Reuters/Damir Sagolj
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5 pontos para entender a guerra comercial entre EUA e China

Países estão em conflito econômico que se estende desde 2018 e pode chegar ao fim durante a próxima cúpula do G20, no Japão

João Ker e Elisa Calmon, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2019 | 12h29

Desde que tomou posse em janeiro de 2017, Donald Trump tem estremecido as relações comerciais entre Estados Unidos e China, culminando na guerra comercial travada nos últimos meses pelos dois países. Nessa disputa, as tarifas sobre importação são a principal arma utilizada por ambos os lados, que têm ensaiado uma trégua infrutífera desde maio de 2018. 

Com a aproximação de uma nova cúpula do G-20, que reúne os líderes das 19 maiores potências econômicas do mundo e da União Europeia, e a expectativa de que o encontro em Osaka, no Japão, sirva para estabilizar a situação entre os dois gigantes, veja abaixo os principais pontos da guerra comercial entre China e EUA:  

Como começou a guerra comercial entre China e EUA?

Donald Trump começou seus ataques aos produtos “made in China” ainda durante a campanha eleitoral. Antes de ser eleito presidente dos EUA, o então candidato responsabilizava o gigante asiático pela perda de empregos industriais na América e prometeu impor tarifas de até 45% sobre os produtos chineses. 

Após vencer a eleição de 2016, o discurso de Trump endureceu ainda mais e, em janeiro de 2018, ele anuncia tarifas sobre painéis solares e máquinas de lavar da China. Dois meses depois, a medida é aplicada também na importação de aço (25%) e alumínio (10%). Em abril daquele ano, Xi Jinping faz sua primeira retaliação e devolve o aumento de impostos em cerca de U$ 3 bilhões de produtos norte-americanos, marcando o início definitivo da guerra comercial.

Quais produtos estão sendo tarifados?

Donald Trump começou os ataques contra produtos da China tarifando máquinas de lavar e painéis solares, em janeiro de 2018. O aumento foi estendido para a importação de aço e alumínio dois meses depois e, em junho do mesmo ano, ele aplica uma taxa de 25% em mais de U$ 50 bilhões de produtos chineses, que vão de bolsas a material ferroviário. 

Como forma de retaliação, Xi também aplicou taxas que variaram de 5% a 25% sobre a importação de 128 itens dos EUA, incluindo frutas, produtos químicos, carvão e equipamento médico. Paralelamente, a China também tarifou bens produzidos em distritos norte-americanos com forte apoio ao partido Republicano.

Por que aumentar as tarifas?

De acordo com Trump, o motivo para o aumento nas taxas de importação seria uma forma de impulsionar a criação de empregos nos EUA, já que o consumo de produtos locais aumentaria e, consequentemente, a produção industrial do país. Ao mesmo tempo, o encarecimento de produtos chineses poderia, em tese, baratear aqueles produzidos na América. Ao mesmo tempo, tarifas também podem ser encaradas como uma tática de negociação em guerras comerciais, como disse o próprio Trump em seu Twitter.

Como andam as negociações entre China e EUA?   

A primeira tentativa de negociação entre as delegações da China e dos EUA começou em maio de 2018, sem nenhum impacto efetivo na troca de taxas entre os países durante os meses seguintes. O primeiro sinal de um possível acordo veio apenas em novembro, através de um telefonema entre os líderes, durante o qual Trump afirmou que houve “uma grande ênfase” no assunto.

A primeira trégua comercial entre os países viria apenas em dezembro, durante reunião do G-20. O jantar, realizado em Buenos Aires, Argentina, serviu como palanque para Trump se comprometer a adiar por 90 dias o então recém-anunciado aumento nas tarifas, que iriam de 10 para 25%. Enquanto isso, Xi assegurou que passaria a comprar mais produtos americanos, inclusive agrícolas.

Após cinco meses de conversas, novas tentativas de negociações entre representantes de ambos os países falharam e o acordo comercial foi suspenso no último 10 de maio. Trump determinou o aumento previsto de 25% sobre cerca de mil produtos chineses, como combustíveis, cereais e materiais de construção. A China impôs o mesmo porcentual sobre US$ 60 bilhões em mercadorias americanas. 

Desde então, nem China nem EUA se encontraram novamente para tentar um acordo oficial.

Quais os próximos passos? 

Em 23 de maio, durante discurso na Casa Branca, Trump foi otimista sobre um possível acordo entre os dois países. Ele afirmou que pretende se reunir com Xi no próximo encontro do G-20, em Osaka, no Japão. Marcado para os dias 28 e 29 de junho, o evento marca também a primeira participação do presidente Jair Bolsonaro em uma cúpula do grupo.

Enquanto o líder chinês ainda não confirmou sua presença no encontro, Trump já ameaçou que, caso ele não compareça, novas tarifas dos EUA entrarão em vigor imediatamente sobre mais US$ 300 bilhões de produtos da China.

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