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9ª rodada da ANP termina com volume recorde de R$ 2,109 bi

Valor chegou a R$ 2,109 bilhões, quase o dobro do maior valor já arrecadado até hoje, de R$ 1,087 bilhão

Kelly Lima e Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

27 de novembro de 2007 | 18h59

A 9ª Rodada de Licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, realizado nesta terça-feira, 27, pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) terminou no final da tarde com um recorde de arrecadação, de R$ 2,109 bilhões, quase o dobro do maior valor já arrecadado até hoje, de R$ 1,087 bilhão, apurado na 7ª Rodada. No total, foram arrematados 119 dos 271 blocos ofertados. O diretor da ANP, Nelson Narciso, encerrou o leilão afirmando que a equipe organizadora tinha a preocupação de fazer com que o modelo atual de concessão tivesse o resultado apresentado. Antes da realização da rodada, houve temor do mercado de que não houvesse procura para os 271 blocos ofertados, devido a retirada das 41 áreas mais atrativas, localizadas sobre a camada de sal, ao largo das recentes descobertas de reservas potenciais no bloco de Tupi, na Bacia de Santos. Antes da retirada destes blocos, estimativas de mercado indicavam a possibilidade de a arrecadação atingir até R$ 10 bilhões. Após a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), esta previsão caiu consideravelmente e variava entre os mais otimistas, que apostavam na chegada em até R$ 2 bilhões e os mais pessimistas (a maioria), que não acreditavam na quebra do recorde de arrecadação. O diretor geral da ANP, Haroldo Lima, ao fazer o pronunciamento final do leilão, destacou a "elevada participação" de novas companhias no negócio. "Antigamente a gente via uma presença maciça da Petrobras, e agora isso está mais diluído e demonstra uma maior concorrência entre as empresas, demonstra que o Brasil pode crescer muito nesta área", disse. Ele lembrou que apenas 4,7% do total de bacias sedimentares brasileiras está hoje nas mãos de empresas brasileiras ou estrangeiras. "Há ainda muito por fazer e queremos repetir nos próximos anos o sucesso deste leilão e o ritmo de crescimento imposto pelas empresas a ele", disse. Participantes O leilão acontece em meio às manifestações de participantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), entre outros. De acordo com nota do MST, "os movimentos reivindicam a permanência das reservas existentes no Brasil à gestão estatal, na perspectiva de construção de um projeto de energia para o País e não à venda de nossos recursos naturais ao capital estrangeiro". A OGX, do empresário Eike Batista, foi o grande destaque da primeira etapa da 9ª Rodada. Lima admitiu que colocar blocos atrativos logo na abertura foi uma estratégia para afastar o pessimismo dos analistas após a decisão do governo de retirar os 41 blocos. O ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que já esperava uma participação forte da empresa de Eike Batista. Segundo ele, a companhia vem planejando grandes investimentos e por isso entrou pesado no leilão. Outra empresa a participar do leilão foi a Companhia Vale do Rio Doce. Ela concentrou seu foco nos lances para as áreas no Norte e Nordeste do País, que podem alimentar as atividades da mineradora em Carajás, no Pará, onde a empresa tem seus maiores investimentos no Brasil. Até 2012, por exemplo, a Vale planeja abrir a mina de Serra Sul, que vai consumir um total de US$ 10 bilhões. Esse é atualmente o projeto com maior volume previsto de aportes. Hubner disse que a forte participação da OGX e também a estréia da Vale em um leilão de áreas exploratórias de petróleo "não significa que são empresas assustadas com o risco de faltar gás no país". "Isso não existe. As duas empresas são grandes players do mercado que estão diversificando seu portfólio numa área que oferece excelentes oportunidades", disse. Entenda o que está em jogo A 9ª Rodada de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural realizada pela ANP possui 67 empresas habilitadas, sendo 32 brasileiras e 35 de origem estrangeira. O maior número registrado anteriormente foi de 44 empresas, na 7ª Rodada. As estreantes em rodadas foram 19, sendo 10 brasileiras. Pela primeira vez, uma rodada contou com participantes dos cinco continentes. Foram oferecidos 271 blocos em 14 setores, totalizando 73.078,70 km² em áreas de elevado potencial, novas fronteiras e bacias maduras. As áreas em oferta abrangem 9 bacias sedimentares: Campos, Espírito Santo, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Rio do Peixe e Santos. Resultados do leilão Primeiro lote: contrariando as expectativas de analistas do setor de petróleo, já na venda do primeiro lote oferecido, o volume de bônus quase chegou a se igualar ao recorde obtido pela reguladora em um leilão. Dos 17 blocos ofertados em águas rasas da Bacia de Campos, 12 foram arrematados. O valor de bônus de assinatura pagos pelos lotes arrematados foi de R$ 959 milhões. O recorde de arrecadação ainda é o da 7ª Rodada, de R$ 1,05 bilhão. Segundo lote: localizado em área terrestre na Bacia do Espírito Santo, o lote teve arrematados oito blocos de um total de dez ofertados. A arrecadação total do bônus de assinatura neste lote foi de R$ 4 milhões, e os investimentos previstos para esta área são de R$ 33,15 milhões. As empresas de menor porte