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50% das empresas do País não chegam a fazer 8 anos

Das 738 mil companhias criadas em 1997, apenas 380 mil ainda existiam em 2005; instabilidade da economia explica alta taxa de mortalidade

Nilson Brandão Junior, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

Apenas metade das empresas criadas no Brasil em 1997 continuava funcionando oito anos depois, em 2005. A conclusão é da pesquisa Demografia das Empresas, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mesmo trabalho mostra que a maior parte (62,5%) das empresas no País tem menos de dez anos de existência.Do total de empresas, apenas 2,9% resistem há três décadas ou mais do que isso. O trabalho revela que, das 738 mil empresas criadas há dez anos, 51,6% chegaram a 2005 em atividade. A maior parte da redução ocorreu no primeiro ano de vida dessas companhias: 81% delas ainda funcionavam em 1998. Nesse período, as empresas de maior porte (com mais de 100 empregados) foram as que mais tempo resistiram, com 58% ainda ativas ao fim do período. A menor taxa de sobrevivência (46,5%) foi na Região Sul e a maior (53,8%), na Norte.O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Julio Sergio Gomes de Almeida atribui às constantes oscilações do crescimento do País a principal causa da elevada mortalidade de empresas. "Nesse período todo, não houve dois anos seguidos de crescimento forte", disse. "Houve muita variação entre períodos ruins e bons de crescimento, o que dificulta a sobrevivência das empresas."O economista também pondera que o total de empresas fora de atividade poderia ter sido ainda maior, perto dos 60%, caso algumas medidas adotadas pelo governo não tivessem sido tomadas, como a estruturação do Super-Simples, que unifica impostos para micro e pequenas empresas. Para ele, a perda de empresas ativas em 2007 tende a ser menor, porque a economia está crescendo num ritmo mais acelerado.Do grupo de empresas com mais de 30 anos de existência, o comércio responde por 53,37%, a indústria por 17,66%, alojamento e alimentação por 8,11% e administração imobiliária, aluguéis e serviços prestados a empresas por 7,17%, entre outras. O instituto divulga informações sobre a demografia das empresas, por meio das estatísticas do Cadastro Central de Empresas (Cempre). Pela primeira vez, contudo, o IBGE fez estudo detalhado sobre o tema.O Cempre inclui o cadastro de 5,7 milhões de empresas ativas em 2005. Para a análise demográfica das empresas, foram analisadas 5,094 milhões de empresas. Técnicos do IBGE explicam que a mortalidade foi analisada apenas para as empresas surgidas em 1997. Além disso, o instituto analisou o fluxo anual de entradas e saídas no mercado nos últimos anos.SÃO PAULO À FRENTEEm 2005, surgiram 792 mil empresas e foram extintas 544 mil. O saldo líquido foi positivo em 248 mil. Pequenas empresas, com até quatro funcionários, predominaram tanto no grupo de empresas que entram no mercado quanto no de empresas que saem. Segundo o instituto, o fluxo de entrada tem sido maior que o de saída, anualmente. Os dados mostram que a taxa de entrada no mercado em 2005 foi de 16,3% sobre o total do ano anterior, a maior desde 2002 (17%). A taxa de saída ficou em 11,2%, pouco acima dos 10,5% da média dos três anos anteriores.São Paulo foi o Estado com maior número de empresas criadas em 2005 (252,9 mil). Também foi a unidade da federação com o maior número de empresas extintas, 170,8 mil unidades. O segundo Estado com maior número de empresas criadas foi Minas Gerais (82,9 mil), também o segundo em empresas extintas (60,7 mil).COLABOROU JACQUELINE FARID

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