A 7ª Conseguro

Um dos mais importantes eventos do setor de seguros do País deixou claro que não há mais espaço para amadores em nenhuma de suas atividades

Antônio Penteado Mendonça*, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2015 | 02h02

Aconteceu em São Paulo, entre 15 e 17 passados, a 7.ª Conferência Brasileira de Seguros, Resseguros, Previdência Privada e Capitalização - Conseguro, um dos maiores e mais importantes eventos da atividade seguradora brasileira. Realizada pela CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), a Conseguro é o evento das seguradoras, resseguradoras, operadoras de planos de saúde privados, capitalização e previdência complementar aberta.

A Conseguro este ano incorporou outros eventos tradicionais do mercado, ampliando a abrangência das discussões com o 4.º Encontro Nacional de Atuários (ENA), a 5.ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros e o Seminário de Controles Internos & Compliance, além de abrir espaço para um workshop sobre Riscos Emergentes.

O evento valeu a pena e com certeza teve resultado positivo para os mais de mil participantes que, durante seus três dias, interagiram com palestras e discussões importantes para suas carreiras profissionais, para o futuro das empresas em que trabalham e para o desenvolvimento do mercado, especialmente em um momento delicado da vida política, econômica e moral do Brasil.

Sob o guarda-chuva do tema "A Evolução do Mercado Segurador", os participantes discutiram em profundidade o que aconteceu, o que está acontecendo e o que pode vir a acontecer, relacionado às atividades econômicas representadas pela CNSeg e os outros setores que compõem o mercado segurador brasileiro.

Se os congressos de corretores de seguros são importantes para o relacionamento entre os integrantes da atividade, especialmente para a criação de redes de relacionamento entre corretores e seguradores, a Conseguro é importante pela possibilidade de se participar de discussões conduzidas por nomes reconhecidos entre os mais competentes no país e no exterior.

Discussões que abordam desde a realidade macroeconômica até as nuances e tipicidades que podem interferir no desenvolvimento de um produto desenhado para atender esta ou aquela parcela da sociedade.

Trazendo nomes conhecidos do jornalismo, da economia, da administração e consultores renomados, além de autoridades e importantes executivos das empresas do setor, os painéis criaram um amplo retrato da evolução do seguro no Brasil, notadamente depois de 1994, a partir de quando teve início o vertiginoso crescimento que fez com que a participação de menos de 1% do PIB, em 20 anos, se transformasse em mais de 6% do Produto Interno Bruto brasileiro, gerando reservas, a maioria de longo prazo, de mais de R$ 600 bilhões.

A soma das discussões deixou evidente que o setor atingiu alto ponto de profissionalização. Não há mais espaço para amadores em nenhuma de suas atividades. Quem quer vencer nele precisa conhecer o que faz, onde pretende chegar e como. Sem planejamento, estudo e competência profissional, o fracasso surge como a única alternativa. Em compensação, quem fizer a lição de casa tem todas as chances de se dar bem, inclusive durante os tempos de crise, como o que atravessamos agora.

Aliás, com relação à recessão, perda de grau de investimento, inflação alta, desemprego, juros caros, etc, a 7.ª Conseguro não tapou o sol com a peneira e mostrou que é evidente que o setor será afetado, mas de forma mais branda do que outras atividades.

Abordando temas tão abrangentes como demografia, envelhecimento da população, saúde pública, meio ambiente, catástrofes naturais, violência social, canais de distribuição de produtos, segmentação para atender a sociedade, impactos da legislação, judicialização, etc, a Conferência foi fundo na busca das soluções e do equilíbrio para que as conquistas das últimas décadas não sejam ameaçadas pelo momento atual, mas, ao contrário, que tenham os reforços necessários para enfrentar a crise e, mais do que isso, estar preparado para retomar o crescimento assim que as condições socioeconômicas se mostrarem mais favoráveis.

*Presidente da Academia Paulista de Letras, sócio de Penteado Mendonça Advocacia e comentarista da Rádio Estadão

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