55% das cidades brasileiras têm desenvolvimento médio

Com a atual dinâmica de desenvolvimento, as regiões Norte e Nordeste levariam 29 e 26 anos para alcançar os indicadores registrados pelo Sul

Antonio Pita, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2014 | 02h05

RIO - Apesar de avançar ano a ano no desenvolvimento municipal, atingindo um patamar de 55% de cidades com desenvolvimento médio, o País não conseguiu romper com o abismo da desigualdade regional. De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), com a atual dinâmica de desenvolvimento das cidades, as regiões Norte e Nordeste levariam 29 e 26 anos, respectivamente, para alcançar os indicadores registrados em 2011 pelo Sul, onde 92,3% dos municípios registram desenvolvimento moderado ou alto.

O levantamento é do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), a partir de dados nacionais sobre educação, saúde, emprego e renda coletados em 2011. O País, segundo a Firjan, atingiu média de 0,7320 pontos. A escala define que até 0,4 o desenvolvimento é baixo. Entre 0,4 e 0,6, a avaliação é regular. No intervalo entre 0,6 pontos e 0,8, o desenvolvimento é moderado e, acima desse patamar estão os municípios com alto desenvolvimento. O resultado do País é 1,8% superior ao do ano anterior.

Desigualdade. É a primeira vez que o índice registra o critério de desigualdade no cálculo do desenvolvimento. Os dados coletados reforçam a distância entre as regiões. Os 500 municípios com os resultados mais baixos, com média de 0,4231, precisariam de 13 anos para atingir o patamar dos 500 municípios mais desenvolvidos, com média de 0,8179, considerada alta na classificação da Firjan.

A comparação considera o ritmo de crescimento dos últimos cinco anos, quando o índice foi criado.

"Há uma evolução inequívoca no período, mas os desafios mudaram. Norte e Nordeste avançaram muito, mas ainda estão longe do patamar do Centro-Sul", diz Guilherme Mercês, gerente de economia e estatística da Firjan. "Os desafios mudaram e as exigências da sociedade são bem mais altas. A expectativa está no acesso e na qualidade de serviços prestados."

Entre os 500 municípios com as menores médias, 36% estão na Bahia - 182 cidades, mais que o dobro do segundo Estado com maior incidência, o Maranhão. O pior resultado foi de Santa Rosa dos Purus (AC), com índice de 0,281 pontos. No topo do ranking, São Paulo concentra 43% das 500 cidades mais desenvolvidas do País. O Estado também domina sozinho o ranking das dez primeiras posições, liderado por Louveira (0,916 pontos) e São José do Rio Preto (0,915 pontos).

Liderança. São Paulo também tem a maior proporção de municípios com desenvolvimento moderado (484 cidades) ou alto (154), somando 98,9%.

Apenas sete cidades (1,1%) entraram na classificação regular e nenhuma teve indicador baixo. É no interior que se concentra a maior parcela da riqueza de São Paulo. A capital paulista ocupou a 40.ª posição no ranking nacional (0,8642 pontos).

Pesquisador do Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional (Nesur) da Unicamp, Gustavo Zimmermann explica que as grandes cidades receberam um fluxo populacional muito intenso nos últimos anos, o que torna mais difícil a tarefa de manter um alto padrão.

"A tendência é o maior desenvolvimento das cidades em seu entorno, para onde vai a indústria de maior valor agregado, com um menor número de habitantes, com forte arrecadação", diz Zimmermann.

É o caso da líder do ranking, Louveira, um polo industrial de alimentos, produtos de higiene e bens de consumo, com apenas 40 mil habitantes. Zimmermann destaca que se trata também de um eixo com forte infraestrutura logística.

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