A 10 pesos, moeda dos EUA é 'dólar Messi' na Argentina

Desde ontem os argentinos convivem na prática com o denominado "dólar Messi", denominação do dólar no paralelo que atingiu a faixa de 10 pesos, o mesmo número da camisa do jogador argentino Lionel Messi, astro do Barcelona. A cotação extraoficial da moeda americana encerrou ontem em 10,8 pesos. O valor representa uma brecha de 93% em relação à cotação oficial - controlada pelo governo da presidente Cristina Kirchner - de 5,22 pesos.

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2013 | 02h07

É a maior diferença entre a cotação oficial e o paralelo desde 1975, quando governava a presidente Maria Estela Martinez de Perón, a "Isabelita".

Os analistas na city financeira portenha afirmam que está ocorrendo uma desvalorização de fato. Na segunda-feira à noite, a presidente Cristina Kirchner descartou os rumores de uma eventual desvalorização da moeda: "Enquanto eu for presidente, aqueles que quiserem ganhar dinheiro à custa de uma desvalorização que o povo terá de pagar, terão de esperar outro governo".

Alfonso Prat-Gay, ex-presidente do Banco Central do governo de Néstor Kirchner e atual deputado de oposição, disse ontem que "no último ano a desvalorização oficial do peso foi de 20%, enquanto o paralelo chegou a quase 100%".

"A política de colocar band-aid acabou. É preciso reformular o modelo", disse o presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignácio De Mendiguren.

Poucas horas antes da chegada do dólar ao nível "Messi", o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia apresentado críticas às restrições do governo Kirchner para a compra de dólares. Segundo o FMI, as restrições geram impacto "negativo" na confiança da população.

Projeto. Em meio à disparada do dólar, as autoridades econômicas anunciaram ontem uma anistia fiscal com a qual o governo pretende obter recursos para investir nas áreas energética e de construção civil.

O governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei que permitirá aos argentinos com dinheiro no "colchão" ou no exterior repatriar essas divisas e oficializá-las. É a segunda tentativa do governo Kirchner de atrair o dinheiro guardado pelos argentinos fora dos bancos. A primeira, em 2009, não teve resultados palpáveis.

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