A aceleração das compras de dólares pelo Tesouro

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, anunciou que o Tesouro está acelerando suas compras de dólares neste período do ano. Em fevereiro o Conselho Monetário Nacional autorizou o Tesouro a aumentar suas compras, e a situação atual as justifica.

, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Em primeiro lugar, a taxa cambial está bastante convidativa, com o valor do real, em relação ao dólar, tendo quase dobrado desde que Lula assumiu. Isso permite pagar a dívida externa a um custo baixo em reais.

Mas, além do câmbio, o que justifica essas compras são os vencimentos elevados da dívida externa neste segundo semestre. Em junho, o montante da dívida pública externa a vencer em 12 meses representava 12,76% do seu estoque de R$ 95,9 bilhões, sendo US$ 41,54 bilhões em dólares. É preciso levar em conta também o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos que não será coberto por operações financeiras. Comprar dólares a uma taxa favorável parece ser um bom negócio.

O secretário do Tesouro não escondeu que com essas compras a valorização do real diminui, o que os exportadores e a indústria nacional desejam para permitir um aumento das vendas ao exterior e reduzir a concorrência que os produtos nacionais sofrem com a importação, estimulada pelo excesso de valorização da moeda nacional.

Pode ser dito que essa regulação da taxa cambial teria de caber ao Banco Central, que realmente está intervindo no mercado cambial todos os dias, mas com resultados por enquanto pouco aparentes e que obrigam à emissão de moeda nacional, que a seguir se tem de neutralizar mediante a emissão de títulos da dívida interna, que tem um custo elevado.

A compra de dólares para pagar uma dívida não tem os mesmos inconvenientes, pois de qualquer modo essa compra teria de ser feita.

O secretário lembrou que o Tesouro pode emitir títulos soberanos em reais. Essa menção deu a impressão de que a emissão poderia ser realizada nas próximas semanas a fim de se obterem os recursos necessários ao Tesouro para que sua participação no capital da Petrobrás seja mantida, admitindo-se que o processo de capitalização será realizado em setembro, como previsto - o que deixa ainda muitas dúvidas, tão complexa está se tornando a maneira pela qual foi decidido conduzir essa capitalização.

Não há dúvida de que a questão da valorização do real terá de ser enfrentada pelo próximo governo, quando se verifica que nem a perspectiva de um déficit das transações correntes foi suficiente para mudar a taxa cambial.

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