A administração da dívida externa exige prudência

Para o governo federal, não há outro meio para cobrir o seu déficit nominal, a não ser aumentando a dívida pública ou emitindo moeda - e, neste caso, com o valor da moeda diminuindo, a liquidez resultante favorece a inflação.

O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h04

Até agora, a política de administração da dívida pública brasileira tem sido modelar, pelo fato de que, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), ela permanece muito baixa. E as autoridades monetárias procuraram manter a dívida pública externa também baixa para não terem de enfrentar, como no passado, dificuldades para reembolsá-la. No final de novembro, a dívida externa pública e privada totalizou US$ 310,8 bilhões, com reservas internacionais de US$ 378,6 bilhões.

Porém, nota-se uma mudança na administração da dívida externa pública. Seu estoque atingiu, em novembro, R$ 92,99 bilhões, com um aumento de participação no total da dívida de 4,59% para 4,7%. Quando a taxa cambial estava valorizada, os administradores da dívida procuraram não aumentar a participação da dívida externa, apesar da vantagem que isso oferecia, graças à taxa cambial. Agora, com uma taxa cambial que o Banco Central tem dificuldades para controlar, mas nitidamente orientada em direção à desvalorização, estamos aumentando a dívida externa com grave risco cambial, caso não seja possível interromper a desvalorização do real. É uma política que se poderia interpretar como prova de confiança de que o real voltará a se valorizar, o que, aliás, não seria desejo das empresas que estão tentando voltar a exportar.

O que mais deve preocupar as autoridades fazendárias é o crescimento da dívida externa das empresas, que poderão encontrar dificuldades para honrar seus compromissos e colocar o Banco Central na obrigação de ajudá-las. Trata-se de um aspecto a ser levado em conta, quando se considera a importância de nossas reservas internacionais.

Um outro fato merece atenção: o resgate da dívida externa, em novembro, totalizou R$ 579,9 milhões, com o pagamento do principal de R$ 260,23 milhões, mas o pagamento de juros, ágio e encargos maiores somando R$ 319,76 milhões. Como se vê, a dívida externa tem um custo elevado. Porém, é uma dívida relativamente de curto prazo: os títulos a vencer nos próximos 12 meses representaram 10,7%, em novembro, e o prazo médio da dívida baixou de 6,72 anos, em outubro, para 6,47 anos, em novembro. Cabe aos seus administradores serem muito prudentes em relação a aumentá-la.

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