época era de 2,592 milhões de pessoas. A segunda faixa que mais aumentou sua participação no total de desempregados na classificação por tempo de procura, de 13,1% em abril de 2003 para 13,6% em abril deste ano, foi a dos que estão há um período entre um ano e dois anos tentando se ocupar. "Essas provavelmente são pessoas com mais escolaridade, que não são chefes de família, que estão esperando uma oportunidade melhor de trabalho", disse o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Cimar Azeredo Pereira. Quase metade dos desempregados (47,5%) estão entre 31 dias a seis meses procurando ocupação. Por escolaridade, a maior parcela de desempregados é a que tem 11 ou mais anos de estudo (43%). Os que tem menos de oito anos de estudo são 29,8% e os que tem entre oito e dez anos de estudo representam 27,2% do total de desempregados. Também quase metade (46,3%) dos desempregados em abril tinha entre 25 e 49 anos. e 37,1% estava na faixa entre 18 e 24 anos de idade. Segundo o IBGE, não houve variação estatística relevante sobre o desemprego no grupo entre 16 e 24 anos de idade, foco do programa de primeiro emprego. A taxa de desemprego entre as mulheres, de 16,3%, é superior a dos homens, de 10,4%. Pouco mais de um quarto dos desempregados (26,3%) são chefes de família.O IBGE observou também um aumento no grupo que chama de "subocupados por insuficiência de horas trabalhadas", com jornada de trabalho inferior a 40 horas semanais e que, apesar de não estarem desempregados, continuam procurando ocupação. Eles aumentaram 14,3% de março para abril e 3,3% de abril de 2003 para abril deste ano.

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