72% dos reajustes salariais foram maiores que inflação

O balanço das negociações salariais de 2005, divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), indica que 72% das negociações salariais observadas ao longo do ano passado resultaram em reajustes salariais acima da inflação apurada pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC),calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até a data base dos acordos das respectivas categorias. Mesmo levantamento revela que 88% da 640 negociações coletivas de trabalho acompanhadas pelo Dieese obtiveram, no mínimo, recomposição da inflação acumulada até a respectiva data base. Este foi o melhor desempenho já constatado pelo Dieese em sua série histórica, que foi iniciada em 1996, indicando a continuidade da recuperação salarial já verificada em 2004. Cerca de 16% dos reajustes salariais corresponderam exatamente ao INPC até a data base das categorias envolvidas na negociação. Outros 35% dos acordos obtiveram ganho real até 1%, ao passo que 37% das negociações ultrapassaram reajustes de mais de 1% acima da inflação. Somente 12% dos acordos resultaram em correção inferior ao INPC até a data base, informa o levantamento. Ruim para o crescimento mas bom para os salários"Apesar de 2005 ter sido ruim para a economia e da surpresa desagradável de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3%, os sindicatos conquistaram uma performance muito boa", disse o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.Mesmo com o crescimento baixo do ano passado, Lúcio observou que o País viveu um período de nove trimestres consecutivos de crescimento, "o mais longo em décadas", e que os sindicatos dos trabalhadores souberam aproveitar esta condição para fortalecer as negociações.Simultaneamente, o especialista apontou que a baixa inflação favoreceu as tratativas entre empresários e trabalhadores. "A inflação de 2005 foi menor do que a de 2004 e é mais fácil negociar recomposição salarial com inflação baixa", explicou.Outros fatores também pesaram favoravelmente do lado dos trabalhadores nas campanhas salariais. O diretor do Dieese citou o aumento real concedido pelo governo ao salário mínimo, o crescimento da formalização da mão-de-obra e da contratação de pessoas com mais de 40 anos, em cargos de maior remuneração, entre outros fatores.Componentes negativasAlgumas componentes negativas acabaram por colaborar para as boas negociações. Lúcio citou que os salários pagos no País, desde 2003, estão no "fundo do poço", no pior patamar da série histórica acompanhada pelo Dieese. Por isso, qualquer melhora que aconteça, como a verificada no ano passado, com a expansão do salário real médio, já resulta em fator positivo.A queda salarial verificada em mais de uma década, deflagrada durante os anos 90, resultou também do que os sindicalistas chamam de "precarização" do mercado de trabalho, com pagamentos de abonos salariais e reajustes escalonados, com porcentuais de reajuste diferentes conforme a faixa salarial. "A mudança na conjuntura econômica favoreceu o movimento sindical", indicou Lúcio.Este texto foi alterado às 15h25 com complemento de informações

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