Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'A 4ª Revolução Industrial não vai esperar o Brasil', diz diretor do Fórum Econômico Mundial

Murat Sönmaz defende que o País adote medidas de curto prazo para entrar na indústria 4.0, que melhora produtividade e eficiência das companhias

Guilherme Guerra, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 11h00

O Brasil deve acelerar com a digitalização da indústria e parar de perder tempo com a terceira revolução industrial, defende Murat Sönmez, diretor do Fórum Econômico Mundial. Para ele, o País precisa entrar na era da indústria 4.0 (ou Quarta Revolução Industrial) para evitar que as pequenas e médias empresas sejam tiradas de fora do mercado por grandes competidoras nacionais ou estrangeiras.

A seguir, leia trechos da entrevista que ele concedeu ao Estado:

Quais são os resultados do Centro para a Quarta Revolução Industrial até agora?

Temos 38 projetos em andamento. Temos um sobre drones, por exemplo, para pessoas que vivem em vilarejos distantes. Podemos usar drones para fazer entregas? Nosso primeiro piloto foi em Ruanda, onde ajudamos a criar um protocolo há 18 meses. Agora, eles têm a maior rede civil de drones do mundo. São capazes de entregar suprimentos médicos em clínicas no topo de montanhas. No passado, as pessoas não teriam acesso a esses materiais porque as condições não estavam certas. Agora, em média, em 45 minutos, você recebe um remédio vindo de uma localização centralizada.

O Brasil está muito para trás na indústria 4.0. Como consertar isso?

Não ficar perdendo tempo com a terceira revolução industrial. Olhe para Ruanda. Normalmente, para distribuir sangue, seriam necessários estradas, sistemas de refrigeração, eletricidade. Levaria provavelmente dez anos. Agora, com drones, eles entregam sangue em 45 minutos. Eles pularam a terceira revolução industrial. É possível. Se existe um carro disponível, e você tem carroça, você quer o carro, e não o cavalo mais rápido. Em vez de gastar bilhões em infraestrutura, você pode gastar uma fração disso com melhores resultados.

Em 2018, o Fórum Econômico Mundial defendeu que o Brasil fizesse reformas estruturais para melhorar crescimento e produtividade. Houve alguma melhora nesse diagnóstico?

Essas reformas vão levar um tempo para serem implementadas. Mas a Quarta Revolução Industrial não vai esperar. Nós temos essa urgência, que é partilhada com o governo estadual (de São Paulo) e federal.

Qual o papel da infraestrutura de 5G na Quarta Revolução Industrial?

É muito importante. Imagine se você não tivesse congestionamento em uma cidade. É bom para o meio ambiente, a população. E você precisa de dados em tempo real para conseguir regular o tráfego. Se você distribuísse sensores na cidade e coletasse os dados em tempo real, você reduziria o congestionamento e o uso de energia apenas usando inteligência artificial em uma rede de 5G. A Internet das Coisas é a fonte dos dados, mas você precisa de uma rede de 5G para usá-los. 

Como podemos adotar a automação e evitar o desemprego?

Ninguém sabe, não há modelos. Existem previsões, mas ninguém sabe. No passado, a automação ajudou a melhorar os nossos padrões de vida, mas ainda assim uma grande parte da sociedade ficou para trás. Melhora a eficiência, mas precisa ver o que acontece com as pessoas que perderam os empregos. É por isso que é importante fazer esses programas pilotos para ver se têm escala. Se você não automatizar, as companhias irão desaparecer. As grandes vão automatizar, reduzir os empregados e ganhar mais eficiência. Mas, para as PMEs, se não adotarem essas tecnologias, elas desaparecerão. O risco de não fazer a automação é muito maior do que fazer.

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