foram as que mais disputaram o negócio, considerado de baixo investimento. Terceiro lote: a Companhia Vale do Rio Doce arrematou quatro áreas de exploração na bacia de Pará-Maranhão, em parceria com a Petrobras. Nesta disputa, foram disponibilizados 40 blocos, sendo apenas cinco arrematados - por um total de bônus de assinatura de R$ 6,74 milhões. Deste total, o consórcio envolvendo a Vale, Petrobras e Ecopetrol pagou R$ 5,291 milhões. Quarto lote: localizado em áreas terrestres na Bacia do Parnaíba, no interior do estado do Maranhão, teve os 10 blocos ofertados arrematados, para um total de bônus de assinaturas de R$ 11 milhões. A estreante STR levou sete dos dez lotes por um total de bônus pagos de R$ 10,42 milhões. A Petrobras entrou na disputa dos dez blocos em parceria com a Devon e a Companhia Vale do Rio Doce, mas só levou dois. Também levou um bloco neste lote o consórcio formado pela Comp (33%; operadora) , Orteng (33%) e Delp Engenharia (33%), com bônus de assinatura de R$ 300 mil. Quinto lote: a empresa OGX, que faz parte do grupo de Eike Batista, arrematou mais quatro áreas de exploração de petróleo e gás em águas rasas na Bacia de Santos. Neste lote, cinco das dez áreas ofertadas foram arrematadas. A OGX repetiu performance verificada em lotes anteriores e deu o maior lance do leilão até o momento, de R$ 344,09 milhões para levar a área S-270, com potencial de reservas de gás natural nas águas rasas de Santos. No total, a OGX pagou em bônus R$ 599,44 milhões do total de R$ 621,6 milhões arrecadados neste lote. A Petrobras concorreu em parceria com a Starfish em dois blocos, mas levou apenas o S-225, no qual a Starfish é operadora com 60% de participação. A dupla pagou R$ 22,25 milhões pelo bônus deste bloco. Sexto lote: com um bônus total de R$ 54,759 milhões, foram arrematados 29 das 32 áreas oferecidas na Bacia do Recôncavo, no interior do estado da Bahia. Petrobras fez sua primeira participação individual no leilão, e arrematou quatro áreas, além de uma em parceria com a Starfish, na qual esta última é a operadora. Neste lote houve predominância da participação de empresas de menor porte, como a Construtora Pioneira, que arrematou oito áreas sozinha e três como operadora em parceria com a EMPA (50%). A Ral Engenharia arrematou três áreas, a Brasoil, uma, e a Washington levou uma área em parceria com a Petro Latina (25%) e BrazAlta (37,5%). Por fim, três áreas na bacia do Recôncavo foram arrematadas pelo consórcio formado pelas empresas Comp, Orteng e Delp. Sétimo lote: a Ral Engenharia arrematou oito dos 19 blocos oferecidos na Bacia do Rio do Peixe, na Paraíba. A bacia é estreante em leilão da ANP e teve arrematados 12 dos 19 blocos ofertados, com um total de bônus de assinatura de R$ 8,489 milhões. Além da Ral, levaram blocos na Bacia de Rio do Peixe a também estreante Lábrea, que já havia vencido disputa hoje por um bloco no Espírito Santo. Já a Tarmar, em parceria com a Rich Minerals (20%), arrematou dois blocos. Oitavo lote: localizado na Bacia de Pernambuco-Paraíba, este lote não teve interessados. Nono lote: apenas sete dos 32 blocos oferecidos no lote foram arrematados, por um total de R$ 150 milhões. Esta foi a segunda oferta de blocos em águas rasas na Bacia de Santos. A Petrobras levou quatro áreas, sendo duas delas em parceria com a Companhia Vale do Rio Doce (que tem 30%) e com a norueguesa Maersk (com 30%), uma outra apenas com a CVRD (com 40%) e outra sozinha. No total, a Petrobras pagou, juntamente com suas parcerias, um total de R$ 127 milhões. Décimo lote: a OGX levou mais cinco blocos localizados na Bacia do Espírito Santo, em parceria com a Perenco, mas em nenhum deles será operadora. No total deste lote foram pagos R$ 106 milhões, dos quais R$ 18 milhões foram oferecidos pela indiana ONGC, em sua primeira participação no leilão. Décimo-primeiro lote: a Bacia de Potiguar teve arrematados seis dos 20 blocos oferecidos, dos quais quatro deles foram levados pela Starfish, sendo dois individualmente e dois em parceria com a EagleStar (que tem 30%). A estreante Rich Minerals arrematou dois blocos sozinha. No total, foram arrecadados R$ 7,29 milhões neste lote. Décimo-segundo lote: a Petrobras e a Petrogal reativaram sua parceria tradicional em rodadas anteriores e arremataram os três únicos blocos concedidos de um total de oito ofertados na segunda etapa da Bacia de Pará-Maranhão. O volume pago foi de R$ 7,648 milhões. Décimo-terceiro lote: a OGX levou outros quatro blocos sozinha, por um valor total de bônus de assinatura de R$ 8,33 milhões. Os blocos estão localizados na Bacia do Pará-Maranhão. Para 2008 Lima, da ANP, afirmou que para 2008 está prevista a realização de três leilões de áreas exploratórias de petróleo e gás natural. A idéia, segundo ele, é que já no primeiro trimestre de 2008 aconteçam tanto a retomada da 8ª Rodada, interrompida por ordem judicial no ano passado, quanto um leilão para campos maduros com acumulações marginais. Para o segundo semestre, disse o diretor, está mantida a realização de uma 10ª Rodada, que começará a ser elaborada já no início do ano que vem. Segundo ele, "será muito difícil" que sejam disponibilizados na 10ª Rodada os 41 blocos que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu tirar desta 9ª Rodada, que termina na quarta no Rio.

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