5G: mais que conexões rápidas
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5G: mais que conexões rápidas

Tecnologia possibilitará avanços que vão impulsionar a transformação digital da sociedade e aumentar a produtividade em setores estratégicos para a economia

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 20h18

Nesta quinta-feira, o Ministério das Comunicações completa o leilão do 5G, cujo edital levou três anos para ser publicado. É iniciativa que não vem apenas para aumentar a velocidade da conexão.

Vem para melhorias que podem mudar o padrão de vida do brasileiro e não apenas daqueles que não contam com acesso à internet ou têm acesso precário. Certos problemas preliminares foram afinal superados. Um deles foi o alinhamento do governo Bolsonaro com o governo Trump, que tentou restringir a participação de empresas chinesas no fornecimento de equipamentos.  Levantamento do Instituto IT Mídia aponta que, com os adiamentos do leilão, empresas no Brasil deixaram de gerar US$ 2,2 bilhões em negócios entre 2020 e 2022.

O interesse no leilão foi maior do que o esperado. Atraiu 15 grupos econômicos, entre empresas e consórcios, e deve movimentar R$ até 49,7 bilhões, e a maior parte desse valor (R$ 46,1 bilhões) será destinada a investimentos, que vão desde a criação das redes de cobertura 5G, ampliação da infraestrutura de fibra ótica, expansão do 4G em todo o País, incluindo as rodovias federais, até projetos como a construção de rede privativa do governo federal e a implantação da rede de fibra ótica nos leitos dos rios da Região Amazônica. Outros  R$ 3 bilhões serão em pagamentos de bônus de outorga (taxa paga pelas empresas para utilizar o serviço) para a União.

Estudo da consultoria Bain & Company estima que o mercado do 5G no Brasil deverá alcançar receita líquida de R$ 74 bilhões em 2030, correspondendo a 81% de todas as conexões móveis no País. Projeções do governo federal indicam que a tecnologia vai gerar US$ 1,2 trilhão em investimentos nas próximas duas décadas.

 

Com velocidades até 100 vezes superiores às atuais e tempo de resposta (latência) bem mais baixo entre os dispositivos conectados à rede, o 5G possibilitará avanços que vão impulsionar a transformação digital da sociedade, com aplicação de tecnologias de realidade aumentada, realidade virtual, inteligência artificial e internet das coisas (IoT), por exemplo, e melhorar a produtividade e competitividade em diversos setores.

Por meio de soluções de IoT, diferentes aparelhos eletroeletrônicos poderão se conectar ao mesmo tempo e ser acionados automaticamente. Números do Ministério das Comunicações apontam que, com a adoção do 5G, os dispositivos móveis atrelados à IoT devem passar de 30 milhões para 100 milhões em 2023.

Nas chamadas cidades inteligentes, possibilitará melhor controle de tráfego, com semáforos eficientes, sistemas integrados de monitoramento de transporte, identificação de vagas de estacionamento, gerenciamento de multidões, gestão eficiente da iluminação e soluções de videomonitoramento com reconhecimento facial na segurança pública.

O 5G também ajudará a tornar a agricultura mais precisa e digital, com robótica, drones e reconhecimento de imagem para melhorar a qualidade da produção, a eficácia de fertilizantes e o controle de pragas. Outros avanços pretendidos estão no desenvolvimento dos veículos autônomos e no fomento da indústria 4.0. Na telemedicina, cirurgias a distância serão mais seguras com a diminuição da latência.

Mas, como observa a presidente da Federação Nacional de Call Center, Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática (Feninfra), Vivien Suruagy, algumas legislações precisam ser atualizadas. Hoje, cada município tem lá suas regras para instalação de antenas – o que tende a ser um empecilho. "Existem em torno de 300 leis diferentes no País e muitas estão antiquadas”, diz Vivien.

A previsão é de que o 5G chegue às capitais até julho de 2022 e em todo o País em 2028. Se o Brasil cumprir a cartilha corretamente será possível não só ganho em produtividade e no ecossistema de negócios, como também em qualidade de vida.

Mas é claro, o 5G aumentará a capacidade do Grande Irmão de saber da vida de cada um. E isso não é prerrogativa de chineses ou americanos./COM PABLO SANTANA

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA 

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