''5,4% não é sustentável''

Para economista, País mantém perspectiva de crescimento a médio e longo prazos, mas a taxas mais baixas

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

Para Paulo Leme, diretor do Banco Goldman Sachs, o crescimento de 5,4% do PIB brasileiro não deve se sustentar nos próximos anos. A previsão não é voltar aos níveis de 2006 (quando o crescimento foi de 3,8%), mas a partir deste ano os valores já devem ser mais modestos. Para que o governo consiga conter a inflação, o segundo semestre já apresentará sinais de desaceleração. Isso ocorrerá, segundo o economista, enquanto não houver um equilíbrio melhor entre a demanda ocasionada pelo consumo e a oferta, que vem sendo atendida em boa parte pelas importações. O crescimento do PIB brasileiro é sustentável?Sustentável a taxas de 5,4%, acho que não. A médio e longo prazos, a perspectiva é de que o Brasil continue em crescimento, porém a taxas mais baixas. Para não ser uma taxa inflacionária, os valores vão estar mais próximos de 4,5% do que de 5,5%.Por quê?O Brasil é um caso clássico de estímulo macroeconômico em demasia. Queda dos juros, oferta de crédito, gastos do governo, tudo isso cria um ambiente favorável para que haja o crescimento do consumo. Mas a demanda cresce a 7,2% e não consegue ser atendida, o que aumenta as importações.O crescimento de 13,4% dos investimentos não ajuda a equilibrar esse quadro?Apesar do crescimento, a contribuição dos investimentos no PIB é muito pequena e acaba sendo absorvida pela demanda. No Brasil há um descompasso entre demanda e oferta, e as importações crescem de tal forma que temos um déficit de conta corrente. O problema na balança não é a taxa de câmbio. Além disso, o excesso de demanda aumenta a inflação.Isso deve se refletir no PIB deste ano? Ele será mais baixo?Partindo do princípio que o governo vai cumprir a meta de inflação, vai ter de haver um aperto e vamos ver uma desaceleração em 2008. Nossa expectativa é de que o crescimento do PIB em 2008 seja de 4,8%.A queda em relação a 2007 vai se dever ao aumento de juros, na tentativa de conter a inflação?Sim, para cumprir a meta de inflação para este ano, o Banco Central terá de subir juros. Veremos um ciclo ligeiro de taxa de juros em alta e o consumo deve desacelerar no segundo semestre. E é bom deixar claro que uma queda de 5,4% para 4,8% no PIB representa uma desaceleração forte, mesmo que os números não aparentem.Apesar da crise nos Estados Unidos, o Brasil apresentou resultados muito positivos. O País está imune aos problemas externos ou eles também influenciarão o PIB de 2008?Nenhum país está imune, o que acontece é que o Brasil está numa posição muito melhor do que já esteve - essa é uma crise de crédito, e o Brasil agora é credor. A participação dos Estados Unidos na balança comercial brasileira é inferior a 20%, então o impacto por aqui será menor do que no México ou na Ásia. Os empresários com seus blackberries precisam entender que o impacto não virá em tempo real. Vai demorar e não vai ser de um para um. Mas virá.

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