96% dos acordos salariais igualam ou superam INPC

A crise financeira internacional praticamente não teve impacto nas negociações salariais entre sindicatos trabalhistas e patronais, de acordo com avaliação técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com base na análise de 100 acordos coletivos fechados nos cinco primeiros meses do ano, a instituição observou que 96% das negociações conseguiram reajustes iguais ou acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses. De janeiro a maio de 2008, época anterior ao agravamento da crise, o índice de recomposição salarial foi de 89%.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

26 de junho de 2009 | 18h40

O estudo apontou recuo em negociações que tiveram reajustes inferiores à inflação do período, passando de 11% em 2008 para 4% em 2009. Entre os reajustes acima das perdas geradas pelo aumento dos preços, houve pouca oscilação no período: de 77% em 2008 para 78% em 2009. Os acordos que apenas zeraram o INPC passaram de 12% em 2008 para 18% em 2009. Os técnicos do Dieese dizem que a maior parte dos acordos, fechados tanto abaixo como a acima da inflação registrada no período, aproximou-se do INPC registrado na época.

Na análise de reajustes concedidos a diferentes setores da economia, o resultado foi heterogêneo. Na indústria, por exemplo, o porcentual de ganho salarial acima da inflação sofreu ligeira redução, variando de 86% para 83% nos mesmos períodos de análise. O segmento de prestação de serviços reduziu de 14% para 4% o porcentual de categorias que tiveram perda salarial com o aumento da inflação e registrou aumento de 71% para 78% nas faixas que conquistaram aumento do poder de compra no período.

Os analistas do Dieese apontam como fatores responsáveis pela melhora nos reajustes de salários a queda da inflação no início do ano e o aumento das pressões sindicais. Contudo, eles ressaltam que a análise é somente dos reajustes conquistados no período, sem levar em conta os reflexos da crise no nível de emprego, que teve profunda queda nos setores exportadores e naqueles que dependem de crédito interno e externo.

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