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9ª rodada de licitações da ANP bate recorde de arrecadação

Só no período da manhã, foram pagos R$ 1,602 bi, acima dos R$ 1,087 bi apurados na 7ª Rodada, a maior já realizada

Mônica Ciarelli e Kelly Lima, da Agência Estado, Agencia Estado

27 de novembro de 2007 | 13h58

A 9ª Rodada de Licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, realizado nesta terça-feira, 27, pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) bateu recorde de arrecadação entre todas as licitações feitas pela Agência. Só no período da manhã, foram pagos R$ 1,602 bilhão, acima dos R$ 1,087 bilhão apurados na 7ª Rodada, em 2005, a maior já registrada pela ANP até hoje. O leilão acontece em meio às manifestações de participantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), entre outros. De acordo com nota do MST, "os movimentos reivindicam a permanência das reservas existentes no Brasil à gestão estatal, na perspectiva de construção de um projeto de energia para o País e não à venda de nossos recursos naturais ao capital estrangeiro". A OGX, do empresário Eike Batista, foi o grande destaque dessa primeira etapa da 9ª Rodada. A companhia já arrematou oito blocos por R$ 784 milhões, cerca de 50% de tudo que foi arrecadado até o momento. O diretor geral da ANP, Haroldo Lima, admitiu que colocar blocos atrativos logo na abertura foi uma estratégia para afastar o pessimismo dos analistas após a decisão do governo de retirar os 41 blocos localizados sobre a camada de sal, onde foram descobertas as grandes reservas de Tupi. O ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que já esperava uma participação forte da empresa de Eike Batista. Segundo ele, a companhia vem planejando grandes investimentos e por isso entrou pesado no leilão. Outra empresa a participar do leilão foi a Companhia Vale do Rio Doce. Ela concentrou seu foco nos lances para as áreas no Norte e Nordeste do País, que podem alimentar as atividades da mineradora em Carajás, no Pará, onde a empresa tem seus maiores investimentos no Brasil. Até 2012, por exemplo, a Vale planeja abrir a mina de Serra Sul, que vai consumir um total de US$ 10 bilhões. Esse é atualmente o projeto com maior volume previsto de aportes. Hubner disse que a forte participação da OGX e também a estréia da Vale em um leilão de áreas exploratórias de petróleo "não significa que são empresas assustadas com o risco de faltar gás no país". "Isso não existe. As duas empresas são grandes players do mercado que estão diversificando seu portfólio numa área que oferece excelentes oportunidades", disse. Entenda o que está em jogo A 9ª Rodada de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural realizada pela ANP possui 67 empresas habilitadas, sendo 32 brasileiras e 35 de origem estrangeira. O maior número registrado anteriormente foi de 44 empresas, na 7ª Rodada. As estreantes em rodadas são 19, sendo 10 brasileiras. Pela primeira vez, uma rodada conta com participantes dos cinco continentes. É consenso entre especialistas que a exclusão das 41 áreas da camada pré-sal, na qual foram descobertas recentemente jazidas de petróleo, reduziu o interesse dos investidores pelo leilão. É possível que muitas empresas esperem a retomada da 8ª Rodada, prevista para 2008, que ainda terá áreas na chamada faixa pré-sal. Serão oferecidos 271 blocos em 14 setores, totalizando 73.078,70 km² em áreas de elevado potencial, novas fronteiras e bacias maduras. As áreas em oferta abrangem 9 bacias sedimentares: Campos, Espírito Santo, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Rio do Peixe e Santos. Resultados do leilão Primeiro lote: contrariando as expectativas de analistas do setor de petróleo, já na venda do primeiro lote oferecido, o volume de bônus quase chegou a se igualar ao recorde obtido pela reguladora em um leilão. Dos 17 blocos ofertados em águas rasas da Bacia de Campos, 12 foram arrematados. O valor de bônus de assinatura pagos pelos lotes arrematados foi de R$ 959 milhões. O recorde de arrecadação ainda é o da 7ª Rodada, de R$ 1,05 bilhão. Segundo lote: localizado