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93% dos desempregados no País não têm amparo social, diz OIT

Segundo a entidade, o mundo corre o risco de ver o desemprego aumentar em 38 milhões de pessoas em 2009

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2009 | 15h32

93% dos brasileiros desempregados não contam com seguros ou qualquer outro plano social. O alerta faz parte de um levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) que pede que, no atual momento de crise, governos fortaleçam a ajuda aos desempregados. No total dos pacotes mundiais de quase US$ 1,8 trilhão, apenas 1,8% dos recursos estão sendo destinados para medidas sociais e 9,2% para ampliar a ajuda a trabalhadores.

 

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Em comparação ao PIB, países pobres estão gastando mais para relançar suas economias que os países ricos. Mas entre todos os países do G-20 (grupo que reúne economias de países ricos e emergentes), o Brasil é o que menos investiu até agora. Segundo a OIT, o mundo corre o risco de ver o desemprego aumentar em 38 milhões de pessoas em 2009. Somado aos que já perderam o trabalho em 2008, a crise fará 51 milhões de vítimas. Nos últimos doze meses, os países do G-7 já acumularam 5 milhões de novos desempregados.

 

O pior é que o mundo terá ainda de criar 90 milhões de novos postos de trabalho em 2009 e 2010 apenas para empregar a população que passará a buscar trabalho. "Precisamos de um pacto global de empregos", afirmou Juan Somavia, diretor da OIT. Seu apelo vem às vésperas da reunião do G-20, em Londres.

 

O que a entidade alerta é que, até agora, apenas uma fração mínima dos pacotes foram usados para aumentar o seguro ao desemprego ou programas sociais. Apenas US$ 32 bilhões. O próprio volume dos pacotes ainda não chegou a um valor ideal. O Fundo Monetário Internacional havia sugerido que 2% do PIB do planeta fosse usado para relançar a economia. Hoje, essa taxa é de 1,7%. No total, 27% do dinheiro dos pacotes será destinado para projetos de infraestrutura e 21% em isenções fiscais.

 

Seguro-desemprego no País

 

A OIT admite que o Brasil ampliou o seguro-desemprego de 5 para 7 meses em alguns setores. Mas o volume de recursos para isso é pequeno. A OIT estima que 1,5 milhão de brasileiros sem trabalho não tem qualquer seguro-desemprego. A parcela da população desamparada é uma das maiores do mundo. O cálculo foi feito com base em um estudo de 2005 e aplicado em números de dezembro de 2008. O próprio Somavia destaca que os números "são altos".

 

Em termos percentuais, a taxa é mais elevada que a da China, onde 84% dos trabalhadores não recebem nenhum benefício. Isso significa mais de 17 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, 57% dos trabalhadores que perdem seus empregos não tem direito à ajuda. Em março, 6 milhões de americanos estavam sem emprego e sem ajuda social. No Reino Unido, a taxa é de 40%, contra 13% na Alemanha.

 

Para Raymond Torres, economista da OIT, essa realidade é resultado de "décadas de desregulamentação do mercado trabalhista e políticas sociais vista como um peso". Segundo ele, há uma tendência de países a darem dinheiro a programas de assistência, ao lugar de apoiar trabalhadores desempregados.

 

Gastos com medidas anticrise

 

Como o Estado antecipou nesta terça, o Brasil é o País do G-20 que menos gastou em pacotes para relançar sua economia até agora. O governo destinou 0,2% do PIB, contra mais de 13% por parte da China, 11% na Arábia Saudita. Nos Estados Unidos, os pacotes chegam a 5,6% e 2,8% na Alemanha.

 

Mas os países em desenvolvimento estão gastando em média mais que os países ricos para salvar suas economias. No geral, os emergentes estão colocando 2,7% do PIB para relançar suas economias, contra apenas 1,3% dos ricos, onde a crise surgiu. As medidas para ajudar os trabalhadores representam apenas 0,2% dos pacotes dos países em desenvolvimento. Já a ajuda social chega a 6,8%.

 

 

Saída para crise de empregos

 

Para a OIT, está na hora de o G-20 pensar em medidas para dar uma solução à crise de empregos. Historicamente, o mercado de trabalho se recupera quatro anos após a retomada do crescimento econômico. "Limpar os bancos levará ainda meses. Mas precisamos de medidas urgentes", disse Somavia. "Uma parcela maior dos pacotes devem ser direcionados à criação de empregos", afirmou.

 

Para ele, medidas para salvar bancos e pessoas precisam caminhar de forma simultânea. "Caso contrário, teremos uma recessão social", disse. Sem uma coordenação ainda nos pacotes de relançamento da economia, a recuperação do mercado de trabalho ocorrerá apenas em 2011. Com uma coordenação, uma retomada poderá já ocorrer em 2010.

 

As medidas propostas pela OIT ainda incluem maior crédito para empresas, medidas pró-criação de trabalho, estabelecimento de redes de proteção social e até um fundo global para financiar a geração de postos de trabalho.

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