Carl de Souza / AFP
Carl de Souza / AFP

59% dos brasileiros consideram reforma da Previdência necessária, diz pesquisa CNI/Ibope

Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados concordam com o estabelecimento de uma idade mínima para se aposentar. Maioria acredita que todos os grupos deveriam estar sujeitos a regras iguais

Luci Ribeiro e Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 10h25

BRASÍLIA - A reforma da Previdência é considerada necessária por seis em cada dez brasileiros, ou 59% dos brasileiros. Isso é o que revela a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira - Reforma da Previdência, divulgada nesta quarta-feira, 8, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Outros 36% discordam sobre a necessidade da reforma. 

A percepção de que as mudanças são imprescindíveis é maior entre os homens, os que têm ensino superior e renda familiar superior a cinco salários mínimos, revela o levantamento feito pela CNI/Ibope

Entre os homens, 63% dizem que é preciso fazer a reforma da Previdência. Entre as mulheres, o porcentual cai para 54%. As mudanças são necessárias para 68% dos entrevistados com ensino superior e para 73% dos que têm renda familiar acima de cinco salários mínimos.

A pesquisa revela ainda que a reforma tem o apoio da maior parte das pessoas que ganham menos e com menor grau de escolaridade: 52% dos que concluíram até a quarta série do ensino fundamental e 51% dos que recebem até um salário mínimo acreditam que é preciso mudar o sistema previdenciário do País

"A maioria da população já reconhece que a reforma da Previdência é indispensável para o País", afirma o presidente da CNI em exercício, Paulo Afonso Ferreira. "As mudanças no sistema atual de aposentadorias são essenciais para incentivar o retorno dos investimentos, do crescimento sustentado e da necessária modernização do País", acrescenta.

Para o executivo, se o País não resolver o problema do déficit da Previdência, a sociedade terá de arcar com os custos da alta carga tributária e falta de recursos para áreas em que a atuação do setor público é fundamental. 

Apesar de a maioria ver necessidade da reforma, o nível de conhecimento da atual proposta apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro ao Congresso é baixo. Apenas 36% da população conhece a proposta do governo em tramitação. Entre esses, só 6% dizem ter amplo conhecimento do texto e 30% conhecem os principais pontos. Entre os que dizem conhecer o texto, 51% são contra e 39% são a favor da proposta do governo. 

Apoio de brasileiros à idade mínima aumentou

Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados concordam com o estabelecimento de uma idade mínima para se aposentar. Esse porcentual cresceu em relação a 2015, quando 65% dos brasileiros concordavam com esse ponto da reforma. "Os resultados indicam que a população está criando cada vez mais consciência da necessidade de uma idade mínima de aposentadoria, posto que as pessoas estão vivendo cada vez mais tempo", diz a pesquisa.  

Apesar disso, quando interrogada se as pessoas deveriam se aposentar cada vez mais tarde, já que estão vivendo mais, a maioria dos entrevistados se mostrou contrária. Nesta edição da pesquisa, 73% dos que responderam discordam dessa afirmação. Em 2015, esse porcentual representou 75% da população. 

Por outro lado, está aumentando a percepção de que os brasileiros se aposentam mais cedo do que em outros países. Em 2015, 18% acreditavam que no Brasil as pessoas se aposentam mais cedo do que em países desenvolvidos, como Estados UnidosAlemanhaInglaterra França. Agora, esse porcentual aumentou para 24%. 

Mesmo assim, revela a pesquisa, os brasileiros ainda defendem a aposentadoria em idades muito baixas. Segundo a CNI/Ibope, 80% dos entrevistados acham que as pessoas deveriam se aposentar com 60 anos ou menos, enquanto que 19% defendem a aposentadoria com 61 anos ou mais. Em 2007, apenas 8% dos brasileiros tinham esse entendimento de que as pessoas deveriam se aposentar com 61 anos ou mais. 

Impostos. A pesquisa da CNI mostra ainda que 83% dos brasileiros não estão dispostos a pagar mais impostos para manter o atual sistema previdenciário. Além disso, 59% defendem que o problema da falta de dinheiro da previdência deve ser resolvido com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões.  

Para 33% , as regras só deveriam mudar para quem ainda não contribui para a Previdência. Outros 26% apoiam a mudança do sistema para quem já contribui, mas ainda não se aposentou, enquanto outros 21% defendem a manutenção das regras atuais e que o dinheiro necessário para cobrir o déficit da Previdência deveria vir do aumento de impostos. 

Maioria acredita que aposentadoria diferenciada para alguns grupos prejudica o restante da população

A pesquisa feita belo Ibope revelou também que 79% da população sabe que atualmente alguns grupos de pessoas podem se aposentar com regras diferentes - como tempo de contribuição e valor máximo da aposentadoria. Outros 14% acreditam que as regras de aposentadoria são iguais para todos.

O levantamento mostra que a maior parte dos brasileiros, 71%, concorda que todos os grupos deveriam estar sujeitos às mesmas regras. Já 26%, acham que as regras não deveriam ser as mesmas. 

Com relação ao efeito desse tratamento diferenciado, 68% dos brasileiros concordam que, quando alguns grupos se aposentam com regras diferentes, o restante da população é prejudicado. Já 29'% discordam dessa afirmação. 

Quando questionados sobre a manutenção de regras diferentes para alguns grupos, 62% dos entrevistados concordam que as mulheres tenham normas diferentes das dos homens. A maioria também defende que os trabalhadores rurais tenham aposentadorias diferentes dos urbanos, que professores, policiais e militares tenham regras diferentes que os demais profissionais. 

Benefícios a idosos. Com relação aos benefícios assistenciais, a pesquisa revela um amplo apoio da população. A maioria, 77%, acredita que é dever da sociedade garantir um salário mínimo a todos os idosos de baixa renda, inclusive para aqueles que nunca contribuíram para a Previdência. Em 2015, esse porcentual era de 69%. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.