Gonzalo Fuentes/ Reuters
Gonzalo Fuentes/ Reuters

Claro, Embratel, Ericsson e USP se unem para usar 5G na solução de problemas urbanos

Objetivo é que a tecnologia esteja disponível em várias unidades e institutos de ensino

Elisa Calmon, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 12h03

Claro, Embratel e Ericsson se uniram para tornar o campus da Universidade de São Paulo (USP) um laboratório de soluções 5G. A parceria é voltada para os segmentos de Smart Cities (cidades inteligentes) e Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). A princípio, o foco será a busca por inovações que possam ser replicadas nas cidades para minimizar problemas de segurança pública, saneamento, mobilidade, gestão de recursos naturais, entre outros.

A rede 5G, que já está sendo implementada na USP pela Claro, com apoio de seu hub de inovação beOn, e tecnologia da Ericsson, vai cobrir uma área escolhida pela equipe da universidade para a realização dos primeiros testes. A Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, localizada no Butantã, bairro da capital paulista, conta com quase quatro milhões de metros quadrados. A meta é que a tecnologia esteja disponível em várias unidades e institutos de ensino, incluindo centros de pesquisa, Hospital Universitário, reserva ecológica e museu.

O campus é um recorte da malha e adensamento urbano de São Paulo, com a circulação de milhares de pessoas por dia, destaca o professor da Escola Politécnica e coordenador do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP, Marcelo Knörich Zuff. "O piloto estará aberto para toda a comunidade acadêmica. Queremos equipará-lo aos grandes projetos realizados na Europa, Ásia e Estados Unidos", afirma, complementando que a USP é responsável por mais de 20% da produção científica brasileira.

São muitas as possibilidades de aplicação a partir das experiências desenvolvidas na universidade paulista, segundo o diretor de IoT da Claro, Eduardo Polidoro. Por exemplo, o processamento instantâneo de vídeos para evitar ou solucionar crimes. No saneamento, para o controle de perdas de água tratada, volumes de piscinões e vazão de bueiros. O monitoramento de árvores é mais uma alternativa. "O campus da USP é uma minicidade que inclui várias dessas demandas. Queremos resolver problemas que já existem e oferecer os recursos necessários para atendê-las", comenta.

Na lista de possibilidades, aparecem ainda as soluções para mobilidade por meio da IoT. A captação de informações como fluxo de carros, tempo de espera nos pontos de ônibus e ocupação de calçadas ajudam nas tomadas de decisão. Além disso, é possível avaliar o tempo correto para alterar o tempo de semáforos ou abrir rotas em casos de emergência.

A coleta e processamento dessas informações é muito mais rápida com o 5G, o que permite uma resposta em tempo real, comenta o vice-presidente de Negócios da Ericsson, Tiago Machado. "O 5G é um guarda chuva para a digitalização. O papel da rede vai muito além da conexão mais rápida para um usuário de smartphone. É uma plataforma de negócios nos diferentes campos, incluindo agronegócio, indústria e logística", afirma o executivo da companhia, que anunciou em 2019 um investimento de R$ 1 bilhão em pesquisa para o desenvolvimento e fabricação de 5G no Brasil entre 2020 e 2025.

Já a Embratel, fornecedora de serviços de TI e Telecom do Brasil, atuará no meio de campo para disponibilizar ao mercado corporativo e ao poder público as inovações desenvolvidas por meio da parceria. 

Para Maria Teresa Lima, diretora-executiva da Embratel para Governo, a iniciativa vai permitir que a USP experimente para trazer benefícios para a população. "Cidade inteligente é aquela que promove o bem-estar de seus cidadãos, oferecendo serviços que tornem a vida mais simples, segura e produtiva", afirma.

A rede 5G implementada na USP utiliza elementos de uma solução comercial ativados com licença científica cedida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na frequência 3,5 GHz, uma das faixas que foram adquiridas pela Claro no recente leilão. A operadora foi pioneira na implantação do 4.5G, que permite navegar 10x mais rápido que a rede 4G tradicional, e também na implantação do 5G DSS que oferece conexões até 12 vezes mais velozes que o 4G convencional.

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