70% de argentinos querem comércio com o Brasil

Uma pesquisa realizada nos principais centros de concentração urbana e industrial da Argentina revelou que 70% dos argentinos têm imagem positiva da relação comercial entre o Brasil e a Argentina. No levantamento, os argentinos reconhecem que "perderam a liderança latino-americana e que hoje o Brasil e o Chile são melhores".Realizada pela consultoria Hugo Haime e Associados e Servicios Regionales del Sur e divulgada hoje pelo Grupo Brasil, entidade que reúne as maiores empresas brasileiras na Argentina, a pesquisa mostra que houve uma mudança nos valores da sociedade argentina que indicam uma evolução positiva na opinião pública nacional em relação aos investimentos, produtos e marcas brasileiras.O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking de preferências argentinas sobre os investimentos externos no país, atrás da Espanha e dos Estados Unidos, mesmo sendo apenas o oitavo investidor neste país.A pesquisa indica que 39,2% dos consultados acredita na necessidade de "estreitar laços comerciais com Brasil". Enquanto que 30,1% considera que estes vínculos devem "manter-se como estão até agora". Segundo o levantamento, a maior demanda pela integração bilateral é registrada nas grandes cidades do interior do país, na capital e nos setores médios e altos da população.As maiores resistências foram verificadas nos pontos mais baixos da escala socio-econômica argentina. Também no interior do país, nas principais cidades com Rosário, Córdoba, Mendoza e Tucumán, é onde aparece com maior força a preferência pelos investimentos brasileiros.De acordo com o levantamento, 42,6% dos consultados consideram que os produtos brasileiros são bons e 33,9% que são regulares e apenas 9,6% tem uma percepção negativa. Neste estudo, apareceu que a imagem do empresário brasileiro para o argentino é a de um "sujeito moderno, hábil negociador e com metas e interesses claros".Enquanto que a imagem do Brasil é a de um país com qualidade de maior competitividade na produção e comercialização, "atributo que permite estabelecer uma analogia com a percepção social argentina frente aos Estados Unidos", destaca o analista Hugo Haime.O analista Hugo Haime disse à Agência Estado que a pesquisa indica que houve uma mudança no pensamento dos argentinos que antes acreditavam que eram os melhores e os maiores e, por isso, subestimavam o Brasil. "Hoje, os argentinos valorizam mais os brasileiros porque têm visão de país e conceito de futuro, coisa que os argentinos não têm."Segundo ele, o sentimento de nacionalismo dos brasileiros é uma qualidade para se invejar. "Antes, o produto brasileiro era depreciado porque era considerado massivo, enquanto o nacional era seletivo."Conforme a pesquisa, 50% dos entrevistados não podem mencionar de forma espontânea nenhuma marca brasileira. Porém, os demais citaram, pela ordem, os seguintes produtos: cerveja Brahma, Hering, Garoto, Sadia, Arisco, banco Itaú, calçados, têxtil, Tramontina, dentre outras.Para os realizadores da pesquisa, há a percepção de que houve uma mudança no conceito do argentino em relação aos produtos brasileiros, a qual permitirá que as empresas instaladas no país e as que queiram realizar investimentos na Argentina, modifiquem suas estratégias de ação.Um exemplo disso é a Brahma que, mesmo fazendo grande publicidade, principalmente no interior do pais, sem citar que é brasileira, os entrevistados a apontaram como a primeira marca lembrada. "Isso permite abandonar os temores da empresa de se apresentar como brasileira", disse Ricardo Sarmiento, da assessoria de imprensa do Grupo Brasil e diretor da Servicios Regionales del Sur.Para o presidente do Grupo Brasil, Eloi de Almeida, o resultado da pesquisa surpreendeu em vários aspectos porque contraria a forte impressão dos brasileiros de que os argentinos tem opinião negativa sobre as empresas do Brasil e ainda devido ao alto valor que os argentinos dão aos produtos europeus.Segundo ele, a pesquisa reforça o trabalho realizado pelo Grupo Brasil de estimular a união entre Argentina e Brasil para "que continuem juntos e enfrentem os desafios da Alca e da União Européia". Elói de Almeida disse à Agência Estado que apesar da queda de aproximadamente 60% do comércio entre os dois países no primeiro semestre deste ano, haverá um crescimento de 40% nos próximos seis meses.Leia o especial

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