70% das crianças argentinas vivem na pobreza

O Siempro (Sistema de Informação, Monitoramento eAvaliação de Programas Sociais) anunciou que 72,3% das crianças argentinas com menos de 12 anos estão abaixo do nível de pobreza. No total, 4,5 milhões de crianças estão sendo atingidas pela pobreza. Destas, 2,45 milhões são indigentes. Segundo o Siempro, organismo do governo vinculado diretamente à presidência da República, a proporção de crianças pobres é maior aindaem alguns municípios da Grande Buenos Aires (o antigo cinturãoindustrial da Argentina) e nas províncias de Tucumán, Salta e Jujuy, no norte do país, onde chega a 82%. Apesar dos programas sociais implementados pelo governo do presidente Eduardo Duhalde, a pobreza infantil não foi reduzida. O país está em acelerada decadência econômica, enquanto a pobreza se alastra. No ano passado, a proporção de pobres, entre adultos e crianças, era de 38%. A meados dos anos 90, 27% eram pobres. Há 25 anos, a meados dos anos 70, somente 6% dos argentinos eram pobres.Como forma de contenção social para as crianças e adolescentes pobres, o governo está analisando a possibilidade de que elas recebam educação nos quartéis do exército, de forma gratuita. Se o projeto do senador Alejandro Corvatta for aprovado, no total, na província de Buenos Aires, 40 mil adolescentes seriam enviados aos quartéis.Mas a idéia está causando polêmica. Segundo o secretário-geral do sindicato dos professores da província de Buenos Aires, Roberto Baradel, ?o projeto tenta militarizar o conflito social através do disciplinamento dos jovens, sem resolver as causas do problema de marginalidade e exclusão que sofrem?.LeitePor causa do alastramento da crise econômica e da queda drástica do poder aquisitivo dos argentinos, a economia do país está passando por certos ?retornos ao passado?. Um dos exemplos é a venda de leite sem pasteurizar no interior da província de Buenos Aires. Este tipo de leite, cujo litro custa ao consumidor apenas 0,50 peso (US$ 0,13), é mais barato que o litro desse produto, mas pasteurizado, que é de 1,20 peso (US$ 0,33). A venda do leite sem pasteurizar havia sido proibida em todo o país em 1963. Mas, com o atual cenário de acelerado empobrecimento, no qual centenas de milhares de famílias argentinas estão deixando de consumir leite, esse impedimento está sendo revisto. Esse é o caso da cidade de Olavarría, uma das principais da província de Buenos Aires, com 100 mil habitantes. Ali, o prefeito Helios Eseverri autorizou a venda. A medida, que trouxe às ruas a velha carroça do leiteiro, está sendo analisada por outros prefeitos, e poderia ser aplicada em grande parte a província de Buenos Aires, a maior do país, onde reside um terço da população argentina.Segundo Luis Secco, presidente da Câmara da Indústria do Leite, mesmo levando em conta o caráter de emergência econômica da medida, consumir leite sem pasteurizar é um risco para a saúde. Segundo os produtores, a venda deste tipo de leite é um negócio circunstancial, e não veio para ficar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.