em área terrestre na Bacia do Espírito Santo, o lote teve arrematados oito blocos de um total de dez ofertados. A arrecadação total do bônus de assinatura neste lote foi de R$ 4 milhões, e os investimentos previstos para esta área são de R$ 33,15 milhões. As empresas de menor porte foram as que mais disputaram o negócio, considerado de baixo investimento. Terceiro lote: a Companhia Vale do Rio Doce arrematou quatro áreas de exploração na bacia de Pará-Maranhão, em parceria com a Petrobras. Nesta disputa, foram disponibilizados 40 blocos, sendo apenas cinco arrematados - por um total de bônus de assinatura de R$ 6,74 milhões. Deste total, o consórcio envolvendo a Vale, Petrobras e Ecopetrol pagou R$ 5,291 milhões.  Quarto lote: localizado em áreas terrestres na Bacia do Parnaíba, no interior do estado do Maranhão, teve os 10 blocos ofertados arrematados, para um total de bônus de assinaturas de R$ 11 milhões. A estreante STR levou sete dos dez lotes por um total de bônus pagos de R$ 10,42 milhões. A Petrobras entrou na disputa dos dez blocos em parceria com a Devon e a Companhia Vale do Rio Doce, mas só levou dois. Também levou um bloco neste lote o consórcio formado pela Comp (33%; operadora) , Orteng (33%) e Delp Engenharia (33%), com bônus de assinatura de R$ 300 mil. Quinto lote: a empresa OGX, que faz parte do grupo de Eike Batista, arrematou mais quatro áreas de exploração de petróleo e gás em águas rasas na Bacia de Santos. Neste lote, cinco das dez áreas ofertadas foram arrematadas. A OGX repetiu performance verificada em lotes anteriores e deu o maior lance do leilão até o momento, de R$ 344,09 milhões para levar a área S-270, com potencial de reservas de gás natural nas águas rasas de Santos. No total, a OGX pagou em bônus R$ 599,44 milhões do total de R$ 621,6 milhões arrecadados neste lote. A Petrobras concorreu em parceria com a Starfish em dois blocos, mas levou apenas o S-225, no qual a Starfish é operadora com 60% de participação. A dupla pagou R$ 22,25 milhões pelo bônus deste bloco. Sexto lote: com um bônus total de R$ 54,759 milhões, foram arrematados 29 das 32 áreas oferecidas na Bacia do Recôncavo, no interior do estado da Bahia. Petrobras fez sua primeira participação individual no leilão, e arrematou quatro áreas, além de uma em parceria com a Starfish, na qual esta última é a operadora. Neste lote houve predominância da participação de empresas de menor porte, como a Construtora Pioneira, que arrematou oito áreas sozinha e três como operadora em parceria com a EMPA (50%). A Ral Engenharia arrematou três áreas, a Brasoil, uma, e a Washington levou uma área em parceria com a Petro Latina (25%) e BrazAlta (37,5%). Por fim, três áreas na bacia do Recôncavo foram arrematadas pelo consórcio formado pelas empresas Comp, Orteng e Delp. Sétimo lote: a Ral Engenharia arrematou oito dos 19 blocos oferecidos na Bacia do Rio do Peixe, na Paraíba. A bacia é estreante em leilão da ANP e teve arrematados 12 dos 19 blocos ofertados, com um total de bônus de assinatura de R$ 8,489 milhões. Além da Ral, levaram blocos na Bacia de Rio do Peixe a também estreante Lábrea, que já havia vencido disputa hoje por um bloco no Espírito Santo. Já a Tarmar, em parceria com a Rich Minerals (20%), arrematou dois blocos. Oitavo lote: localizado na Bacia de Pernambuco-Paraíba, este lote não teve interessados. Para 2008 Lima, da ANP, afirmou que para 2008 está prevista a realização de três leilões de áreas exploratórias de petróleo e gás natural. A idéia, segundo ele, é que já no primeiro trimestre de 2008 aconteçam tanto a retomada da 8ª Rodada, interrompida por ordem judicial no ano passado, quanto um leilão para campos maduros com acumulações marginais. Para o segundo semestre, disse o diretor, está mantida a realização de uma 10ª Rodada, que começará a ser elaborada já no início do ano que vem. Segundo ele, "será muito difícil" que sejam disponibilizados na 10ª Rodada os 41 blocos que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu tirar desta 9ª Rodada, que termina na quarta no Rio.

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